Renato Castanhari Jr. – Asfixia…

DIÁRIO DE BORDO 34 por Renato Castanhari Jr.

“Vacina salva vidas há anos. #Vacina já. Eu vou tomar”.


Vinte terminou, ponteiro rodou, vinte um chegou, e o que mudou?


“A vacina vai começar no dia D, na hora H, no Brasil”.


As trombetas dos sábios cheios de opinião para dar, sem que ninguém peça, continuam soando, ecoando, anunciando o apocalipse da paciência.


E em meio a esse confronto, essa confusão toda, com o embate dos que negam e os que extrapolam politizando uma pandemia, estamos todos sem ar.


Em Manaus, literalmente falta oxigênio para atender aos internados com covid, um estado que parece condenado à morte pelos que comandam a Saúde no país. Alertados que foram, quatro dias antes, que faltaria oxigênio nos hospitais de Manaus, deixaram de tomar providencias prévias e o Estado agora contabiliza óbitos por asfixia. A própria população tem uma parcela de culpa na situação ao se manifestar contra o lockdown determinado pelo governo nas semanas das festas de natal e ano novo. O governo recuou e o aumento de novos casos explodiu neste começo de ano. Falta ar.


Nossa baixa humanidade continua fazendo vítimas. Nossos interesses pessoais, políticos, econômicos continuam sendo colocados à frente dos coletivos, sociais, humanos, e todo este caos colocamos na bag de responsabilidade de um invisível vírus, quando o vírus destrutivo maior somos nós mesmos.


Ontem mesmo, Cuiabá e Guarani se enfrentaram em mais uma rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de futebol. E não deveriam se enfrentar. Até uma hora antes do horário marcado o time de Campinas não sabia se teria o número mínimo de jogadores para colocar em campo, já que no início da tarde, o clube divulgou 17 diagnósticos de covid-19 no elenco. Solicitou cancelamento do jogo, a CBF negou e eles tiveram que entrar em campo. Apanharam de 4×0. O Cuiabá comemorou, o futebol, a saúde dos atletas, que precisam ainda mais de cuidados para se recuperarem da doença que deixa sequelas, não. Falta bom senso, sensibilidade, humanidade.


Se a bola continua rolando, pelo menos temos dois times brasileiros na final da Libertadores da América. Palmeiras e Santos fazem jogo único no Maracanã no dia 30, e a gente passa a ter uma variação nas postagens, nas zoações, nas previsões dos profetas que sabem tudo. Os torcedores dos outros times, que não viram nenhum título em 2020, estão iguais ao Chico Xavier, morto, mas não para de mandar mensagens: “campeão invicto da Libertadores é pra poucos”, “sou viúva do Pelé desde pequenininho”, “- em casa, dia 30, vai ter peixe frito”, “- na minha, porco no rolete”.


Hoje o Giovanni já iniciou as orações para a vitória do Parmera, que ainda disputa a final da Copa do Brasil com o Grêmio, e o Campeonato Brasileiro, com os dois jogos a menos que tem do ainda líder São Paulo.


Mio San Genaro, per favore, escuta as minha prece. Io pedi poco este ano. Vá bene, é começo de ano, vero, má… io voglio poucas coisas. A vacina e o mio Parmera campeone! Vou acender uma vela por dia, até o 30 de janeiro. Um ponto de luce cada dia pra iluminar o caminho do Rony, do Luiz Adriano, do Gustavo Scarpa, Raphael Veiga, Weverton. Se não puder ser dois pedidos, só um, pode ser o Verdon Campione. Tira a dose de vacina, io tomo duas doses de vino e tutto bene!!!

Esse post foi publicado em Expressão livre: textos dos leitores. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Renato Castanhari Jr. – Asfixia…

  1. Cláudio Salvador Buono disse:

    Bom artigo….Bolsonaro não foi malhado…E a torcida para o Parmera é grande .!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s