Renato Castanhari Jr. com crônica nova, publicada com dois dias de atraso.

A HORA DO ADEUS

por Renato Castanhari Jr.

Bom dia, meu querido diário. Hoje acordei preocupada, estou perto de tomar uma decisão difícil e, ao me abrir com você, consigo organizar meus pensamentos para assim agir da melhor maneira.
Você melhor do que ninguém sabe com quem ando, pra cima, pra baixo.
É minha companhia direto, onde eu for, ele vai comigo. Quantos anos? Nossa, muitos, muitos mesmo. Como passa rápido! Fecho os olhos e me lembro perfeitamente a primeira vez que eu o vi. Foi no shopping, estava sozinha, tinha acabado de tomar um lanche quando dei de cara com ele, dentro de uma loja. Paixão à primeira vista mesmo, incrível!
Fazia pouco tempo que tinha terminado um relacionamento de anos, estava pra baixo, sem vontade de fazer nada, era um 12 de junho, como hoje. Eu andando sozinha pela primeira vez depois de mais uma década, não dá pra esquecer. Não dá.
O Carlos me sacaneou legal, paciência, passou. Amor morto, amor reposto.
De lá para cá, ele sempre comigo. Nos passeios, cinema, teatro, não largo!
Ele que me dá dicas daquilo que não sei, me mostra os caminhos, me lembra até a hora de tomar o remédio.
Tem quem não entende e acha que virou vício. Inveja, só pode ser.
O problema é que nada é para sempre, impressionante.
No começo é novidade, quanto mais a gente conhece, mais a gente apaixona.
Depois vai entrando na rotina. É legal, claro, mas há o desgaste natural, não dá para negar. É assim com tudo.
Ultimamente, tenho percebido que ele já não tem o mesmo espaço para mim. Memória falhando, a idade pesa, rss… Droga!
Que difícil!
Tem hora que me pego olhando pra ele, pensando em alguma alternativa. Fico um tempo vendo as fotos, ele sempre comigo, sem falhar. Momentos tão lindos, marcantes. Difícil descartar, mas chega uma hora que é inevitável, acontece. Mais do que isso, é necessário. Preciso de espaço e ele simplesmente não me dá mais.
Incrível esse processo. A gente não tem. Aí conhece, gosta, apaixona e deseja e quer ter de qualquer jeito. Acha que não vive mais sem.
Aí vem o tempo, sempre ele. Aquela novidade, não é mais novidade. Passa a fazer parte do dia a dia. Começa a perder o valor, aquele tesão do início.
O que me mata mesmo é esse meu senso de fidelidade. Sou fiel, acima de tudo. Até à minha marca de sorvete, de iogurte, não vou ser com quem está comigo o tempo todo?
Mas aí você sai pra dar uma volta, dá de cara com um que você não conhecia, apaixona e parece que começa tudo de novo. Pensa, avalia trocar, mas falta coragem. Merda!
Não tem jeito. Agora escrevendo percebo que acabou. Acabou!
Vou pegar o carro e vou pro shopping, agora! Vou na mesma loja da nossa primeira vez. Resolvido.
Adeus iPhone 5. Que venha o iPhone 7. Mas iPhone, porque eu sou fiel!

 

Renato Castanhari Jr. | 12/06/2017 às 11:40 am | Categorias: CRÔNICAS/CONTOS | URL: http://wp.me/p1GYYg-tv

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