1884 (a)-1° Trimestre – Paulo Bourroul pede exoneração da Escola Normal.

Queridos leitores;

no período do Império, muitos despachos foram recebidos na administração provincial de São Paulo, provindos de candidatos à entrada na Escola Normal e até ao título de “normalista”, tentando passar por outras vias que o redutável exame…

Problemas de corrupção travestidos em problemas administrativos, faziam o “jogo das cadeiras” e tanto professores  quanto diretores, tiveram passagem rápida pela Escola até a Proclamação da República.

Um dos preceitos republicanos foi dar oportunidade de chances a todas as crianças, com educação pública de qualidade; mas não podemos ignorar que a democracia republicana brasileira, e sobretudo paulista, não incluiu no lote os escravos recém libertos em 1888. 

Se as filhas de Theodoro Sampaio frequentaram a Escola, raríssimos foram os afrodescendentes que ali estiveram; raríssimos foram os alunos pobres, brancos ou não;  mesmo que um professor de cor tenha trabalhado ali nos primeiros anos do seu funcionamento, foi o único durante décadas e  estava na qualidade de escravo alforreado, abolicionista e com diploma da Côrte.

Foram os quatrocentões que estudaram naquela escola criada  sob medida (desculpem-me por  repetir o termo) PARA ELES na época da Proclamação da República; mesmo assim, a filosofia que coroou a nova Escola da Praça, magnífica aos olhos republicanos, foi de grande importância pois exigiu que a Escola fosse um exemplo no quesito instituição pública, levando instrução e cultura ao alunado, até que entre eles os ricaços se mudassem para as escolas particulares criadas por normalistas da sua categoria.

Leiam o blog  e felicitem-se por terem entrado na Escola sabendo que os exames vestibulares que passamos para irmos ao ginasial e ao normal, normalmente eram justos; digo isso porque nos anos de direção do dr. Cimino, alguns professores foram exonerados através da intervenção do Ministério da Educação, então sediado no Rio que, constatando irregularidades nas admissões de alunos  apadrinhados mandou uma  comissão  a São Paulo para limpar a Escola. A mesma comissão também encontrou irregularidades na atribuição da cantina a um dos professores, que em parceria com o diretor ganhou muito dinheiro evitando licitações!

Naquele momento Adhemar de Barros criou um cargo sob medida para Cimino na Secretaria da Educação e alterou o nome da Escola para “Instituto de Educação Caetano de Campos” , necessitando a mesma um diretor pluridisciplinar, habilitação que não conferia com o perfil do então diretor da Escola; com essa esperteza administrativa, Cimino saiu dali de cabeça erguida para quem não soubesse dos descaminhos que ele criou.

Finalmente, nós, dos anos 40/50/60  estudamos numa relativa boa escola onde os professores concursados vinham do USP e da PUC e apesar do sistema “decoreba” tivemos pais que se interessaram pela gente, livros, informações culturais,  filhos e netos de imigrantes em busca de boa escolaridade e, sobretudo filhos dos refugiados europeus, que além de sua grande cultura e fome de existir, matricularam na Escola da Praça os grandes profissionais de hoje! Basta olhar para a folha de chamada dos alunos dos anos 50/60 para encontrar sobrenomes de todas as nacionalidades.

Pouco a pouco, o Acervo do jornal O Estado de São Paulo vai me informando de tudo que ignorava e eu vou levando a vocês as informações que sempre nos foram subtraídas.

Como aumentei as palavras-chave para a busca de informações, tive de fazer uma marcha à ré e por isso abandonei temporariamente a cronologia dos acontecimentos ligados à Escola, que estava entrada nos anos 50.

Assim que terminar a pesquisa nos anos de preparação e inauguração da Escola na Praça, voltarei aos anos subsequentes, completando com novas compilações de artigos do jornal  o material já publicado.

Abraços motivados,

wilma.

22/03/2017.

 

1884

03/01/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

Leopoldo José de Sant’Anna, pede que seja admitido a prestar exame vago das matérias do 1° ano da Escola Normal.

 

04/01/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

Ernesto Rodrigues Goulart Penteado pede que a secretaria da Escola Normal lhe devolva os documentos.

09/01/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

Brasilio Ramos de Toledo e Silva pede que seja admitido a prestar exame vago das matérias do 2° ano da Escola Normal.

15/01/18884 (APSP)

Volta à Indaiatuba, formado pela Escola Normal, o sr. Rodolpho Moreira Fernandes, que escreveu ao jornal.

E

Escola Normal

Foi concedida ao dr. Paulo Bourroul a exoneração que pediu dos empregos de professor da  5a cadeira e de diretor da Escola Normal.

E

O sr. João Baptista de Freitas escreveu e apresentou à Escola Normal uma dissertação pedagógica sobre A Educação Física.

