PARA COMPLETAR a crônica do LEANDRO KARNAL do 18/12/2016 no jornal OESP.

wilma schiesari-legris

Para muitos dos que vivem no mundo ocidental europeu e nos países colonizados ou influenciados por ele,  paira o desconhecimento de que debaixo das igrejas romanas ainda existe a ruína de um templo pagão, devidamente abandonada sob a cripta; era ali que no solstício de inverno  os pagãos  enfrentavam o frio gelado do Hemisfério Norte, renegados pela Natureza, que à mingua  lhes deixava à espera de dias melhores e de comida mais farta…

O solstício de inverno é o dia do ano onde a incidência de luz do dia é a menor e por isso ele escurece cedo, tendo a noite a mais longa do ano.

Os pagãos pediam clemência aos seus deuses nos templos e nos lugares sagrados onde eles eram construídos; seus arquitetos os planejavam  privilegiando a entrada da luz num espaço calculado para receber o feixe dos raios de sol nos dias sagrados onde as cerimônias eram feitas em presença dos druidas e dos seus seguidores.

Com o advento do catolicismo esse momento do ano foi considerado o mais simbólico para que se comemorasse o Natal, festa subvertida  de um conjunto de mudanças de diversos calendários, desde César (Calendário Juliano) ,passando pelo calendário Gregoriano do papa Gregorio XIII; além de dissolver in loco a memória dos temas pagãos, aproveitava-se da data para se fazer as comemorações cristãs, matando-se um coelho com apenas uma cajadada.

Neste ano de 2016 o solstício de inverno realmente cai no dia 21 de dezembro, mas como oficialmente o Natal é comemorado no dia 25, vamos preterir a data astronômica para acertar nosso relogio com os interesses papais e comerciais….

De origem latina, podemos deduzir que “Natal” é uma palavra originária de “Natalis” (dies), significando ” quando nasce o sol“.

A palavra “Noel” , usada nos países francófonos para designar o Natal (do gaélico   « noio » -novo e « hel » -sol) se refere ao solstício de inverno, comemorado pelos gauleses.

Na Idade Média, a palavra “noel” quando era gritada, exprimia a “alegria” fôsse qual fôsse o período do ano.

Para os escandinavos a palavra  “Jul“,  designava a festa pagã do solstício invernal; passando para o inglês tornou-se  « Yule », mais literário que   “Christmas”; algumas expressões inglesas ainda se apoiam a essa palavra: « Yule candle », « Yule cake » . Jáa palavra “Christmas“, significando missa do Cristo, também pode ser traduzida por “Luz“!  (1)

 

Assim como os cristãos apagaram da memória coletiva as festas pagãs do solstício de inverno, fizeram-no com as outras festas!

Em fevereiro, as festas pagãs eram próximas do Carnaval, literalmente o “adeus à carne“, abstinência forçada ao homem do campo gelado, com seus animais magros fechado nos estábulos; não é à toa que nesse mes,  a “quaresma” é o momento em que os cristãos negam a carne à sua mesa, em honra do Cristo crucuficado.

Em março ou abril, quando a terra fecundada  dava ao homem os primeiros alimentos afastando a fome prolongada devido à penúria de grãos, raízes e frutas, era comemorada a chegada da Primavera, a festa das luzes; era também quando os cordeirinhos vinham ao mundo; assim a igreja católica apoderou-se da data e encaixou ali a sua “Páscoa”, fazendo renascer o Cristo no lugar do cordeiro e da Natureza total!

Todas essas festas faziam que o homem tolerasse os momentos de crise e lhe desse esperança de um novo amanhã; e o amanhã começava com a Primavera e seguia com o verão dos vinhos e bacantes, do sexo e da luxúria, da fartura da terra saída do cio, tal qual a fêmea, assim como a mulher hormonada!

O dia mais longo e, talvez um dos mais quentes do ano era no solstício de verão, exatos seis meses depois da noite mais longa e gelada do ano.

Faziam-se fogueiras onde todos os trastes eram queimados, as epidemias assim contidas; ali se cozinhava nas  brasas, jogos campestres se davam entre os jovens que pulavam fogueiras menores e ardiam seus amores em fogos maiores, dando continidade ao eterno ciclo da criação, em paz total com a natureza.

Se o cristianismo baniu os saudáveis  hábitos informais de cópula entre os seres humanos, ele criou os casamentos religiosos principalmente de maio a julho, quando os banquetes campestres podiam ser regados a vinho e o alimento não faltava à mesa; era o momento em que o camponês ficava mais livre  do trabalho árduo que lhe imporia o outono vindouro quando tivesse que colher e estocar  grãos e semear a terra novamente, sem tempo para festejos ou amores, preocupado com o porvir do periodo novamente sombrio por causa do frio e da fome.

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http://www.musee-virtuel-vin.fr
LE COMBAT DE CARNAVAL ET CARÊME
Peter Brueghel l’Ancien , 1559
Kunsthistorisches Museum, Vienna

(1) http://www.jaime-left.com

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