PARTE II Caetano de Campos; publicações a respeito da Escola no jornal OESP, de fevereiro a agosto de 1947.

FEVEREIRO de 1947

NADA ENCONTRADO SOBRE A ESCOLA “CAETANO DE CAMPOS” no jornal OESP.

MARÇO

06/03/1947 (OESP)

                   (memoriall) Afficher l'image d'origine

Cesário Mota Jr.

Comemorações realizadas em São Paulo pelo centenário de nascimento do ilustre paulista.

(Numa grande foto, podemos distinguir dona Carolina Ribeiro)

Resumo do programa de comemoração:

  1. Missa na Igreja de Santa Cecília, oficiada por dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, cardeal-arcebispo de São Paulo em presença do Interventor Federal, do Secretário da Educação e da Saúde, de altas autoridades, professores e alunos das escolas normais e grupos escolares.
  2. 10 horas, visita ao túmulo de Cesário Mota, no cemitério da Consolação. Na ocasião, as alunas do IE Caetano de Campos, entoaram uma “Ode fúnebre, falando, em seguida, dona Carolina Ribeiro, presidente da Comissão Organizadoras das Homenagens, discorrendo sobre Cesário Mota; as mesmas alunas cantaram o hino “Salve São Paulo” para finalizar o ato.
  3. 11 horas – em frente da Escola “Caetano de Campos” foi entregue a herma ( oferecida  à ENC) que desde 1909 estava longe, na Praça e que foi colocada à esquerda da herma de Caetano de Campos.

Ali estavam as mesmas altas autoridades citadas acima mais os familiares de Cesário Mota.

O Hino Nacional foi cantado pelo côro orfeônico da Escola, acompanhado pela Banda da Força Pública do Estado.

Estavam presentes alunos do Primário e do Jardim de Infância e uma comissão de alunos colocou flores na base da herma. Pronunciou-se Antonio de Arruda Sampaio, orador oficial da agremiação da Faculdade de Direito; Aristides Orlande também fez seus agradecimentos.

Novamente ouviu-se o Hino Nacional e cada aluno colocou uma flor ao lado da herma.

  1. As solenidades foram continuadas no Instituto Histórico e Geográfico, com a participação, entre outros, de dona Carolina Ribeiro, diretora do IECC.
(wikipédia)     Afficher l'image d'origine (blog do Ismael)

ABRIL – MAIO- JUNHO  /   NADA ENCONTRADO SOBRE A ESCOLA “CAETANO DE CAMPOS” no jornal OESP.

JULHO

19/07/1947 (OESP)

Georges Duhamel, da Academia Francesa e presidente da Aliança Francesa, realizará dia 24, a conferência intitulada “Problema de Civilização” no auditório da Escola Normal “Caetanode Campos”.

Afficher l'image d'origine(“A cultura é aquilo que faz de uma jornada de trabalho uma jornada de vida.”)

 

Cesário Motta Júnior

( biografia gentilmente enviada por José Horta Manzano)

1847-1897

 

Helio Begliomini (1)

 

Cesário Nazianzeno de Azevedo Motta(2) Magalhães Júnior, mais conhecido por Cesário Motta Júnior, nasceu em Porto Feliz (SP), aos 5 de março de 1847. Era filho do dr. Cesário Nazianzeno d’Azevedo Motta Magalhães e de Clara Cândida Nogueira da Motta, sua prima. Aponta-se em Porto Feliz uma casa que se encontra num pequeno largo, em que, dizem, nasceu Cesário Motta. Há nisso um pequeno engano. De fato, naquela casa residia a família quando Cesário nasceu. Mas, o nascimento deu-se no Sítio Grande, distante meia légua(3), então propriedade de Ana Inocência de Camargo, viúva de Antonio Rodrigues de Campos Leite, falecido durante a Revolução de 1842.