22/01/1884 (APSP)

Carta de normalista –(ler “diploma” ; nota minha)

Foi designado o dia 24 do corrente, para , no edifício da Escola Normal, à 1 hora da tarde, serem entregues as cartas aos normalistas que concluíram o curso.

23/01/1884 (APSP)

Despachos na Assembleia provincial de:

De Manoel Joaquim de Almeida, professor da cidade de Limeira, pedindo licença para matricular-se no 1° ano da Escola Normal.

e

De João Baptista de Freitas, pedindo ser admitido a prestar exame vago das matérias do 1° ano da Escola Normal.

24/01/1884 (APSP)

 Assembleia provincial:

1a discussão do projeto n. 151 mandando matricular na Escola Normal, com dispensa de idade, Abilio Baptista Martins.

25/01/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

Dona Augusta Paula Petit pede ser admitida a prestar exame vago das matérias do 1° ano da Escola Normal.

1°/02/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

De João Baptosta de Freitas ; despacho deferido, satisfazendo o suplicante a exigência do diretor da Escola Normal.

E

3a discussão do projeto n. 151, de 1883, e emenda, concedendo suplemento de idade para matrícula na Escola Normal.

 

02/02/1884 (APSP)

Anúncio sobre o curso professor João Kopke e Silva Jardim, coadjuvados pelos doutores Antonio Caetano de Campos e Rangel Pestana, Narciso de Figueiras e A. Gomes.

Rua Conceição, 44

 

07/02/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

De Anna Maria de Camargo, pedindo dispensa de idade para matricular-se na Escola Normal.

14/02/1884 (APSP)

Despacho na Assembleia provincial de:

De Isabel Luiza Esteves Victor pedindo para matricular-se na Escola Normal.

16/02/1884 (APSP)

Escola Normal

Exame de entrada ao 1° ano da Escola de ontem .

Amanhã farão os exames orais os seguintes candidatos :

Dona Anna Carolina de Almeida

Dona  Anna Eugenia  Nogueira

Dona Antonietta da Cunha Ramalho

Dona Ambrosina de Toledo

Dona Antonia Fernandes de Oliveira

Dona Anna Maria de Camargo

e os senhores

Alfredo Fernandes Cantinho

Antonio F. da Silva Carneiro

Antonio Mendes da Silva

Antonio Alves dos Santos.

Serão chamados os da turma seguinte, e constantes do edital afixado na porta da escola, tantos quantos forem precisos para preencher o número dos que faltarem.

E

Expediente da província

Despachos na Assembleia provincial de:

De Augusta Benvinda dos Santos – Não constando que a suplicante seja professora pública em exercício nos termos do Art. 64 do reg. De 30 de junho de 1880 requeira ao diretor da Escola Normal .

e

De Claudio José Carneiro, pedindo para matricular-se na Escola Normal.

e

De Carlos Ernesto da Rocha, pedindo para ser matriculado na Escola Normal com dispensa das matérias que foi examinado na Faculdade de Direito.

 

19/02/1884

São Paulo , através da Cia Telégrafos Urbanos, possui 77 assinantes.

O dr. Antonio Caetano de Campos encontra-se na lista de espera para as instalações futuras, junto a quase 60 outras pessoas e entidades.

 

20/02/1884 (APSP)

Despachos na Assembleia provincial de:

De Beranisa Augusta do Espirito Santo, pedindo licença para matricula-se na Escola Normal.

02/03/1884 (APSP)

Aviso

Lyceu de Artes e Officios

As aulas deste liceu abrem-se na segunda-feira próxima, 3 de março, funcionando as de desenho linear e de figura, e o curso primário.

São, pois, convidadosos professores srs. Lagôa Rosa, G. Franzen e Muniz Varella a comparecerem às 7 horas da noite no edifício da Escola Normal onde funciona o referido liceu.

São Paulo, 29 de fevereiro de 1884.

Affonso de Souza Vasconcellos,

Secretário adjunto.

 

06/03/1884 (APSP)

Programa de Ensino (resumo)

O sr.dr. Silva Jardim, professor da 1a cadeira da Escola Normal, organizou e publicou o programa do curso de gramática e língua  nacional para os alunos do 1° ano da mesma Escola, no ano de 1884.(programa aprovado pela congregação de professores)

A matéria que constitui o curso do 1° ano se encontra distribuída em 74 lições nos nove meses do ensino letivo, com incentivo à leitura nos tres primeiros meses. (programa detalhado e publicado, aula por aula)

O sr. Silva Jardim vai também publicar o programa do 2° e do 3° ano.

 

25/03/1884 (APSP)

Escola Normal

Hoje, às 11 horas, sob a presidência do sr. Virgilio  Reis, toma posse, no edifício da Escola Normal, a diretoria da Caixa Emancipadora dos Estudantes Normalistas.

Foi convidado o corpo docente da Escola e, comparece à festa, a música do Instituto de dona Anna Rosa.

Falou o orador da sociedade, sr. Carlos Escobar.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em A história da Escola Caetano de Campos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s