Parte II – Janeiro de 1950; biografia de Paulo Eiró no jornal OESP, diplomado pela Escola Normal em 1855.

01/01/1950 (OESP)

Cursos de Férias

Terão início amanhã os seguintes cursos de férias, patrocinados pela escola Universitária de São Paulo:

  • aperfeiçoamento e Administradores Escolares (no IECC)
  • Orientação Educacional
  • Metodologia dos Trabalhos Manuais, Música e Desenho
  • Diretor de Grupo Escolar
  • Orientação Educacional.

Esses cursos serão destinados a alunos normalistas, professores primários e secundários, diplomados por escolas profissionais, licenciados e alunos da FFCL.

Informações à rua Líbero Badaró, 361.

06/01/1950 (OESP)

Casas de Ensino

IE Caetano de Campos

Devem comparecer amanhã, às 14h30’, à sala 325 do Instituto de Educação Caetano de Campos, todos os diplomados do Curso de Formação de Professores Primários (Curso Normal) dos períodos diurno e noturno.

21/01/1959 (OESP)

Os alunos das turmas de contadores e auxiliares de escritório da Escola Técnica de Comércio Saldanha Marinho, farão as suas festas, dia 24, nos Salões do IECC.

24/01/1959 (OESP)

Casas de Ensino

Devem comparecer com urgência à secretaria do I. E. Caetano de Campos,(…) Ozita Bento, José Alencar Aguiar , Joaquim Marciano Filho, Walder Corradi, João Augusto de Melo Saraiva e Felipe Azalos.

E

No auditório do IECC, entrega de diplomas de auxiliar de escritório aos alunos da Escola Comercial de São Paulo.

26/01/1950 (OESP)

a poesia do brasil – blogger

Publicado há 66 anos!!!

PAULO EIRÓ

Nasceu em Santo Amaro, subúrbio da capital paulista, a 15 de abrils de 1836. Descende da maioria dos troncos paulistas indígenas conhecidos, entre os quais Tibiriçá, pelas suas filhas Terebé, casada com Pedro Dias e Bartira ou Mbiel, mulher de João Ramalho. Para casar-se, Pero Dias, que era irmão leigo da Companhia de Jesus, foi desligado dos votos por Santo Inácio de Loyola, fundador, e então Geral da Ordem.

Depende ainda de Piquerobi e do morubixaba de Ibirapuera(origem de Santo Amaro de hoje – 1950), cuja filha batizada com o nome de Margarida Fernandes, se casou com Brás Gonçalves. À família de Eiró, peretencem os bandeirantes Manuel de Borba Gato e o venerado padre Belchior de Pontes.”

Segundo Amadeu Amaral, “Paulo Eiró tinha nas suas veias sangue indígena, bandeirante e jesuíta: era paulista; paulista com séculos de condensação, e resumia em seu corpo, a História da Capitania de São Vicente”.

Fez os primeiros versos aos 5 anos de idade; aos 12 (1948) iniciou, de parceria com o pai, um trabalho histórico de fôlego, terminado seis anos depois, e aos 14, escreveu um trabalho folclórico. Dos 17 aos 19, produziu, além de 8 peças teatrais, um mínimo de dez coleções de poesias e um poema. Estudando com seu pai e com o então capitão Ricardo Leão Sabino, que também fora no Maranhão professor de Gonçalves Dias, fez os primeiros preparatórios no Curso da Academia de Direito, em 1849, com 13 anos. Ao prestar o exame de Geografia, presidiu a banca o conselheiro Amaral Gurgel, diretor da Academia e amigo de seu pai, que escreveu a este :” Seu filho fez um exame brilhantíssimo; passeou pelo globo terrestre como quem passeia pelas ruas de Santo Amaro. Lágrimas de prazer vieram-se aos olhos, aplaudindo-o publicamente”. Interrompendo os preparatórios, matriculou-se na antiga  Escola Normal onde se diplomou em 1855. Nomeado nesse mesmo ano, professor da escola de Santo Amaro, substituiu seu pai, que então se aposentou.

