1884 -(c) 3° Trimestre. “O atual ‘sistema’ de ensino é péssimo, escreveu Rangel Pestana.

05/07/1884

Notificação de outro atestado de óbito  é assinado pelo dr. Antonio Caetano de Campos.

09/07/1884

Chegada à capital do engenheiro dr. Cypriano José de Carvalho que veio inscrever-se para o concurso das cadeiras de Física e Química da Escola Normal.

 

25/07/1884 (APSP)

Despacho na assembleia provincial:

De Antonio Victor de Macedo, pedindo por certidão a representação dirigida pela congregação da Escola Normal, contra o suplicante, em 1° de julho deste ano.

26/07/1884 (APSP)

Despacho na assembleia provincial:

Do dr. Aristides Franco Meirelles, pedindo dispensa das matérias de Física e Química no seu concurso de ingresso à Escola Normal.

31/07/1884(APSP)

Escola Normal

No concurso para a cadeira de química e física desta escola foi julgado habilitado o sr. Dr. Cypriano José de Carvalho, por unanimidade de votos.

Um candidato foi julgado inabilitado e um não comparecendo motivando o seu ato na disposição do art. 35 do regulamento da escola.

Formaram a comissão: dr. Benevides, diretor da escola, presidente do ato; dr. Caetano de Campos , dr. Godofredo Furtado, dr. Olavo Ferreira e João Neave, examinadores.

05/08/1884 (APSP)

Em Santos : conferência do dr. Silva Jardim, lente da Escola Normal,  sobre o Método João de Deus, no Salão sa Sociedade Auxiliadora da Instrução.

12/08/1884 (APSP)

O professor de filosofia , sr. Argemyro Galvão, iniciu seus cursos na Faculdade de Direito onde o auditório estava repleta, inclusive com alunos da Escola Normal.

29/08/1884 (APSP)

ESCOLA NORMAL (IMPORTANTE)

O Conselho Diretor da Instrução Pública, em sessão de ontem, indicou à Presidência da Província as pessoas cujos nomes damos em seguida para o preenchimento dos lugares vagos nesta Escola:

  • Para diretor o sr. Conselheiro Joaquim Inacio Ramalho;
  • Para reger a cadeira de economia e prendas domésticas a professora Maria Angelica de Salles Pinto;
  • Para reger a cadeira de biologia dr Antonio Cartano de Campos;
  • Para uma das cadeiras de matemáticas o dr. Garcia Redondo;
  • Para a cadeira de desenho e caligrafia o sr. Almeida Junior

 

Setembro

ESTUPENDO!

22 e 23/09/1884 (APSP)

“A Instrução Pública na Província

Sem ofensa ao honrado cavalheiro que ocupa a cadeira da presidência da província, podemos formular esta interrogação: viria s.exc. administrar a província ou desempenhar uma comissão meramente política e de ocasião?

Na primeira hipótese podemos chamar a atenção de s. exc. para serviços importantes que aí estão pedindo a intervenção de um homem inteligente e ativo ; na segunda, não vale a pena levantar questões que ficarão abandonadas ou quando muito tratadas às carreiras , sem a devida importância.

A instrução pública é uma dessas questões.

Ninguém ignora que esse ramo do serviço público, na província, se acha em condições injustificáveis em face do progresso industrial ; não corresponde de modo algum à fama que acompanha o nome paulista.

Se o ilmo. Sr. Dr. Almeida Couto procurar conhecer a instrução pública, há de chegar a um resultado triste e vergonhoso para o nosso presumido adiantamento.

O atual ‘Sistema’ de ensino é péssimo; os processos absurdos, o plano geral defeituosíssimo.

Tudo isso torna-se pior com a interferência da política, ia da politicagem.com os exames e nomeações feitos sob a influência da politicagem.

O sr. Almeida Couto não deve ignorar quanto esta influência é estragadora dos caracteres,  e comprometidora do aperfeiçoamento do ensino.

Pois bem; aplique s. exc. a sua atenção à instrução pública e verifique o número de cadeiras que existem erradas, quantas se acham as vagas, a capacidade do pessoal docente, tomada uma média favorável, e reflita sobre as condições do ensino.

Os representantes da província conhecem tudo isso; mas uns são incapazes de compreender qualquer reforma para melhor e outros não querem bolir na máquina eleitoral ; fogem de alteração no sistema, porque podem perder alguns votos.

Toda a ciência dos legisladores no tocante à instrução se revela pela criação de cadeiras a esmo, sem dados que afirmem a necessidade.

