Myrthes Suplicy Vieira

CARTA ABERTA À ONU

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Nós, brasileiros que ainda retemos um pouco de sanidade mental, nos curvamos humildemente diante de todos os representantes dos países participantes da 75ª Assembleia Geral da ONU para pedir sinceras e envergonhadas desculpas pelos desvarios proferidos por nosso atual governante na data de hoje.

Infelizmente, como todos sabem, nenhum país do mundo ainda introduziu a obrigatoriedade de exame psiquiátrico anterior à posse de seus mandatários. Tivéssemos feito isso há dois anos, teríamos nos livrado do pesadelo político que ora nos atormenta.

Embora não seja necessário relembrar aos senhores a extensa lista de males causados ao Brasil por Jair Bolsonaro, em especial na área do meio ambiente e dos direitos humanos, todos fartamente documentados em instituições de pesquisa do mundo todo, parece-nos obrigatório esclarecer que, mesmo não dispondo de comprovação científica, podemos afirmar que a pessoa que ora diz nos representar é, sem sombra de dúvida, portadora de um distúrbio psiquiátrico já largamente conhecido e estudado, chamado de Mitomania.

O ex-capitão infelizmente vive num mundo paralelo. O país que ele criou na sua fantasia para comandar não tem qualquer conexão com a realidade brasileira atual nem com a alma do povo simples brasileiro. Não somos exemplo de preservação ambiental, não nos saímos bem na pandemia, a população mais vulnerável não recebeu um auxílio emergencial equivalente a 1.000 dólares.

Não é de hoje que convivemos com essas e outras mentiras. Ao longo de sua breve carreira militar, JB notabilizou-se por elaborar planos maquiavélicos mirabolantes, como o de colocar uma bomba numa adutora próxima a seu quartel para protestar contra os baixos soldos dos militares. Ao longo de sua carreira parlamentar de 28 anos, notabilizou-se apenas por sua postura verbal agressiva, eternamente afrontosa à dignidade de seus colegas parlamentares e opositores ideológicos, sem jamais ter conseguido aprovar um só projeto de sua lavra. À testa do executivo, ameaça diariamente nossas estruturas democráticas, ataca a honra de jornalistas, juízes da Suprema Corte e de cidadãos comuns, além de não se envergonhar com seu palavreado chulo diante de homens e mulheres e até crianças.

Ele atua sempre como o adolescente rebelde que se senta na última fileira, no fundo da sala de aula, e passa o tempo jogando bolinhas de papel em seus colegas, conversando em voz alta e rindo com o aluno ao lado, e ironizando a competência e a autoridade de seus professores.

Outra de suas características mais marcantes é a de adotar táticas diversionistas, embaladas em frases intencionalmente polêmicas, para tentar ocultar sua inação e incompetência para responder aos graves desafios econômicos, políticos, educacionais, de saúde e segurança pública que nos afligem.

Ele não hesita um só segundo em ameaçar todas as instituições nacionais que se mostrem independentes e não partilhem de seu tresloucado ideário militarista, fundamentalista religioso e conservador nos costumes. Depois, quando lembrado por assessores jurídicos de seus deveres constitucionais, recua e se desdiz com a mesma velocidade com que lançou cada tese.

Seu sobrenome é retrocesso. Sente-se dotado de um poder absoluto e inquestionável. Acha-se portador de uma sabedoria superior aos mais destacados cientistas, historiadores e especialistas das mais diversas áreas – e é com base nesse suposto conhecimento não acessível ao comum dos mortais que ele leva adiante suas teses negacionistas e revisionistas. Se dependesse apenas de sua vontade, todos os organismos internacionais multilaterais – como a própria ONU, a OMS ou até o Tribunal Internacional de Haia – teriam também de obedecer a seus comandos (ou desmandos, se preferirem).

Por isso, senhores, rogamos constrangidos que perdoem seu destempero verbal e que entendam que ele não representa, de fato, a imensa maioria do povo brasileiro. A evidência maior que podemos lhes apresentar de sua total inabilidade para se apresentar como líder democrático aos vossos olhos veio há poucos dias embalada nas palavras de seu ministro das Relações Exteriores: “Não estamos aqui para construir pontes, que outros as façam”.

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