1890 – d) Decreto para a construção do prédio da Escola Normal de São Paulo e lançamento da pedra fundamental.-

Outubro

14/10/1890 (OESP)

Por decreto do governador  do Estado, de 13 do corrente, n. 91, foi mandado empregar na construção de um edifício destinado à Escola Normal  o produto da loteria destinada à construção de uma igreja catedral.

15/10/1890 (OESP)

Decreto do Governador de São Paulo sobre a construção da nova Escola Normal com o produto  da loteria anteriormente destinado à nova catedral.

Lei n.  54 de 21 de março de 1888  conferindo  dois mil contos de réis (2.000:000$000) .

“Considerando que o benefício das loterias representa o produto de um verdadeiro imposto indireto (…) para a fundação de igrejas,  …  (agora separadas do Estado) – nota minha;

Considerando que a necessidade que a Lei n. 51 de 1888 teve em vista satisfazer, dotando a capital de uma nova catedral (…);

Considerando que a instrução pública bem dirigida eficaz  é elemento de progresso, e que de todos os fatores da instrução popular o mais poderoso e indispensável é a educação primária, largamente difundida e convenientemente ministrada;

Considerando que , sem professores bem preparados , praticantes instruidos nos modernos processos pedagógicos, e com um cabedal científico  às necessidades da vida atual, o ensino não pode ser eficaz e regenerador;

Considerando-se que a Escola Normak do Estado é o estabelecimento profissional destinado a dar aos candidatos à carreira do magistério primário

A edificação intelectual, moral e prática,(…);

Considerando que a escola Normal e as Escolas Modelo (…) não poderão preencher convenientemente seus fins, enquanto não forem instaladas em edifício apropriado, (…) ficando então incompleta a reforma;

Considerando  que a quantia de 2.000:000$000 produto da loteria (…) , não pode ter melhor e mais útil aplicação do que na construção de um edifício destinado à Escola Normal e às escolas-modelo, o que seria o templo matriz  da instrução pública no Estado;

Considerando, finalmente, que a municipalidade da capital  compenetrada dessa urgente necessidade, cedendo ao governo uma parte do Largo da República para a construção de um edifício com aquele destino:

No exercício das atribuições coferidas pelo decreto n. 7 de 20 de Novembro de 1889;

Decreta:

Art. 1 – A quantia de duzentos contos de réis  (…)  a ser empregada nesta capital  do edifício destinado à escola Normal e às escolas-modelo.

Art. 2 – A mencionada quantia continuará depositada no Tesouro, donde será retirada à proporção que se for fazendo a respectiva aplicação.

Art. 3. – Ficam revogadas as disposições em contrário.

O secretário do governo o faça publicar.

Palácio em S. Paulo, 13 de outubro de 1890.

Prudente J. De Moraes  Barros.

18/10/1890″.

(grifos meus; wilma)

iecc – memórias III. 1 – Lançada a primeira pedra(a fundamental): festa na Praça ao porvir da Escola Modelo.

Publicado em fevereiro 10, 2013

Escola Normal

18/10/1890 (OESP) resumo:

 

Realizou-se ontem a solenidade do lançamento da primeira pedra do futuro edifício destinado à Escola Normal.

Às tres horas da tarde chegaram à Praça da República, em bondes especiais, acompanhados de uma banda de música o dr. Prudente de Moraes, governador deste Estado, dr. Caetano de Campos, diretor da Escola Normal, dr. Paula Souza, dr Antonio Mercado, secretário do governo , vários outros cavalheiros, professores e alunas.

Antes de ser batida a pedra fundamental, o dr. Caetano de Campos saudou o governador pelo grande melhoramento com que dotava o Estado de São Paulo, agradecendo em rápida e brilhante alocução esse serviço em nome das crianças e dos que se preparam para o professorado.

Em seguida tomaram a palavra, exaltando o acontecimento que se solenizava os senhores Pedro Kiel, Justiniano Vianna , pelos estudantes normalistas e Rufiro Tavares , pelo Correio Paulistano.*

O dr. Prudente de Moraes, comovidíssim, tomou a palavra e em brilhante discurso agradeceu as frases que lhe foram dirigidas e explicou a sua posição no governo.

