Nosso amigo, José Renato Nalini.

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Ainda existe poesia

Antigamente as crianças aprendiam a declamar. Não havia apresentação escolar ou mesmo festa de família em que alguém não fosse chamado a recitar poesias. Eram comuns até mesmo as grandes declamadoras, matronas que mereciam aplausos em solenidades e que encantavam as plateias com sua verve, impostação, capacidade mnemônica e talento.

Poesias havia que arrancavam lágrimas. Outras produziam risos. Os poemas líricos e idílicos provocavam suspiros. Em síntese, a poesia habitava todos os lares. Era um sinal de distinção saber declamar. E não eram apenas as meninas. Jovens rapazes também se esmeravam ao decorar peças de bastante dificuldade e que reproduziam na inteireza, sem titubear, sem hesitar, sem olvidar qualquer parte do texto.

Naquele tempo não havia televisão, nem internet, nem redes sociais. Foram elas que sepultaram a poesia? Não. Por incrível que pareça, a poesia não morreu. Ela continua a existir. Primeiro, porque a beleza ainda tem lugar no coração dos homens. Segundo, porque poesia é um jorro incessante e insuscetível de paralisação, desde que surja numa alma sensível. Se possível, apaixonada.

É saudável constatar que em alguns nichos ela continua presente. Clubes de poesia, Casas de Poetas, Movimentos poéticos ainda congregam abnegados que escrevem e declamam e publicam. E não se recusam a prestigiar espaços onde a poesia é bem recebida e pode se abrigar.

Como seria bom que todos os pais incentivassem seus filhos a ler poesia, a declamar poesia e a escrever poesia.Como seria maravilhoso se todos os professores se empenhassem na disseminação de uma cultura poética, a celebrar os grandes nomes da poesia universal, que merecem cultivo, reverência e honras. E que se cuidasse de semear a imaginação para que novos poetas germinassem desse encontro mágico entre a poesia e seu amante.

O mundo ganharia colorido, seria mais terno e amorável, se a ira cedesse o seu lugar para uma poesia. Romântica, Épica, Folclórica, Histórica, Política, Étnica. Ou poesia sem qualificação. Mera poesia. Poesia mesmo. O mundo precisa de mais poesia e de menos incompreensão.

De mais amor, menos violência. De esperança, não de desalento. A poesia é remédio para o mal-estar civilizatório que angustia a todos e que dá a sensação de que a humanidade regrediu e menospreza o grau civilizatório que tanto demorou a conquistar.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 24/11/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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