 

A família do dr. Cesário achava-se naquele sítio assistindo a uma festividade, quando inesperadamente se deu o nascimento do Cesarinho, como ficou sendo chamado na família e pelos amigos. Cesário ou Cesarinho cresceu em Porto Feliz. Ávido de luzes desde a infância porque foi uma criança adulta. Tinha no tio, o educador Fernando Motta, um exemplo, e ganhava do amigo dos bancos escolares, mais tarde coronel Joaquim Floriano de Toledo, a admiração que o tornaria seu chefe político em São Manuel.

 

Após aprender as primeiras letras e os primeiros rudimentos do ensino secundário, seguiu Cesário Motta para o Lageado, colégio de renome no seu tempo, situado em Campo Largo, no município de Sorocaba, sob a direção do paulista dr. Francisco de Paula Xavier de Toledo.

 

O sonho de Cesário era a medicina, carreira de seu pai. Mas, o grande problema era a falta de recursos. O pai médico tinha o encargo de uma família numerosa e mal ganhava para sustentá-la. Era impossível manter o filho na Faculdade de Medicina, no Rio de Janeiro.

 

A extremidade do homem é a oportunidade de Deus. Nuno Motta jamais escondeu sua admiração pelo sobrinho. Empregado numa importante casa comercial, escreveu para Cesário convidando-o para que fosse para ao Rio de Janeiro. Seus recursos também eram poucos, mas haveriam de viver, dizia Nuno Motta. Ele frequentava boas rodas, trajava-se de maneira condigna à sua posição. Fazia questão de passar roupas e botinas para Cesário usar.

 

Os livros conseguia na biblioteca de um mosteiro. Cesário não almoçava, pois sua casa era longe. Só depois de deixar a faculdade é que voltava à sua residência para descansar. Cesário amava os livros e a família, que por sua vez o idolatrava. A falta de dinheiro e os estudos, obrigaram-no a ficar seis anos longe de Porto Feliz, dos pais e amigos.

 

Na faculdade, de forma absolutamente natural, tomava conta de todos os espaços. Entrou para o grêmio de estudantes de Farmácia e Medicina e logo fez amizade com José do Patrocínio. Observou que ele vivia um tanto de lado, sofrendo desprezo por causa da cor negra. Cesário imediatamente fez todos verem o talento daquele negro. Pouco tempo demorou a que José do Patrocínio se consagrasse como um dos mais estimados e admirados em oratória. Cesário Motta doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

 

Já em 1880, o teatro encontrou espaço na cidade quando Cesário Motta Júnior escreveu a comédia A Caipirinha, com o enredo retratando a Capivari daquela época, levada à cena por alguns atores amadores de São Paulo.

 

O Dicionário Bibliográfico Brasileiro de Augusto Victorino Alves Sacramento Blake (1893) consigna as seguintes obras de Cesário Motta Júnior: Das Condições Patognomônicas da Angina do Peito (1876); Resposta ao Questionário do Programa do Congresso Agrícola (1878); Porto Feliz e as Monções para Cuiabá (1884); e O Norte (1885).

 

Cesário Motta Júnior casou-se no Rio de Janeiro com Adelina Moreira da Silva, senhora que facilmente conquistou a família Motta. Cesário clinicou em Capivari e tornouse deputado na Convenção de Itu, na Assembleia Constituinte, em 1891.

 

Proclamada a República passou a residir em São Paulo. Tornou-se conhecido e querido na cidade não só como médico, mas também por exercer ativamente sua cidadania, lutando pelas áreas da educação e saúde, preocupando-se com a higiene e o bem-estar da população.

 

Para ele a clínica médica constituía verdadeiro sacerdócio e dava-lhe ensejo a estudos apurados.

 

Republicano e deputado, teve presença de destaque no parlamento e na Secretaria do Interior. Ocupou cargos na área educacional. Fundou a Escola de Farmácia, a Escola Modelo da Luz, o Ginásio do Estado, o Ginásio de Campinas, a Escola Normal de Itapetininga e criou a Biblioteca Pública na capital paulista.