O dr. Governador declarou que como governo provisório entendia que as reformas do Estado não lhe competiam, porquanto elas deveriam ser feitas só depois que a autonomia federal estivesse estabelecida, promulgada a sua constituição. No entanto, disse o dr. Prudente, era necessário e indispensável fazer alguma coisa pela instrução pública começando pela Escola Normal, o templo de onde deveriam partir os apóstolos da instrução primária para todo o circuito do Estado. Depois da separação da igreja do estado entendeu, que a quantia destinada à construção de uma catedral seria mais  bem aplicada na construção de um templo para a instrução que é aquilo de que  mais carece o povo que não mais oficialmente pode ter seitas.

“Dediquei-me noite e dia aos interesses da pátria e se mais e melhor não fiz não foi por falta de vontade a bem do progresso deste Estado.”, falou.

Terminando, disse que se sentia feliz porque lançava naquele dia a primeira pedra do único templo da sua vida.

Calorosos aplausos coroaram a oração do primeiro governador da república em São Paulo,vindo então as crianças das escolas-modelo cumprimentá-lo ao som do Hino Nacional.

Lavrado o auto de fundação do edifício foi ele assinado pelas autoridades presentes e alguns outros cavalheiros e depois colocado na cavidade da primeira pedra com um número dos jornais do dia.

Assistiram a essa solenidade, (…) :

Dr. Cerqueira Cesar, Jorge Tybiriçá, Paulo Queiroz (chefe de polícia do estado) Peixoto Gomide, Julio de Mesquita, Clementino de Castro, Adolpho Gordo, Lopes Chaves (vice-governador do estado), João Baptista de Mello e Oliveira, e os professores da Escola Normal: Vieira de Almeida, Luiz Galvão, godofredo Furtado, Carlos Reis, José Estácio de Sá  e Benevides e Cyridião Buarque.

Por parte da imprensa apresentaram-se os senhores Rufiro Tavares e David Jardim pelo “Correio Paulistano”, José Maria Lisboa e Canto e Mello, pelo “Diário popular”, Furtado Filho e Marinho de Andrade por esta redação.

Nas imediações do local em que vai ser construído o edifício, aglomerou-se  um grande número de pessoas, entre as quais se notavam muitas famílias.

E agora que não se faça esperar a construção dessa casa de instrução para que a Escola Normal deixe de funcionar nesse pardieiro da rua da Boa Morte.

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22/10/1890 (OESP)

Governador do Estado

Ontem às 2h30’ da tarde a congregação da Escola Normal foi, encorporada, cumprimentar o novo governador do Estado, dr. Jorge Tybiriçá(imagem).

Em nome da congregação, dirigiu-lhe a palavra o dr Caetano de Campos, diretor daquela Escola, respondendo-lhe o dr. Jorge Tybiriçá, o qual prometeu que continuaria a ocupar-se daquela instituição, com o memso zelo e interesse que o seu ilustre antecessor, o dr. Prudente de Moraes.

Ao retirar-se a congregação, o dr. Governador acompanhou-a até o topo da escada principal do palácio.

 

21/10/1890 (OESP)    resumo

Publicaçéao de  uma carta a Prudente de Morais do recém falecido bispo diocesiano, LINO, que no final retira ( e não reitera – nota minha)  os protestos de sua mais alta estima e elevada consideração depois de enumerar tim-tim  por tim-tim o seu repúdio pelo decreto da construção da Escola Normal em detrimento de uma nova catedral.

22/10/1890

Dr. Prudente de Moraes (resumo)

A congregação da Escola Normal  foi, ontem às … horas da tarde (8? 3?), cumprimentar o dr. Prudente de Moraes e entregar-lhe uma significativa mensagem, assinada por todos os membros da copngregação e professores, não só daquela Escola, como também da Escola-Modelo.

Naquele documento a congregação teceu os mais ustos elogios à administração do dr. Prudente de Moraes e terminou despedindo-se dele com saudade, afirmando-lhe ao mesmo tempo a sua gratidão pelos benefícios que ele prestou àquela instituição.

O dr. Prudente, muito comovido, respondeu em longo discurso em que fez a apologia da Escola Normal, e declarou que aquela manifestação era uma das que mais o tinham penhorado.

Disse  que a instrução pública foi o ramo de serviço público que mais o ocupou  no seu governo,  considerando-se ele satisfeito, por ter decretado a reforma da Escola e por ter lançado a pedra fundamental do novo edifício, destinado àquela instituição.

Ao terminar, abraçou com efusão o dr. Caetano de Campos, diretor da Escola.

 

24/10/1890 (OESP)

O Revmo. Bispo Diocesiano pediu ao governador do Estado reconsideração do decreto do 13 do corrente, que aplica na construção de um edifício  para a Escola Normal o produto de duas loterias (…)

 

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