Mais duas crônicas de José Renato Nalini

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01/12/2016

Calamitosa inconsciência

Mais de um Estado já assumiu o estado de calamidade pública, mercê de administrações desastrosas e maltrato ao dinheiro do povo. O Brasil precisa acordar se quiser acertar o passo com o desenvolvimento. Neste ano, o Banco Mundial detectou que passamos da 111ª para a 116ª posição em todos os indicadores de eficiência apurados em 189 países. É que somos extremamente burocratizados. O direito, que deveria servir de instrumento de solução de problemas, prefere institucionalizá-los. A interpretação oscila entre a negativa e o percurso labiríntico de senões para impedir que se alcance o resultado desejável. Há boas iniciativas, mas falta uma instância de coordenação que pudesse coletar experiências e concatenar trabalho conjunto.

A educação básica é a maior urgência para o Brasil. Levada a sério, resolveria todos os nossos problemas. A política seria diferente se a nossa população fosse esclarecida. A saúde melhoraria, pois, o cidadão bem formado preveniria males que são produzidos pela ignorância. A violência se resumiria às patologias e não seria endêmica. A economia não patinaria. Pessoas capacitadas encontram alternativas e enxergam mais longe do que as desprovidas de saber. Enfim, tudo tem remédio se a educação atinge suas finalidades, explicitamente previstas na Constituição: fazer com que as potencialidades do ser humano se desenvolvam à plenitude, qualificar para o trabalho e treinar a prática da cidadania.

Educação que é direito de todos e dever do Estado, da família e da sociedade. O Estado destina um terço de seu orçamento à rede pública. Ainda insuficiente, ante o crescimento da demanda, tudo agravada em tempos de crise. Mas a família e a sociedade podem fazer mais. A começar de uma aproximação afetiva, carinhosa e verdadeiramente interessada, junto às escolas públicas. Quando a família se interessa pela escola do filho, tudo vai melhor. Somos todos responsáveis. Talvez nem todos concordem, mas pior do que a calamidade da crise econômica é a calamitosa inconsciência em que grande parte de pessoas que poderiam fazer a diferença mergulhou e dela não parece querer sair.

 

30/11/2016

Todos pela educação

Venho repetindo, qual mantra, que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade. O apelo destinado àqueles que ainda não participam desse projeto de Nação é para que se conscientizem de que sem educação o Brasil não se desenvolverá. Educação consistente, bem planejada e melhor executada.

Já existem passos importantes que a sociedade civil ofereceu à causa. Um deles é o movimento “Todos pela Educação”, fundado em 2006, cuja missão é contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência, o País garanta Educação Básica de qualidade para todas as crianças e jovens. Congrega pessoas de bem e de boa-fé. Apartidário, plural, despertou o interesse daqueles que podem e sabem fazer a diferença.

Produz conhecimento, fomenta e mobiliza. Desenvolve três áreas que funcionam de maneira interligada e complementar, baseada em cinco metas, cinco bandeiras e cinco atitudes. Mencionemos brevemente o conteúdo das cinco atitudes, das cinco metas e das cinco bandeiras.

As cinco atitudes são: 1) valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento; 2) promover as habilidades importantes para a vida e para a escola; 3) colocar a educação escolar no dia a dia; 4) apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos; 5) ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e jovens.

As cinco bandeiras: a) melhoria da formação e carreira do professor; 2) definição dos direitos de aprendizagem; 3) uso pedagógico das avaliações; 4) ampliação da oferta de Educação Integral; 5) aperfeiçoamento da governança e gestão.

E as cinco metas: 1) toda criança e jovem de 4 a 17 anos deve estar na escola; 2) toda criança tem de estar plenamente alfabetizada até os 8 anos; 3) todo aluno precisa estar com aprendizado adequado ao seu ano; 4) todo jovem de 19 anos tem de estar com o Ensino Médio concluído; 5) investimento em Educação ampliado e bem gerido.

O importante do “Todos Pela Educação” é que todos, sem exceção, podem colaborar com essa verdadeira cruzada que, bem-sucedida, mudará o destino das crianças e, ao obter esse resultado, mudará os destinos da Nação. O Brasil precisa do trabalho, do esforço, do sacrifício e, principalmente, do carinho de todos.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 27/11/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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