463 anos “das cidades” de São Paulo

 

Ontem , 21 de janeiro de 2017, a Folha de São Paulo  dedicou uma página do seu jornal ao aniversário de São Paulo.

Muitas fotos ilustram aquela publicação e, graças ao empenho do nosso colega suiço-brasileiro,  José Manzano, pude compartilhar com ele as imagens citadas.

A grande surpresa foi encontrar  uma foto de Dolores Olivetti e Margarida Maria Rheim de Carvalho à saída do Instituto de Educação “Caetano de Campos”; apesar do autor legendar a mesma datando-a “março de 1965”, acredito que ela  tenha sido feita em maio, junho ou agosto, pois as  pessoas representadas aparecem levemente agasalhadas.

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Felizmente pude reencontrar ambas colegas em fins de 2010 no Bardo Batata, boteco que, infelizmente, não existe mais.

463 anos “das cidades” de São Paulo que não existem mais.

(wilma schiesari-legris)

Para gente como eu, que mora fora do Brasil, a impressão quando para aí se volta é que nada daquilo que presenciamos nas nossas curtas ou longas vidas exista.

São Paulo é assim: a cada momento vai se transformando em outra cidade como se a arquitetura fôsse sempre efêmera e a geografia local, uma ilusão.

O prédio da nossa escola ali se encontra, travestido em secretaria do Governo; por um triz deixou de ser tombado e  ter dado lugar a um enorme edifício “modernoso” com a estação do metrô no seu subsolo!

São Paulo começou  onde foi erguido o Pátio do Colégio há 463 anos; era uma vila acanhada cujos fundadores  tinham por objetivo converter os nativos ao cristianismo e  abrir caminho para o interior do Estado, graças à sua posição geográfica privilegiada, próxima dos rios Tamanduateí e Tietê. O que é  das (cadê?) voltas daqueles rios, das casas de taipa que se ergueram por ali e já não existem mais?

 De utilidade aos bandeirantes, concorrendo com os tropeiros e  vendedores ambulantes e seus muares,  aqueles dois rios  serviram de importantes vias de transporte, de penetração e de fixação de populações diversas.

Quando reinou o café, o dinheiro acumulado por aquela riqueza  proporcionou a criação das ferrovias que transportavam o precioso grão; o Tietê, abandonado como caminho, permitiu que evoluissem as zonas em torno das estações de trem no Estado e principalmente na Capital: Luz, Campos Elíseos, Glicério, mas desde que o Viaduto do Chá foi lançado para o lado de cá do Velho Centro, o Novo Centro se colocou em pé, iniciando a decadência  paulatina da Sé, dos Campos Elíseos e das suas ruas centrais mais habitadas.

Os paulistanos daquela época optaram por uma arquitetura européia que se traduziu por construções de engenharia civil em ferro aparente e palácios neo-clássicos à francesa como o do Teatro Municipal, dos casarões da Paulista e de Higienópolis  e o da Escola da Praça.

O Centro Novo, rodeado de chácaras nobres (Veridiana, Arouche, Eduardo Prado, Palmeiras, Bambus e outras) desenvolveu-se loteandoando-se os terrenos que a especulação trazia atrelada à industrialização inicial.

Com a vinda de imigrantes que aumentaram a população da cidade com um efetivo de 50% de estrangeiros, as várzeas se inundaram de gente, de casas, de água e de problemas, tendo os sucessivos prefeitos reinterpretado os cursos fluviais ao gosto dos promotores imobiliários.

Aquilo que não tinha sido destruído foi, pouco a pouco, arrasado e reconstruído, de preferência sem bom gosto e de qualidade duvidável.

O que precisava ser erguido para suprir as necessidades imediatas de alojamento, tornaram-se modestos bairros mistos e os bairros ontem fabris, são hoje “febris”, cheios de prédios residenciais.

Arquitetos geniais criaram edifícios ora de inspiração novaiorquina, ora caracterizados pelas correntes dos discípulos de Le Corbusier, cada qual colocando no espaço a sua ideia arquitetural sem nenhuma ligação com o que havia em volta: o capital se impondo face a razão social…

Estamos aniversariando 463 anos de muitas São Paulo, a cidade inicial  que ainda não se estabilizou por estar em mutação contínua, das chácaras loteadas para fins urbanizadores sem planejamento algum às ruas  que viraram avenidas; das avenidas que se transformaram em eixos de penetração a outros bairros, de rios que foram canalizados e que se traduzem em tragédias nos períodos de grandes chuvas, transformados em canais poluídos, verdadeiros esgotos a céu aberto; monumentos demolidos, memória arquitetônica e hisitórica estraçalhadas.

Muita gente para ser instalada na área intra-muros retringida da cidade, vivendo num espaço caótico de uma eterna falta de planejamento urbano, sempre se abrindo para novos residentes, no lugar de preservar o patrimônio existente e desenvolver sítios aprazíveis fora, acentando ali a nova população com logradouros belos e atraentes(chega de loteamentos do BNH e de projetos ruins) para aliviar São Paulo de tantas pessoas amontoadas verticalmente, girando em torno da atividade econômica e onde o visual se concretiza em serviços públicos medíocres, bairros feios, violência crescente, segurança zero!

Parabéns a você Pauliceia desvairada!

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