 

Aliás, a nomeação de Cesário Motta motivou uma carta de Prudente de Moraes a Bernardino de Campos. Dizia a carta: “É mais fácil encontrar em São Paulo quem pudesse exercer a pasta da Educação, do que encontrar quem pudesse substituir a Cesário Motta no Parlamento”.

 

No governo de Bernardino de Campos, em 1892, ocupou a pasta dos Negócios do Interior, dedicando-se à campanha em prol do ensino e da higiene.

 

Segundo Antonio de Almeida Prado, em relatório relativo às atividades administrativas do ano anterior, o secretário de Estado, Cesário Motta Júnior, aludia, em 28 de março de 1894, à criação de uma Escola de Medicina.

 

Foi um dos idealizadores e sócio-fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, em 1895; sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, também em 1895, onde foi aclamado por unanimidade seu primeiro presidente, conservando-se nesse posto até a sua morte, pois não se permitia seu afastamento do cargo.

 

Sempre preocupado com a saúde pública, regularizou o serviço de policiamento sanitário e de vacinação. Na época, a preocupação maior era com as epidemias de cólera, febre amarela e varíola. No seu livro “Memória Histórica do Instituto Butantã”, o cientista brasileiro Vital Brasil, que conheceu de perto Cesário Motta, diz: “O grande paulista Cesário Motta não teve ação direta na fundação do Butantã, mas deve ser lembrado e homenageado como precursor da ideia da instalação, em São Paulo, de um Instituto de Soroterapia”.

 

Amigos e admiradores não faltaram na vida de Cesário Motta. Mas um, a história registra com destaques. Trata-se de Caetano de Campos. Por ele, Cesário tinha todo o respeito possível. Foram colegas na medicina, confrades em ideologia política, irmãos no gênio pedagógico, amigos de confidências e até parentes por afinidades, porque a esposa de Caetano de Campos pertencia à família Motta.

 

Os familiares sempre chamavam Cesário quando tinham algum problema grave a resolver e só ele tinha o poder da solução. Reunia todos, expunha o caso e pedia opiniões. Se concordassem com elas, as aceitava. Do contrário, desconsiderava o conselho familiar e executava o que bem lhe parecia conveniente. Cesário Motta não era gênio. Era, porém, inteligente e carismático.

 

Ninguém sabia explicar corretamente a razão de tanta fascinação. Organizava-se batalhão escolar e era dado o nome de “Batalhão Cesário Motta”. Aparecia de surpresa, mas de maneira frequente na Escola Modelo e pedia licença para assistir às aulas. Observava o método de ensino, o aluno e até o professor. Tomava a palavra, arguia as crianças a pedido dos mestres e cativava a todos. Sua presença era motivo de festa. Os alunos o convidavam para a hora do recreio e, lá, era rodeado por todos.

 

Acometido de moléstia grave transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi exercer o mandato de representante de São Paulo, no Congresso Federal.

 

Cesário Motta Júnior faleceu aos 50 anos, em 24 de abril de 1897, um ano após a mudança. Estava cego de uma vista e sabia que iria perder a outra. Seu corpo foi inumado no Cemitério Municipal de São Paulo, três dias após seu falecimento.

 

Cesário Motta Júnior foi honrado post-mortem como patrono da cadeira no 10 da Academia Paulista de Letras, fundada em 27 de novembro de 1909.

 

1 Titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo sob o patrono de Benedicto

Augusto de Freitas Montenegro.

 

2 Nótula: Seu sobrenome “Motta” encontra-se grafado com dois “t” no Dicionário Bibliográfico Brasileiro de

Augusto Victorino Alves Sacramento Blake. Rio de Janeiro – Imprensa Nacional, 1893.

 

3 Nótula: 1 (uma) légua corresponde a 6600 metros.

AGOSTO NADA ENCONTRADO SOBRE A ESCOLA “CAETANO DE CAMPOS” no jornal OESP.

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