Atonio Aurélio Amaral, cronista do dia…

EN PASSANT…

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Estilos Arquitetônicos

Edifício Martinelli Vista Aérea – 1929

Transito bom no meio da tarde na 23 de Maio, pelo menos depois da saída para zona leste, melhor ainda na Praça João Mendes onde abusei da velocidade para aproveitar todos os sinais verdes e finalmente estacionei na Rua Boa Vista (22 reais por menos de meia hora). Atendimento relâmpago no Martinelli que me surpreendeu diante da demora de outras vezes. O que estará acontecendo nesta tarde de 22 de março de 2018? Algum jogo de futebol importante? Que eu saiba não. Mas preocupado com a hora não dava nem para pensar.

A primeira vez que eu entrei no velho e famoso Martinelli foi fugindo da repressão a uma passeata em 1968 quando tive de subir suas escadas junto com outras pessoas e uma jovem, bela e ativa jornalista da TV (não era a Globo que talvez nem existisse naquela época). Mesmo na escadaria ouvimos estampidos e sentimos um pouco do cheiro do gás lacrimogênio.
Terminado meu rápido atendimento no Martinelli HOJE, ao passar frente a porta do velho edifício do antigo Banco do Estado, ícone da cidade de São Paulo, eu com a ilusória sensação de tempo disponível, percebi que dele fizeram um ponto turístico.
Eu via esse prédio pelo menos duas vezes ao dia a mais de um quilometro de distância, durante duas décadas pelo menos. Saudades de quando eu não podia enxerga-lo, ao sair para a escola de manhã, escondido pela neblina. Eu gostava da neblina. Talvez eu o tenha visto pela primeira vez ainda no colo de minha mãe.
Esse símbolo da minha cidade foi doado a um banco estrangeiro pelo MDB. A sensação de que “apropriam-se da minha cidade” deve ser comum a todos os moradores de cidades que crescem muito rapidamente. Outras considerações não vêm ao caso agora.
Então eu pensei: porque não ver a cidade a partir de seu topo pela primeira vez na vida? Fila muito pequena para comprar o ingresso de quinze reais no programa mais simples. Lá em cima (no “farol”) pode-se tomar um café.
MAS eu teria de esperar a próxima turma que demoraria 40 minutos. Bem, EU NÃO TENHO 40 MINUTOS PARA PERDER. Engraxar os sapatos para fazer hora na Praça Antonio Prado, em frente, não me atraiu. Além de eu não ter o bom hábito de engraxar os sapatos, me fazem cócegas nos pés e eu suponho que o serviço seja caro (nem pergunto apesar do forte assédio). Ler o texto sob a estátua nova (2016) de Zumbi dos Palmares nessa mesma praça eu já tinha feito na ida, em dois ou três minutos. Fui, então, para o estacionamento.
Vista por vista ainda prefiro a do Edifício Itália no quadragésimo terceiro pavimento, que já curti algumas vezes desde quando era estudante de uma “escolinha” ali perto. Hoje paga-se 30 reais só para ver, mas recomendo. Quanto ao “prédio do Banespa”, dentro dos próximos sessenta anos farei uma nova tentativa.
Peguei o caminho de volta. Congestionamento a partir da 23 de maio. No final do segundo dos três tuneis, a aparente explicação: um carro parado com pisca-alerta ligado, uma moto e dois homens conversando, possivelmente à espera de um “juiz” que lhes resolvesse a “pendência”. DEVO TER PERDIDO UNS 40 MINUTOS…

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2 respostas para Atonio Aurélio Amaral, cronista do dia…

  1. Neusa Meirelles Costa disse:

    Delicioso passeio: fragmentos de lembranças que sinalizam a possibilidade de reflexões partilhadas por todos que passaram pelo centro, viram a cruz iluminada no Banco do Estado (nas noites de natal da década de 50) e que hoje também passam pela 23 de Maio, quase todo dia…

  2. São Paulo quase não tem memoria…

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