Dr. José Renato Naline, poeta humanista, utopista, tecnocrata, ou tudo isso?

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23/12/2016

Você também é responsável

A recente divulgação dos resultados das avaliações sobre o desempenho do estudante brasileiro causaram compreensível reação. Por que o aprendizado não ostenta performance compatível com o esforço de tantos profissionais, o desempenho dos educadores e o investimento do governo, em período de tamanha dificuldade financeira?

Se a cobrança por melhores resultados é legítima, pois educação é tema de extrema relevância, o momento é propício a que todos nos auto-indaguemos sobre o que se espera de cada brasileiro nesta quadra histórica.

A educação é direito de todos, diz o constituinte de 1988. Mas esse direito é dever solidário do Estado, da família e da sociedade. É o que o diz o pacto federativo no seu artigo 205. Será que cada um dos três núcleos de responsabilidade pode fazer mais para alcançar índices desejáveis?

Verdade que o Estado já aplica verba substancial para a política pública educacional. São Paulo, por exemplo, investe um terço do seu orçamento na educação. Não é pouco. Outros países, com investimento análogo, estão dentre os primeiros classificados nos páreos da avaliação. Pode, entretanto, o governo, nos três níveis, fazer mais. Principalmente em relação à otimização do custeio, para que recursos preciosos mereçam cada vez melhor aplicação, de maneira a favorecer o projeto de remuneração mais adequada ao Magistério. Prioritariamente ao Magistério, que está na trincheira a ensinar o alunado e a formar as futuras gerações, sem prejuízo a contemplar em seguida os demais profissionais de educação.

Um gestão mais esperta, a adoção de estratégias de racionalização, de simplificação e de obtenção de êxitos ainda mais tangíveis do que os atuais, é o objetivo de todos os que efetivamente se preocupam com a elevação da qualidade do ensino público.

Nada obstante, a família e a sociedade podem e devem fazer mais. A família não podem declinar do seu mister de oferecer a seus filhos o “currículo oculto” ou “currículo implícito”, que ensina a criança a respeitar o mestre e a ser responsável pelo seu único e indeclinável compromisso: estudar e aprender. A família também precisa se aproximar da escola e aprender a participar da gestão do estabelecimento, auxiliando diretora e professores, além de cobrar dos filhos devotamento e esforço, treiná-los a um saudável exercício de cidadania, que começa por um bom tratamento a todo o corpo docente e funcional e a resolver pacificamente as controvérsias.

A sociedade civil, que é a destinatária do egresso da escola, tem obrigação de auxiliar a formação dos futuros quadros. A “adoção afetiva” de uma escola pública é um projeto exitoso e promissor. Qualquer pessoa pode incentivar o projeto “Escola da Família”, oferecer-se como agente de disseminação do voluntariado, participar dessa política pública sem a qual o Brasil não chegará ao destino com que sonhamos. Tudo isso é perfeitamente viável e a sociedade civil deve assumir tal compromisso com entusiasmo e vigor, para bem cumprir sua obrigação cívica em relação à educação.

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                         (AJC- Association Juridica Cubana – ilustração proposta pelo  ieccmemorias)

A missão de educar é superior aos objetivos de uma gestão governamental. É uma proposta que está acima até dos propósitos do Estado, pois se insere num desenho de Nação. Esta instituição é mais consistente do que a própria sociedade artificialmente criada para coordenar o convívio. Baseia-se na emoção, na intenção de continuar a viver junto, de alimentar um objetivo permanente, com fundamento nas tradições comuns e no cultivo do afeto. Sem educação de base sólida, não se converterá o País naquela potência sustentável que é a aspiração de todo brasileiro patriota.

Por esse motivo, todos estão conclamados a se articular em torno a um trabalho sério, firme, audacioso e efetivo rumo à edificação de uma escola compatível com nossas pretensões de consolidar uma respeitada Nação.

O momento é agora e ninguém está dispensado de colaborar com ideias e, principalmente, com trabalho concreto. Vamos lá?

