Jeanny gosta da gente

Trecho da cartinha recebida hoje, para emocionar todo mundo desde que o dia raiar.

Nossa colega vive em Dallas e está há alguns anos nos EUA, terra onde nasceu.

“(…) Tenho tempo de sobra para pensar na vida, de às vezes ter medo do futuro, outras ainda de cultivar a esperanca!

Consumo tempo inigualável lembrando “o que foi”: minha mãe, minha irmã, meus amigos de puberdade e adolescência; os lugares inesquecíveis nas cidades mágicas da infância, as maravilhas das férias ensolaradas; os cheiros de terra  molhada e os perfumes de flores dos jardins; as delícias dos quitutes inigualáveis preparados em uma cozinha de aparência quase medieval; o caminhar lento em direção ao cinema da cidade para assistir mais um filme de gosto duvidoso; o lento enrolar dos dias e das noites de uma infância quase mágica. Sobra tempo para lembar tudo isto, mas em meio às lembrancas sobra ainda mais tempo para avaliar que – ainda que tenhamos apreciado cada momento – deveríamos ter olhando ainda mais fundo cada fração de segundo porque eles nao voltam nunca mais e deles sobra apenas uma presciosa lembrança.

          Do Hoje tenho pouco a contar além destas introjeções e retrospectivas e porque estes tempos são tao incertos eu volto minha atenção para o que foi um dia. Como ja disse Fernando Pessoa: …” Ah! Quem escreverá a história do que deveria ter sido? Será esta, se alguem a escrever, a verdadeira história da humanidade” . Por vezes me pego conjeturando no “se” “… e se eu tivesse ido por aqui em  vez de acolá? …Se eu tivesse olhado com mais atenção para quem verdeiramente merecia atenção. … Se não tivesse tido medo de dar um passo mais arrojado, se não tivesse titubeado em cortar as amarras que me prenderam e me aleijaram por tantos anos seguidos… Ah! O se, que tantas vezes nos transformaram em figuras titubeantes no meio do escuro de uma Vida que nós mesmos, cegos, abrimos as portas!

          Ah! Chega de filosofia e melancolia em meio a uma tarde linda de primavera abraçada de sol e luz! De vocês eu sinto saudades, para vocês mando minha alma.

 

Muito amor


Jeanny Hartley “
(Jeanny: quarta menina de pé sobre a mureta, antecedendo a figura flechada; sua irmã Mary é a sexta, da mesma fileira; 1962 -IECC)
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