Ainda menino, foi dominado por violenta paixão amorosa que lhe encheu toda existência e lhe trouxe, quando adolescente, em abril de 1854 a mais cruel das desilusões, com o afastamento de sua amada. Tendo ela contraído casamento com outro, resolveu Eiró terminar os preparatórios e matricular-se na Academia, o que fez em 1959, juntamente com seu parente Campos Sales, Prudente de Moraes, Bernardino de Campos, Rangel Pestana e outros. Matriculou-se com o nome de Paulo Emilio de Sales Eiró, tendo anteriormente usado estes outros: Paulo Francisco de Sales Chagas, Paulo Francisco de Sales e Paulo Emilio de Sales. Acerca do sobrenome “Eiró”, usado pelo poeta, escreve Amadeu: “apelidado obsoleta de um descendente qualquer, que se lhe ajustava melhor à personalidade original, e lhe faltava mais à estesia”. Não chegou a concluir o primeiro ano jurídico, por se ter agravado a alienação mental, cujos prodornos se haviam feito sentir em 1857, quando contava 21 anos de idade. Alguns atribuem a moléstia ao amor infeliz, outros ao excesso de concentração criadora ou de estudo, pois como ele mesmo diz, no soneto “Desalento”, de 1854, “sua alma buscando”, para as lutas do espírito bonança, da ciência se foi lançar aos braços”.(…) acumulando um acervo de conhecimentos absolutamente notável. Apropriou-se de uma boa linguagem portuguesa, como poucos, não só do seu tempo, senão também do nosso. Estudou latim, grego, inglês, alemão, francês, tupi, astronomia, filosofia, história e religião.

Reconhece a crítica, que sob o aspecto da cultura, como sobre outros aspectos, superou a todos os românticos da sua época. Deixando a velha Academia, quis fazer-se frade, e, na segunda metade do mesmo ano de 1859 , ingressou no Seminário Episcopal, onde impressionou os professores, os sábios religiosos franceses, com a sua inteligência e o seu saber. Mas também lá por pouco tempo permaneceu: o reitor, a ter dito que ele tinha “rasgos de gênio” e que não convinha aprofundar mais os seus conhecimentos de teologia, pois a própria religião o vedava, aconselhou o seu pai a fazê-lo abandonar os estudos eclesiásticos. Para isso talvez tenham  concorrido as ideias adiantadas do poeta ou o seu estado mental, que sujeito  a alternativas, parece ter-se agravado nessa ocasião. E quem sabe? , esse agravamento foi efeito e não causa. A mania de perseguição que já vinha sofrendo desde anos, veio então juntar-se ao delírio ambulatório. Não podendo continuar o curso em São Paulo, empreendeu uma viagem à Mariana, com intenção de matricular-se no Seminário local; mas supõe-se que nem tenha chegado até lá. Daí em diante, fez um cem número de viagens, entre as quais uma por mar; e tais desatinos praticou a bordo, que o comandante se viu na necessidade de largá-lo num  porto deserto da costa. Dessas viagens, diz Amadeu, “voltava inquieto e padecente, às vezes o semblante e a alma em desordem”. Em 1866, tornou-se indispensável interná-lo no Hospício de Alienados. Seu velho pai, que conhecia o valor do filho querido, ao qual se devotava, com o mais entranhado afeto, a maior admiração, exclamou ao vê-lo partir, levado por homens indiferentes: “ Fui castigado  do orgulho que tinha deste filho; Deus me tirou o que eu mais amava na terra”. Afonso Schmidt conta-nos, em páginas comovidas da novela “ A vida de Paulo Eiró”, o que sofreu o poeta no hospício, onde faleceu aos 27 de junho de 1871. Morreu esquecido e esquecido permaneceu como durante meio século, o que se explica, se considerarmos que esteve insano por mais de dez anos, cinco dos quais no manicômio, inteiramente segregado do convívio dos homens. Seu nome ficou apenas conhecido de uma elite intelectual. Mas depois de tão longo silêncio, que pesou sobre a sua memória, mãos amigas procuraram divulgar  a obra do nosso desaventurado conterrâneo. O início desse movimento foi a conferência de Amadeu Amaral, em 1923. Por ocasião do centenário do seu nascimento, foram-lhe prestadas homenagens excepcionais, pelas mais altas instituições culturais do País, como a Academia Brasileira, pela voz de Claudio de Souza e Guilherme de Almeida, e a Academia Paulista, pela de Alcântara Machado e Valdomiro Silveira, fundador, nesta última, da cadeira de que é patrono Paulo Eiró. Essas homenagens foram tais, que levaram um escritor italiano, Ferrucio Rubbiani, a dizer que “la sua figura é presa dale mani affetuose del paulisti portata in alto per la ammirasione dei suoi conterranei… é presa collocata, oggi (1936), ufficialmente, nel Pantheon delle glorie nazionali”. No espaço de dez anos, produziu Eiró uma obra imensa. Por manuscritos deixados pelo poeta e por informações da família, temos notícia dos seguintes trabalhos:

