1891 – c) Falecimento de Caetano de Campos

 

28/07/1891 (OESP)

Informação ao deputado Arthur Breves sobre a suspensão das obras de edificação do prédio da Escola Normal.

13/09/1891 (OESP)

                                   (Memoriall)

Dr Caetano de Campos

Faleceu ontem nesta capital, às 6 horas da manhã; vítima de uma síncope cardíaca, o distinto e estimado clínico dr. Antonio  Caetano de Campos.

O dr. Campos nasceu na cidade de S. João da Barra, estado do Rio de Janeiro, a 17 de maio de 1844. Morreu, portanto, com 47 anos de idade.

Era filho de uma família paupérrima e, por isso, os primeiros anos de sua vida foram cheios de lutas e privações.

Dotado de grande vocaçéao para o estudo partiu, ainda criança, da cidade do seu nascimento para o Rio de Janeiro e, à custa de mil sacrifícios, conseguiu fazer os preparatórios e doutorar-se pela Faculdade de Medicina. Defendeu teses e recebeu grau no ano de 1867. Para adquirir os meios de subsistência, dava lições particulares aos seus colegas. Trabalador e inteligentíssimo como era, nunca lhe faltou discípulos e, quando se formou, tinha grangeado entre os seus contemporâneos uma sólida e brilhante reputação de homem de ciência e de caráter.

Logo depois de formado, nomeou-o o governo cirurgião  da armada e partiu, então, o dr. Caetano de Campos para a República do Paraguai a prestar socorros aos nossos patriotas na guerra.

Doente, viu-se forçado a abandonar o seu posto de honra e regressar à Pátria, vindo fixar residência nesta Capital, onde, dentro em pouco tempo, soube conquistar uma vasta clientela. O dr. Campos foi durante muitos anos o médico de maior clínica nesta cidade. Muito diligente e caritativo, quase  que não lhe chegavam as horas do dia para os chamados que tinha. Ultimamente clinicava pouco. Estava doente, estava cansado e outra ordem de trabalhos, não menos úteis, lhe solicitavam atividade.

Até a hora da morte, porém, exerceu a profissão de médico e a sua opinião era respeitadíssima entre a corporação dos seus colegas.

Foi, por muito tempo, médico da Sociedade Portuguesa de Beneficiência e dedicava a este estabelecimento de caridade um amor verdadeiramente paternal, tratando com inexcedível carinho dos enfermos que ali eram diariamente recolhidos.

O dr. Campos deixa em cada português (ilegível) extremamente grato à sua memória.

Eis, a rápidos traços, o que foi a sua vida de médico.

Mas, o dr. Campos não foi somente um médico distintíssimo. Foi também um cidadão exemplar, um patriota modelo, um republicano convicto, um fanático da educação popular, um educador de primeira ordem, um excelente funcionário público, um insubstituível diretor da Escola Normal, que ele reformou de alto a baixo, em dois anos de trabalho, de acordo com os métodos  da pedagogia mais moderna, mais adiantada, mais racional e mais científica.

Sob este ponto de vista, a morte do dr. Caetano de Campos é para o Estado de São Paulo uma perda verdadeiramente irreparável, porque, na realidade, não vemos aí ninguém que possa continuar com tanto acerto, com tanto brilho, e com tanto proveito a sua belíssima direção daquele estabelecimento de ensino, onde discípulos e mestres lhe consagraram grande admiração, muitíssimo respeito e estimas afetuosísimas, porque ele, sempre enérgico e rigoroso cumpridor dos seus deveres, nunca deixou de ser afável e bondoso para todos.

A sua deliberação de aceitar o cargo honroso, era relativamente modesto, de diretor da Escola Normal, é um exemplo de civismo que merece ser narrado.

Quando se proclamou a República e se organizou  neste Estado o governo provisório, um dos primeiros cuidados dos três governadores foi desenvolver em S. Paulo a instrução popular, que estava enstão, e ainda hoje está, muito atrasada.

Muitas dificuldades havia a vencer; mas a maior era encontrar um homem de mérito real e de provadas aptidões que se quisesse sacrificar na faina utilíssima, mas miseravelmente retribuída, de reerguer a Escola Normal do abatimento em que jazia.

O dr. Rangel Pestana conhecia todo o valor intelectual do dr. Caetano de Campos e, como seu amigo íntimo que era, sabia que ele, por seus estudos especiais, era o homem que se procurava.

Mas o doutor Campos era pobre, tinha uma família numerosa, já manifestava os primeiros sintomas da terrível moléstia que o levou ao túmulo e precisava trabalhar com redobrado esforço para deixar os seus a salvo de necessidades…

Em todo o caso, do dr. Rangel Pestana foi conferenciar com ele e apelou, a medo, para os seus sentimentos de patriota e para as suas crenças de republicano.

