O Seminário da Glória, que permitiu a algumas alunas um lugar na Escola Normal da Capital.

Na Revista HISTEDBR On-line Artigo, podemos encontrar o trabalho coordenado pelo professor  Manoel Isaú sobre as  Instituições escolares que figuravam em São Paulo durante o século XIX, incluindo o Seminário da Glória, que chegou a levar algumas de suas educandas a se matricularem na Escola Normal da Capital.

Para os leitores que acompanham as compilações dos artigos sobre a Escola Normal, baseados no Acervo do jornal A Província de São Paulo, cujo nome passou a O Estado de São Paulo a partir de 1890, consta-se que as meninas e moças viviam em ambiente precário, insalubre e desadaptado às aulas.

Também consta que poucas delas tinham nível de aproveitamento elevado, capaz de inclui-las entre os concorrentes às matrículas na EN.

O fato da instituição pertencer à Ordem de São José, cujo Seminário forneceu seu vice-diretor, o cônego Manoel Vicente à direção da Escola Normal às vésperas da Proclamação da República, homem incompetente, desonesto e dissimulado, nos envia ao famoso “jeitinho brasileiro” onde o governo se imiscui em instituições que lhes sejam coniventes para que se mantenham os interesses materiais de umas e a manutenção no poder de outros. Assim pude ler que muitos gastos em reformas do prédio foram pagas pela Província, subtraindo do herário-régio os contos de réis que iam ao setor privado deixando de fluir às instituições pública…

Segue abaixo uma parte do trabalho organizado pelo professor Manoel Isaú, que complementa algumas notas, resumos e editais publicados nos jornais de referência e reproduzidos no blog ieccmemorias.wordpress.com sob a rubrica “A história da Escola Caetano de Campos”, que cobre os fatos, manifestações e evolução ocorridos na Escola Normal  de 1875 até 1904 e que estavam incompletos até então.

Boa leitura,

wilma

06/05/2017.

VIII congresso paulista de história da medicina [oficial]

Rua da Glória – Século XVII e XVIIISanta Casa de São Paulo …
 
 
 

(Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.22, p. 71 –92, jun. 2006 – ISSN: 1676-2584 pelo Tesouro Nacional.)

P. Manoel Isaú (org.)

Instituições escolares (trechos)

Seminário das Educandas, depois, Seminário da Glória.

 

Fundado na Capital paulista, em 1825, por Lucas Antônio Monteiro de Barros, Visconde de Congonhas (imagem), sustentado pela Província, sempre lutou com dificuldades, mal administrado, com recursos insuficientes e mal instalado. As meninas, quando moças, deveriam retirar-se para dar lugar a outras. Muitas delas eram órfãs desvalidas. Elas retiravam-se com algum preparo, sem poder dedicar-se a outros trabalhos senão aos domésticos. Reconhecia-se a necessidade de reformar a organização do Seminário no sentido de terem as moças retirantes meio de ganhar a vida, de modo honesto e independente. No magistério público ou particular, elas poderiam encontrar profissão decente, mas para isso era preciso dar-se-lhe a necessária educação.

Geneall

. De fato, os cursos ministrados incluíam leitura, caligrafia, quatro operações aritméticas, português, e princípios de moral e religião católica, arte, culinária, bordado, engomado, música e dança. Às vezes era necessário o fornecimento até de roupas, como o fez o presidente Cândido Borges Monteiro (imagem), que, para isso, deu 1:620$200 réis.

                               wikipédia

Em 1847, passaram elas a ter o curso de normalistas com exercício no magistério. O número legal era de 100 educandas. Achavam-se recolhidas e mal acomodadas 52; existindo uma de 28 anos; uma de 22 anos e outra de 21, sendo as demais de 19 até 6 anos.

A mulher devia ser educada, segundo o relatório, sabendo defender a sua honra e o decoro de seu sexo, quer constituindo família, quer governando sua pessoa, e disso estavam convencidas as respeitáveis irmãs de S. José, que dirigiam o estabelecimento e eram professoras idôneas e preparadas.

Entre 1869 e 1870, o presidente Antonio Cândido da Rocha pedia a criação de uma enfermaria convenientemente montada, porquanto não podia continuar o sistema de ficarem as doentes, no próprio dormitório comum, por ofensivo ao pudor das enfermas e incômodo às companheiras de quarto.

Por lei provincial de 10 de abril de 1870, o Seminário das Educandas ou da Glória, foi confiado às Irmãs de São José, sob a direção da Madre Superiora Anna Felicité Del Carreto, e seu progresso em ordem e asseio foi imediato.

Eram 61 educandas gratuitas e 13 pensionistas, pagando estas 20$000 réis por mês.

Eram, em 1874, 100 alunas, da quais 33 atacadas de varíola, tendo falecido três. O prédio recebeu iluminação a gás. O presidente pensava que, apesar do grande melhoramento, na direção e educação, alcançada pelas irmãs de S.José, o Seminário devia ser extinto, não se lhe preenchendo as vagas que ocorressem. Fundamentava o seu pensamento na falta de uma educação profissional adequada, e no fato de saírem as educandas sem habilitações necessárias para ter na sociedade posição condigna e garantida. O Seminário, durante a administração do presidente, não dera saída a qualquer educanda, pelo casamento, magistério, ou qualquer ocupação lícita industrial, que contribuísse para provar a sua utilidade.

O presidente julgava que, extinto o Seminário das Educandas, a província poderia desenvolver o novo Instituto de Artífices, cujos alunos encontrariam nas industrias aprendidas, meios seguros de futura existência.

Em 1874, cinco educandas achavam-se habilitadas para o magistério e duas casaram-se. O presidente Presidente Theodoro Xavier de Matos (1:100$000), com o intuito de melhorar o futuro das educandas, contratou um professor de piano e canto, assinalando o fato de ser notável para elas a música

O presidente julgava que, extinto o Seminário das Educandas, a província poderia desenvolver o novo Instituto das Artífices, cujos alunos encontrariam nas industrias aprendidas, meios seguros de futura existência.

No ano seguinte, foi autorizada a matrícula na Escola Normal das educandas que estivessem em condições legais.

São Paulo Passado – WordPress.com (rua da Gloria)
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