Propor e votar novas cadeiras de instrução primária é o mesmo que mandar ao maioral de aldeia um cartão de visita nas proximidades da eleição.

Se o sr. Dr. Almeida Couto nos permite uma liberdade – aconselhamos que leia os anais de 1882 a 1884 e veja com os seus próprios olhos o que está arquivado em relação à instrução pública da província.

Os legisladores contentam-se com a fama das nossas estradas de ferro, do nosso café e dos bons cavalos de corrida.

O lado moral do progresso  é coisa de plano inferior e pode mesmo manifestar-se por uma repercussão, por iniciativa estranha.

Quem chega aqui fica admirado de que a província não tenha liceu e que os colégios particulares arrastem uma vida cheia de dificuldades.

Para mostrar aos visitantes, só temos o colégio de Itu e o famoso Curso Anexo, esses dois monumentos do nosso atraso.

A Escola Normal, apesar do seu caráter oficial, progride rodeada de má vontade de muita gente que jura pelos seus deuses extingui-la no dia em que for ao poder.

O Liceu de Artes e Ofícios, instituição popular, não encontra apoio nas classes ricas apesar de ser extraordinária a frequência das classes pobres.

Não pode desenvolver-se porque falta-lhe o apoio eficaz da população, que não se interessa pelo ensino ali dado aos artistas pobres e a todos aqueles que desejam ler, escrever e contar e adquirir mais alguns conhecimentos úteis.

A Assembleia negou-lhe a subvenção de 6 :000$000, quando outras, nas respectivas províncias, votam 20 e mais contos de réis para os seus liceus de artes e ofícios.

Estude o sr. Almeida Couto as causas deste estado de coisas e verá que nos falta o verdadeiro amor à instrução.

Em regra geral, dispensamo-las e por isso julgamos um luxo a instrução do pobre e um sacrifício pesado o auxílio às instituições de ensino popular.

Eis aí porque a reforma da instrução pública não se faz.

Entretanto, é força confessar, ainda mesmo corando, – ela é uma vergonha para a afamada província de São Paulo.”

 

                     Rangel Pestana

 

238- JOSÉ LUIZ ALMEIDA COUTO (ALMEIDA COUTO-imagem)

                

http://www.google.com.br/images?um=1&hl=pt-br&biw=1362&bih=595&rlz=1W1ACAW_pt-BRBR322&tbs=isch%3A1&sa=1&q=ALMEIDA+COUTO&btnG=Pesquisar&aq=f&aqi=&aql=&oq=

Nasceu em Salvador, na freguesia de Pirajá, em 28 de outubro de 1833.

Concluídos os estudos preparatórios, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual se doutorou em 1857.

Ainda estudante, quando cursava o segundo ano médico, foi um dos fundadores da Sociedade Abolicionista Dois de Julho e, mais tarde, presidente da Sociedade Patriótica Sete de Setembro.

Terminado o tirocínio acadêmico, exerceu a clínica e, logo em seguida, abraçou a carreira política sendo eleito por quatro vezes deputado à Assembléia Provincial e à Assembléia Geral (1879 a 1881).

Foi Opositor, por concurso, da Seção de Ciências Médicas (1873). Depois, também por concurso (1883), Lente de Clínica Médica.

De sua alentada bibliografia destacamos, além de três teses, vários artigos, discursos e relatórios, bem como suas “Lições de Clínica Médica e Terapêutica”, publicadas em 1888.

Pertenceu ao Conselho do Imperador D.Pedro II, foi Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, de Roma, e recebeu numerosos títulos e honrarias

Fez parte do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e de várias outras instituições culturais e científicas.

Em 1884, foi Presidente da Província de São Paulo e, posteriormente, da Bahia (por duas vezes).

Proclamada a República, foi eleito Senador Estadual e Intendente de Salvador (1893 a 1895).

“Abolicionista indefesso, clínico de grande reputação, professor de méritos excepcionais, político de projeção nacional, foi bem o Conselheiro Almeida Couto uma das figuras marcantes do País, na sua época” (3).

“Médico e político, Almeida Couto foi uma das figuras mais brilhantes do seu tempo. Espírito superior, coração voltado para o bem, Almeida Couto foi, também sincero abolicionista” (2).

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Freire de Carvalho, José Eduardo – Notícia Histórica sobre a Faculdade de Medicina da Bahia. Salvador, 1909.
  2. Loureiro de Souza, Antonio – Baianos Ilustres (1564-1925). Salvador, 1973.
  3. Sá Oliveira, Eduardo de – Memória Histórica da Faculdade de Medicina da Bahia, concernente ao ano de 1942. Salvador, 1992.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s