POESIA

“Primícias poéticas”, 1853-4; “Meu álbum”, dois ou mais volumes, 53-4; “Clamares da Solidão”, 2 volumes, 53-54; “Lira e Mocidade”, 1854-55; “Teteias”, 55; duas coleções de 1855 ou anteriores, às quais prefere o poeta pelas letras iniciais “Mel”, (“Melodias”?) e “Ador”(“Adoração?” eum poema, “ Crepúsculo dos Deuses, da mesma época. De toda obra poética só restaram(?) duas cópias de duas coleções completas. “Primícias Poéticas”, com 55 produções e “Lira da Mocidade”, com 60; e outras duas cópias de uma coleção incompleta, “Teteias”, com 23 poemas, além de um  caderno autografo, quase completo, da 2ª série do “Meu Álbum”(…), com 94 páginas e 11 poesias. (…)

Sabe-se pela sua irmã Mariazinha (Maria Serafina), falecida há 30 anos, que seu pai, a mandado dos frades do seminário, reduziu a cinzas duas coelções de poemas, dizendo que o fazia “com lágrimas nos olhos”, e que, num momento de desânimo ou num acesso de insânia, o próprio poeta destruiu parte considerável de seus versos. Infelizmente, é incalculável o desfalque sofrido com o soçobro da obra poética de Eiró, em particular da posterior de 1855 (da qual restam somente 16 produções), “ a melhor parte dos poemas, como diz Valdomiro Silveira, porque era produzida no pleno esplendor da mocidade”. Os versos de Eiró foram vertidos para o italiano pela escritora Glicinia Giribaldi, versão que será publicada em volume levando, como prefácio, um ensaio dessa escritora, “Una fraternità di poesia e di dolores: Leopardi e Paulo Eiró”. Estão musicadas duas poesias de Eiró – “Beijo de Mãe” e “O Peregrino”. Esta última, que corre no norte do Brasil, como criação popular e anônima, figura, com a respectiva música, numa das coletâneas de Catulo Cearense.

TEATRO:

“Sangue Limpo” e “Vanium de Ornano”, dramas:  “Chegamos  tarde!”, “O traficante de Escravos”, “Terça-feira de Entrudo” e “Pedra Filosofal”.

Comédias: “Noivo à pressas” e “Fel e Vinagre”.

Farsas: “Á porta do teatro”, cena cômica. Em manuscrito do poeta, de 1854, há referência a estes outros trabalhos teatrais, provavelmente de sua autoria: “ O Adall”, “Foi minha”, “Dois Irmãos, “Caim”, “Um Lobisomem”, “Escola tupi”, “Modos de Vida”, “ Onze Letras”, “Valdevinos”, “Esganarelo” (personagens: Esgana, Pancrácio e outros) e “ Conde de Paragará”. Todas essas peças, com excessão de “Sangue Limpo”, drama abolicionista, são de 1854, ou anteriores e estão perdidas.

HISTÓRIA

 

“Apprendix”, que se segue às “Tábuas Cronológicas”, de seu  pai. (…)

Prosa:

(ficção) “Carolina”-novela (…), publicada no Correio Paulistano (28-6 a 467- 1861); “Como se morre”, publicada no Correio Mercantil, do Rio .

Folclore:

Coleção de romances, rimas e trovas paulistanas compostas por diversos poetas caipiras”; “Coleção de modinhas”, ambas de 1850. Eiró deixou também um “diário”, de que a família tem notícia por tradição, e que faz parte do arquivo literário deixado por Brasílio Machado (…).

(Segue uma longa lista de textos e artigos sobre Paulo Eiró, publicada por escritores, intelectuais e jornalistas e as fontes onde poderemos encontrá-los)

 

 

 

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