Humberto Migiolaro, caetanista…

COLUNA MESTRA    Diário Botucatu     

Humberto Migiolaro                             hmigiolaro@lpnet.com.br

 

MUITO PRAZER, BRASIL

Nosso país é lindo, cheio de encantos mil, maravilhoso do Oiapoque ao Chuí. Temos poetas a cantá-lo tempo todo, com arte, graça, encantamento, louvando sua beleza, seus montes, valas e cascatas. País de paz, de futuro, de gloria no passado; Estabeleceu suas dimensões continentais a partir da refinada cultura portuguesa da época dos descobrimentos, saudados nos cais pelas jovens mocinhas francesas, pelas Escolas de Samba e por batalhão de mulatas. Acolheu e incorporou a cultura africana estabelecendo indissolúvel elo de saberes, conhecimentos e passividade. Seus primitivos colonizadores souberam de forma justa desenvolver a terra e a cultura indígena, convidando outros povos africanos a participar do grande projeto cultural do Portugal Alem Mar. Sólidas e confortáveis embarcações transportavam populações que buscavam a paz e o futuro em pacíficas terras, em que se plantando todas dariam. Não fora por acaso que os transatlânticos de Cabral beijaram, criando intenso arrepio, as doces costas da Bahia. “Terra a Vista”, do alto do mastro gritou o grumete. A terra era à vista, mas aceitava cartão de crédito, dividia em boletos e concedia confortável desconto no dinheiro (dólar, euro, reais, coroas ou guaranis)

Um país abençoado por Deus e bonito por natureza, saudavam os mestres-salas, visto do avião com o Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara. Cabral aportou e fez o que podia e devia. O povo irmanado jogava flores em culto ao Senhor, a Iemanjá, Buda, Ogum e aos bispos da Universal. Cortou suas matas, nasceram usinas, criaram centros urbanos planejados, onde a ordem e o progresso viviam em cumplicidade. O tardio descendente de Cabral, dando seu sangue, alma, diamantes e sacrificando dias e família, completou a obra dedicada à modesta esposa, denodada em favor dos frascos, comprimidos, shoppings e sacrificados jantares filantrópicos. Rio, Rio de Janeiro, eu gosto de você;

Terra onde a lei impera, não distingue cor, religião, posse ou posição, mesmo que incômoda. Fiéis servidores, por vezes nem tanto, sabem o peso da espada justiceira. Nos portais do Supremo, cega, a balança equitativa, ameaça à espada indiscriminada. “Dura Lex Sed Lex”, doa a quem doer diria o candidato. Cresceu a nação à sombra e água fresca da verdade, do denodo de suas lideranças e da glória de seus augustos defensores. Povo ordeiro se abriga no conforto de seus lares sacrificando a liberdade das ruas e vielas em razão da prole cujas mãos estendidas do Estado cuida de justo porvir. Injustiças? Quem não as conhece?. Vez ou outra, autoridade ou simples mortal ousa o desacato de sua Magna Carta, compêndio do saber, da proteção das pessoas, fiel inspiradora de todas as ações em seu território. De imediato clamam os senhores da pátria contra o infiel usurpador das verdades pétreas contidas nas páginas sagradas da Constituição Cidadã. Cada cátedra do Supremo, um trono ao saber, ao conhecimento, à austeridade, à probidade, à independência e à autonomia. Fiéis guardiões das verdades supremas, em raros e eventuais discordes emitem o brado retumbante da Justiça e da Lei igual para todos, mesmo em tempo de chuva.

O peso da punição apavora os infiéis que ousam o desacato, a burla do alheio, a ofensa aos supremos bens da família de Deus e da Liberdade. A sociedade como um todo isola seus usurpadores, eventuais criminosos que do ostracismo de suas modernas masmorras sorvem dos preparados o conhecimento e recuperação de costumes. Criminosos, raros, mas existem. Excluídos do convívio da populaça civilizada penitenciam nos límpidos cárceres as ações que os desviaram do Bem e da Verdade. Banidos e ignorados purgam seus deslizes no desprezo da sociedade. Lideranças infiéis, genuflexas juram fidelidade eterna às leis. Encaram seus desvios como fraquezas eventuais e fazem votos de resignação e respeito à sociedade. Devolvem ao tesouro os despojos das lutas inglórias e nas sombras da nação pagam resignadamente pelos erros cometidos por fraquezas de momento.

A harmonia é o tom da brasilidade: Harmonia dos Poderes, das famílias, das facções que democraticamente buscam estabelecer a nobreza de suas verdades. Ideais relações de trabalho, dispensam quase que permanentemente a intervenção de cortes ou árbitros em raras desavenças. O trabalho enobrece o homem, e este abençoa o pão, o conforto, a proteção aos familiares, a Sabedoria distribuída gentilmente em suas instituições de ensino, as vias de transporte, os céus azuis e nuvens escuras que lavam os solos. Contendas ínfimas, o atacado resolvido, cuidam-se das superficialidades de dependências de subalternos às comunicações extemporâneas e fora do expediente do pródigo leque de trabalho.

Bem vindos turistas e alienígenas. Venham sorver de mancheias o Saber, Urbanidade e a Felicidade de um povo tropical. (Em fevereiro, fevereiro, tem carnaval). Qual Disney em tempo real rola emoção de salvas de balas perdidas, por vezes encontradas. Venham aprender como minorias suplantam maiorias, como ilusões garantem realidades, como versões substituem fatos. Irmanem-se conosco nessa intensa busca do prazer, da verdade e da felicidade total. Esqueçam tudo o que aprenderam, assentem-se em nossos modestos bancos escolares e se deslumbrem nos vídeos de encomenda, da dignidade de uma nação onde se canta a mulher brasileira em primeiro lugar. Marias e Clarices, choram na pátria mãe gentil a perda de seus filhos caídos nos mutirões da luta dos morros, comunidades, presídios e facções. O futuro a Deus pertence, não somos donos de nada, mas, louvamos a Ele a pródiga natureza que nos envolve e, a sórdida, ingrata e pífia nação que nos devolve.

MUITO PRAZER, BRASIL

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