Marta Ramos

Marta Ramos recebeu o texto que segue.

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Nasci e cresci no Brasil; ia para a escola a pé e às vezes com um monte de amigos, e íamos rindo e papeando.

Não tínhamos bolsa família e nem vale gás. Não tinha google nem celular…

As pesquisas de escola eram feitas em bibliotecas (usávamos a Barsa, Tesouro da juventude, Delta Larousse, o Google da nossa época; escritas a mão (se estivesse igual ao livro, estávamos ferrados).

Na escola tinha o “Gordo”, o “Leitão”, Quatrolhos”, a “Branquela”, o “Neguinho”; tinha “Canela fina”, “Anão”, o “Narigudo”, a “Olivia Palito”, o “Cabeção”, a “Sukita”, “Porco da Índia”, “Chiclete” e por aí vai…

Todo mundo era zoado, às vezes até brigávamos, mas logo estava tudo resolvido e seguia a amizade… Era brincadeira e ninguém se queixava de bullying.

Existia o valentão, mas também existia quem defendesse; tinha o dia do flúor, dia da vacina…

Nossas férias começavam 1° de dezembro e retornávamos em (PASMEM) 1° de Março.

Tinhamos férias de 1° a 31 de julho.

Toda a semana, antes de iniciar as aulas, cantávamos o Hino Nacional com a mão no peito e com orgulho, e ai de quem cantasse errado, cruzasse os braços ou aplaudisse após cantar o hino. Cantávamos também o Hino da Independência e Hino à Bandeira.

Tinha o desfile de 7 de Setembro e a gente sempre querendo ser destaque…

O famoso “ki suko”, que com $0,10 centavos comprávamos ,era o único pó que conhecíamos. Fazíamos 2 litros com um pacotinho e, a língua ficava colorida por uns dois dias…

Tinha tbm o chiclete Ping pong.

Época em que ser gordinho(a) era sinal de saúde e se fosse magro, tínhamos que tomar o Biotônico Fontoura.

A frase “peraí mãe” era para ficar mais tempo brincando na rua e não no celular ou computador…

Colecionávamos figurinhas, papel de carta, boneca de papel.

As brincadeiras eram saudáveis, brincávamos de bater em figurinhas e não nos nossos professores. Jogávamos vôlei na rua e nossa aventura era tocar campainha e sair correndo…

Na rua jogar bola, pique esconde, queimada, namoricos, pega pega, andar de bicicleta, pular corda, elástico, bolinha de gude, finca, bet; todo mundo brincava junto e como era bom; bom não, era maravilhoso!

Que saudades dessa época em que a chuva tinha cheiro de terra molhada!

Época em que nossa única dor era quando usávamos merthiolate nos machucados.

Nossos pais eram presentes e a educação era em casa; nada de chegar ao lar com algo que não era nosso, desrespeitar alguém mais velho ou se meter em alguma encrenca (somente um olhar bastava ), e lá vinha o famoso e terrível EM CASA A GENTE CONVERSA.

E tinhamos hora pra chegar : entre 18 horas e 19 horas para tomar banho, com tolerância e NEM UM MINUTO A MAIS.

Tínhamos que levantar para os mais velhos se sentarem; almoçávamos e jantávamos à mesa, com todo respeito e educação.

Fico me perguntando, quando foi que tudo mudou e os valores se perderam e se inverteram dessa forma?_

apac94.fr

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2 respostas para

  1. Jorge de Azevedo Pires disse:

    Ao autor do texto: Gostei muito! Época de um passado sem retorno e muito bem relatado, que vivenciei em minha longínqua juventude e adolescência, pois, já ultrapassei os 90 anos. Parabéns!
    Jorge de Azevedo Pires – jorpires62@gmail.com

  2. Obrigada e, continue lendo o nosso blog…

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