José Horta Manzano publicou no BrasilDeLonge…

Falam de nós

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José Horta Manzano (escritor e caetanista)

Para começar, a notícia chata

O diário El Observador e outros veículos de Montevidéu informam que o Ministério do Interior uruguaio está reforçando a segurança na fronteira com o Brasil. Para tanto, câmeras de vídeo estão sendo instaladas. Centenas de militares e de policiais também estão sendo mobilizados. As quatro províncias que têm fronteira seca com o Brasil estão incluídas na operação, que tem até nome: Programa Gavilán ‒ Operação Gavião.

O programa já foi posto em prática e testado, aparentemente com sucesso, durante a Copa de 2014 e os JOs de 2016. Além de controle reforçado nos postos de fronteira, o Uruguai organiza também blitzes de surpresa nas estradas. A fronteira com o Brasil é classificada como uma «perigosa peneira».

O temor dos hermanos tem três razões de ser. Em primeiro lugar, procuram reprimir a entrada de cocaína no país. Em seguida, têm a intenção de proteger seus fazendeiros contra furtos de gado que ocorrem com indesejável frequência.

A terceira razão ‒ a mais preocupante ‒ tem a ver com o crime organizado brasileiro. Depois do assalto de que foi vítima uma transportadora de valores em Ciudad del Este (Paraguai), ataque atribuído ao PCC brasileiro, os uruguaios andam ressabiados. Meia dúzia de cidades de certa importância estão coladas à fronteira brasileira e podem estar na mira dos bandidos. Melhor prevenir.

Para terminar, a notícia agradável
Em 2015, aos 18 anos de idade, o paulista Felipe Levtchenko embarcou para a França para um intercâmbio escolar previsto para alguns meses. Ao chegar, não conhecia nenhuma palavra de francês. Acolhido por uma família de Perpignan (sul do país), dedicou-se de corpo e alma ao aprendizado da língua e ao que lhe ensinavam na escola.

Os começos foram difíceis. A realidade do inverno assustou o moço habituado ao clima morno dos trópicos. Pra piorar, enfrentou as tribulações de viver num mundo em que todos falam uma língua desconhecida. No entanto, passado o primeiro momento de desalento, o mergulho total ajuda. Por bem ou por mal, acaba-se entendendo o que dizem os outros.

Para resumir a história, Felipe gostou da experiência e foi ficando. Decidiu ficar até o fim do ano escolar para enfrentar os exames do «bac», que corresponde a nosso Enem. Não conseguiu passar. Seu conhecimento de francês era insuficiente.

Insistente, o rapaz decidiu repetir o último ano da escola média. Estudou novamente toda a matéria e reforçou seu aprendizado de francês. Semana passada, tentou de novo o exame final. Conseguiu a inacreditável média de 19,26(*). A façanha foi noticiada por toda a imprensa regional.

Perfeitamente integrado, Felipe pretende continuar na França. Não vai cursar uma, mas duas faculdades ao mesmo tempo. E não é a escolinha da esquina não, senhor. Por um lado, vai inscrever-se na ultrafamosa «Science Po» (Ciências políticas), faculdade de cujos bancos saiu boa parte da elite dirigente francesa. Por outro lado, vai cursar nada menos que… a Sorbonne, uma das universidades mais prestigiosas do mundo! «Para não abandonar a matemática» ‒ diz o rapaz.

(*) Na França, a notação não é baseada no máximo de 10, como estamos acostumados. Vai de zero a 20. A média de 19,26 sobre 20 equivale portanto a 9,63 sobre 10 ‒ nota pra ninguém botar defeito. Quando se leva em conta que o moço não conhecia uma palavra da língua até dois anos atrás, é de tirar o chapéu.

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