O dr. Campos não hesitou. Abandonou os fartos vencimentos dos seus serviços médicos e, para servir à República e à causa da instrução, foi ganhar do Estado magros quatrocentos mil réis mensais que eram ultimamente a fonte principal de sustento da casa!

A mesquinhez da retribuição, porém, não lhe causava mínimo desalento.

Ao contrário, parecia que o estimulava, porque  é crença dos seus amigos que os árduos labores  nunca interrompidos da Escola Normal lhe roubaram alguns anos de vida.

Que os paulistas lhe paguem o que lhe devem em veneração à sua memória.

 

1890- Caetano de Campos, Antonio Mercado, Paula Souza, Prudente de Moraes, Bernardino Campos, Peixoto Gomide e cel.Lisboa de Modesto Carvalhosa, do qual descende nosso colega Modesto Carvalhosa.(ieccmemorias)

Logo que se espalhou a notícia de sua morte, reuniu-se a congregação da Escola Normal e resolveu declarar em ata que a triste notícia fora recebida com profundo pesar (e resolveu) suspender as aulas por três dias, mandando-se cerrar por esse espaço  de tempo as portas do edifíio; ir, incorporada acompanhar o enterro; mandar deitar uma coroa sobre o féretro e nomear uma comissão de três de seus membros para dar pêsames à sua família. Esta comissão ficou composta dos professores dr. Henrique de Lacerda, M. Buarque e Macedo Soares.

Na câmara dos deputados, o senhor Paulino de Lima propôs um voto de pesar e o sr. Arthur Breves propôs que suspendesse a sessão. Ambas as propostas foram unanimente aprovadas. Pelo  dr. Presidente da câmara foi também nomeada uma comissão, composta dos senhores P. Lima, Breves e Hippolyto, para acompanhar o féretro.

(última linha ilegível)

 

15/09/1891 (OESP)

Dr. Caetano de Campos

Deu-se anteontem pela manhã o enterramento do ilustre e estimado clíico dr. Antonio Caetano de Campos. O féretro foi conduzido à mão desde a rua Brigadeiro Tobias até o cemitério da Consolação, com numerosíssimo acompanhamento.

Ao ser dado o corpo à sepultura tomou a palavra o distinto professor sr. João Vieira de Almeida, que orou em nome da Escola Normal, exaltando as belas qualidades de civismo e de caráter que tanto distinguiram a pessoa do finado.

Seguiu-se-lhe o dr. Miranda de Azevedo (imagem) que falou em nome da classe dos médicos, manifestando o profundo pesar dos confrades que lamentavam sinceramente aquela grande perda.

(wikipédia)

Em último lugar, orou um aluno da Escola Normal em nome dos seus colegas e fazendo sentir a grande lacuna com a perda de tão dedicado mestre.

Em seguida desceu ao túmulo o caixão, em meio à profunda consternação que se notava em todas as fisionomias.

Sirvam ao menos estas sinceras manifestações de pesar de lenitivo à dor pungentíssima que ora aflige a exma. família do pranteado e respeitado cidadão que sábado último desapareceu para sempre do número dos vivos.

 

15/09/1891 (OESP)

Congresso Paulista

O sr. Hippolyto da Silva participa à casa que a comissão nomeada desempenhou o seu dever acompanhando ontem o enterro do dr. Antonio Caetano de Campos.

 

18/09/1891 (OESP)

  1. Maria Julia Rio de Campos (imagem), filha do dr. Martim Francisco Ribeiro de Andrada Sobrinho (…) convida seus parentes e amigos para assistirem à missa que mandam celebrar por alma de seu prezado marido, pai, sogro e enteado o dr. Antonio Caetano de Campos, na matriz de Santa Efigênia, sábado, 19 do corrente, às 8H30’.
ieccmemorias

22/09/1891 (OESP)

Agradecimento de dona Maria Julia Rio de Campos  agradeceu ao empenho dos doutores  Carlos  Pelina e Guilherme Ellis na ocasião da morte  de seu marido, o dr. Antonio Caetano de Campos.

E

A viúva do dr. Antonio Caetano de Campos, tendo recebido por ocasião do passamento de seu marido, no meio de sua cruciante dor, as maiores provas de consideração e estima por parte do exmo. presidente do Estado, câmara dos deputados, do corpo docente e alunos da Escola Normal, da Sociedade Portuguesa Beneficiente, da Escola da Nautralidade e de inúmeras pessoas que procuraram minor-lhe o sofrimento, se possível fosse, vem publicamente manifestar a sua gratidão e reconhecimento, sendo certo que conservará eterna lembrança deste procedmento tão cavalheiro, no transe mais doloroso de sua existência.
S. Paulo, 21 de setembro de 1891.

Câmara dos Deputados

13/09/1891, PÁGINA 1 Edição Nacional

 

 

 

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