Fonte: Correio Popular – Campinas | Data: 23/12/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com

 

 

Se todos quiserem

A performance do aluno brasileiro nas recentes avaliações não tem sido das melhores. Os diagnósticos pouco variam. É preciso levar a educação a sério, é urgente obter maiores investimentos. Mas isso não explica tudo. Há países que aplicam quase o mesmo em termos de orçamento e obtêm melhores resultados. Ninguém nega que os profissionais da educação merecem remuneração condigna. Os tempos é que não ajudam a atender às legítimas reivindicações. Mas as crianças não têm culpa diante da crise. Precisam merecer a melhor educação que for possível.

Situação análoga tem sido enfrentada em outras nações. O que acontece ali? Todos, sem exceção, se compenetram de que a educação é responsabilidade coletiva. Não é apenas do Estado. É da família e da sociedade. Ninguém está excluído da obrigação de fazer alguma coisa pelo crescimento intelectual das novas gerações. Em Portugal, por exemplo, todas as pessoas, notadamente as de mais idade, colaboram com o letramento. Fazem as crianças ler, contam quantas palavras elas conseguem soletrar por minuto, conforme a faixa etária, e incentivam a acelerar o ritmo. Mães e pais, avós, tios e padrinhos, todos podem colaborar nesse sentido. O idioma é fundamental para a criança poder raciocinar logicamente, concatenar ideias, expor o seu pensamento. A fluidez é um instrumento valioso de participação. A proficiência na língua nativa e, se possível for, numa outra, proverá o educando de condições de se entender com o mundo.

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(Maternidade na medida certa – ilustração proposta pelo  ieccmemorias)

Nesta época de presente de Natal, em que se comemora o renascimento Daquele que trouxe esperança a toda a humanidade, é o momento de oferecer livros às crianças e de incentivá-las a uma leitura frequente, cada vez mais natural e prazerosa. A leitura permite apreender o mundo externo e, principalmente, o mundo interior daquele que escreveu e pôs o seu pensamento à disposição de um número infinito de leitores. Interessar-se pelo progresso na educação formal de cada criança é um pequeno gesto de patriotismo que nada custa e alavancará, em muito, o ritmo do aprendizado de nossos estudantes.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 29/12/2016

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Tem de dar certo

Ninguém terá saudades de 2016. Será mesmo? Ou, daqui a um ano, estaremos a invocar estes doze meses que acabamos de encerrar, porque 2017 será ainda pior?

Ela requer protagonismo. O indivíduo precisa amadurecer e crescer. Deixar de ser a criança mimada que depende de tudo e para tudo de um “Estado-Babá” e ser o gerente de sua própria vida. Claro que muita gente não tem discernimento e precisa de uma tutela. Mas há uma legião daqueles que podem servir, num primeiro momento, de “monitores da cidadania”. Ensinar a assumir responsabilidades. A se esforçar. A aprender a conviver.

Já deu para sentir que o Estado não dá conta de suas funções. Assumiu tantas atribuições que se viu engolido pela dura e cruel realidade: o PIB não autoriza a concessão de tantos direitos. A “República dos direitos” terá de se ajustar e de viver com aquilo que vier a produzir

 

Todos podem melhorar a situação, desde que também se proponham uma fase de sacrifício. Trabalhar mais, gastar menos. Poupar recursos naturais. Plantar árvores.

Não desperdiçar água. Economizar! Só podemos ser perdulários é no investimento em esperança. Aquela virtude que não significa permanecer inerte, mas atuar, agir, se movimentar, tendo um rumo certo. O do desenvolvimento sustentável.

Não há quem não possa fazer a diferença. Penso, por exemplo, nos adultos que têm condições de auxiliar uma criança no seu letramento, na desenvoltura que ela precisa adquirir para ler, para escrever e para se exprimir.

É assim que os povos civilizados fazem. Eles sabem que educação é missão coletiva. Ninguém está excluído de uma urgência: converter o Brasil numa nação educada.

Educação humanística, sensível, apta a tornar o convívio algo mais prazeroso e menos ressentido do que hoje. É disso que o Brasil está a necessitar neste incerto 2017. A Pátria nos chama a um verdadeiro heroísmo. Tem de dar certo. Se quisermos, dará. Bom 2017 a todos!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 01/01/2017
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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