Antonio Aurélio do Amaral, muito fôfo!

Campari com limão no copo e a foto do AAA aqui na minha frente ; era para tê-la publicado na semana passada com o texto que meu coleguinha havia escrito se lembrando que “antes de filosofar era necessário viver”, máxima aprendida no banheiro de seu apartamento da avenida São João, com um pai jornalista, mais prático que filósofo.

Ele cresceu e virou engenheiro ; eu não ! Nem cresci , nem me « engenheirei ».

Com essa imagem, desloco-me no tempo, viajando para trás, na época dos meus onze/doze anos, que eram igualmente os seus, quanto frequentávamos o 4° ano primário do Instituto de Educação Caetano de Campos.

Dona Deolinda Loureiro comandava a troupe e às vezes era substituída por outra professora, com a pele bronzeada por natureza, a única no gênero que conheci naquela Escola; a velhice me impede de me lembrar o seu nome, Dulce? – Diva? –  que deveria ser tão doce quanto ela… e de constatar que estudei num estabelecimento estruturado  para brancos.

Ela nos pedia que fizéssemos operações de memória e, quando eu era chamada  para tal exercício, era-me a atrefa muito fácil sabendo que  não seria eu quem daria o resultado !

Os futuros engenheiros, Leopoldo Rizzo, Hélio Battini, Russo, Fernando Quaglia,  Antonio Aurélio , davam as respostas certas ; eu me contentava de construir e enunciar  o problema…

Na classe, duas meninas preenchiam os sonhos do AAA : a Verinha e eu, aquela menina magricela de dentes tortos. De nada desconfiávamos daqueles sentimentos comprometedores; éramos as menorzinhas da classe, aquelas que encabeçavam a fila e tinham carteiras próximas à mesa da mestra.

Numa manhã, antes que dona Ester viesse badalar ao alto da escada do páteo para que fizéssemos as filas de entrada em classe, muitos de nós se aplicavam em brinquedos de correr para gastar as primeiras energias oferecidas pelo café-da-manhã.

Na sua correria, um menino me deu um beijinho inocente e, hoje me pergunto se foi o Hélio ou o Antonio Aurélio?

O tempo passou para todos, mas os contatos não morreram com ele ; vejo Verinha cada vez que ela vem até a França ou, de vez em quando indo eu ao Brasil.

AAA escreve-me alguns e-mails; somente conversei com ele numa ocasião, quando mostrava o “boneco” do meu primeiro livro ao irmão dele, o Fernando Amaral, à Roseli e ao Chedi. Entre uma cerveja e outra num boteco em frente do hospital Oswaldo Cruz, o Fernando nos colocou em contato por telefone pelo fato de ter reconhecido o mano numa das fotos que ilustrava o projeto; isso foi em 2009 !

No ano seguinte meu livro foi lançado mas não havia nenhum Amaral no momento da assinatura, no saudoso Bardo Batata; foi pena, porque, graças a um belo artigo publicado no Estadão daquele dia, muitos caetanistas compareceram à festa e deu-se um encontro, raro na época, entre colegas e professores do IECC.

Agora responda, Antonio Aurélio : o beijoqueiro foi você ou o Hélio Battini ?

(Verinha a 1a sentadinha à esquerda da imagem; eu, na outra extremidade; o Hélio, sentadinho no chã;o 3° menino ao lado do futuro dr. Tancredi e o Antonio Aurélio, o 9°, bem perttinho de mim!)

 

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