Raul Machado; palavra lavradas.

METAPOEMAS

“                                                     Raul Machado

 Resumo Escola

Entre mim e o mundo

serpenteia

a palavra mais precisa

que meu olho

pois só vejo o que nomeia.

E o mundo só o sei

através dela

preso no emaranhado

de sua teia.

 

Ora é lente a aumentar-me

o espanto,

ora é névoa a turbar-me

o encanto.

Ao doce enlevo da rima

se rebela,

se faz ausente e vai habitar

um novo olho

outra mente,

ou se entrega fácil                                           E eu fico com os dedos

bela                                                        impotentes

com sofreguidão que mal                                a suspender o lápis

posso                                           sobre o exílio branco

acompanhar-lhe                                    do papel,

o passo                                         a guerrear em mim

e, num repente,                                                       este combate

se funde                                                 ingente

na multidão                                            sem pouso  sejo coisas inúteis

como equilibrar-me na balança

do viver, pondo, num dos pratos,

a desnecessária poesia,

no outro, as insubstituíveis

utilidades vividas.

 

 

 

Em minha cabeça,

uma idéia despertava

de um sonho bem dormido

que uma palavra cantava.

 

Fui logo registrá-la

no branco deserto do papel

mas, quase de imediato,

a idéia fez-se névoa

a palavra ensombreceu.

 

E o poema que eu sonhava

como a lua atrás da  nuvem

se escondeu.

 

Onde está? Onde  está

o poema que certa vez

minha mão quase prendeu?

 

    Capitu vem para o janta           

 

Queria um poema transcendente,

para além do que a palavra diz,

que extraísse do meu íntimo

o desencanto de meu jeito de viver

e que plantasse um sentido diferente

neste torto poema que me fiz.

 

No meio do verso

tinha uma pedra

No meio da pedra

tinha um caminho

No meio do caminho

estava a palavra.

 

Nunca saberei

a palavra

do caminho

da pedra

do meio

do verso.

 

Enfoquemania – WordPress.com

O texto é enganador,

ilude tão completamente

que transforma pro leitor

em verdade o que lhe mente.

 

E assim, neste intertexto,

insinua-se a questão

de saber se é só o contexto

que desvela a ficção.

 

 

Uma metáfora

alada

sem chão que a

sustente:

um véu.

 

Suspensa e fria

ausente

no céu:

só cor.

Meticulosa geo-

metria

do nada.

  Pinterest     

 

Andamos por aí,

vendo o que ninguém vê.

Dizem que somos videntes

ou até clarividentes,

quando o que vemos

é o nosso de-dentro,

pela imaginação enfeitado.

 

Ficamos assim sem jeito

e até nos orgulhamos –

o ego todo inflado –

de sermos bem-dotados,

como helênica pitonisa.

 

E por aí vamos,

refazendo símbolos gastos,

ressuscitando palavras,

velhos signos, novos sentidos,

somados às nossas vivências.

… Casa do Poeta Lindolf Bell .

Pensamos ter importância

o que nos versos cantamos

quando nada mais importa.

Tudo muda, tudo passa.

Tudo morre à nossa porta.

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