Luiz Damasceno, o acervo memorialístico.

Conheci o Luiz Damasceno pelo intermédio do ator Paulo Hesse e do diretor de teatro Iacov Hillel; feliz encontro entre um grande artista e uma amadora de ARTE.

Espero que vocês o apreciem quando houver uma exposição de seus quadros em São Paulo.

Do meu lado o farei conhecer Juliette Singer, do Museu do Louvre, para tentarmos uma aventura por aqui em Paris.

Sucesso, amigo!

wilma

O acúmulo de referências ao talento de Luiz Damasceno remonta há décadas e para ser exato, um bom meio século desde a juventude dedicado às práticas artísticas. Artista múltiplo, desdobrou-se em sua já longa trajetória como cenógrafo e figurinista, mas ganhou notoriedade como ator obtendo no campo cênico honrosas premiações, premiações que também já o distinguiam em salões de arte nos anos 1960 em plena juventude quando então cursava a antiga Escola de Belas Artes da Universidade Federal de sua natal cidade de Porto Alegre onde foram seus mestres, dentre outros, a desenhista Alice Soares e a pintora Regina Silveira (abstracionista à época) e o jovem aluno recebe prêmio no Salão Cidade de Porto Alegre tradicional certame de arte moderna.

Nesse período realizou série de retratos e consta um curso com o renomado pintor e gravador uruguaio Luis A. Solari. Na passagem dos anos 1960 para 1970 e após receber o troféu “O Aldeião” em três categorias teatrais e haver somado em seu currículo criações para montagens de Cervantes e Sófocles, Luiz Damasceno entendeu que sua arena local se tornara pequena e resolve trocar de praça mudando-se incialmente para o Rio de Janeiro e posteriormente fixando-se em São Paulo. A partir destes postos atua em televisão e cinema e em montagens consideradas definitivas – apesar da finitude dos espetáculos – aliando-se ao polêmico diretor internacional Gerald Thomas e sua Companhia de Ópera Seca representando em Berlin e Nova Iorque. E, mesmo ao longo desse percurso, Luiz Damasceno jamais abandonou o desenho e a pintura e hoje, na maturidade, e com mais tempo para dedicar-se ao ofício, percebe-se que essa raiz teatral lhe serve de fonte inspiradora. Os personagens que povoam suas pinturas são matéria de sonhos, descrevem cenas que nos remetem a cenas teatrais, circenses, trazem um humor carregado de cores densas, dramáticas e ao mesmo tempo evidenciam um equilíbrio, uma poética refinadamente desenvolvida.

Talvez de seus antigos mestres tenha lhe restado a delicadeza remota do traço de Alice Soares, as manchas, as diluições abstratas de Regina Silveira e o surrealismo de Solari. Se isso ocorre, a mescla é tão sutil que não se sobrepõem, mas projeta – claramente – a riqueza de um universo com um acento pessoal fantástico que nos afirma seu estilo, estabelece sua linguagem pictórica. É um rico acervo memorialístico que emerge. Criado está o mundo de Luiz Damasceno e para isso valeu toda uma vida.

Renato Rosa
coautor do “Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul”.

PORTFÓLIO

Luiz Damasceno, o acervo memorialístico.

O acúmulo de referências ao talento de Luiz Damasceno remonta há décadas e para ser exato, um bom meio século desde a juventude dedicado às práticas artísticas. Artista múltiplo, desdobrou-se em sua já longa trajetória como cenógrafo e figurinista, mas ganhou notoriedade como ator obtendo no campo cênico honrosas premiações, premiações que também já o distinguiam em salões de arte nos anos 1960 em plena juventude quando então cursava a antiga Escola de Belas Artes da Universidade Federal de sua natal cidade de Porto Alegre onde foram seus mestres, dentre outros, a desenhista Alice Soares e a pintora Regina Silveira (abstracionista à época) e o jovem aluno recebe prêmio no Salão Cidade de Porto Alegre tradicional certame de arte moderna.

Nesse período realizou série de retratos e consta um curso com o renomado pintor e gravador uruguaio Luis A. Solari. Na passagem dos anos 1960 para 1970 e após receber o troféu “O Aldeião” em três categorias teatrais e haver somado em seu currículo criações para montagens de Cervantes e Sófocles, Luiz Damasceno entendeu que sua arena local se tornara pequena e resolve trocar de praça mudando-se incialmente para o Rio de Janeiro e posteriormente fixando-se em São Paulo. A partir destes postos atua em televisão e cinema e em montagens consideradas definitivas – apesar da finitude dos espetáculos – aliando-se ao polêmico diretor internacional Gerald Thomas e sua Companhia de Ópera Seca representando em Berlin e Nova Iorque. E, mesmo ao longo desse percurso, Luiz Damasceno jamais abandonou o desenho e a pintura e hoje, na maturidade, e com mais tempo para dedicar-se ao ofício, percebe-se que essa raiz teatral lhe serve de fonte inspiradora. Os personagens que povoam suas pinturas são matéria de sonhos, descrevem cenas que nos remetem a cenas teatrais, circenses, trazem um humor carregado de cores densas, dramáticas e ao mesmo tempo evidenciam um equilíbrio, uma poética refinadamente desenvolvida.

Talvez de seus antigos mestres tenha lhe restado a delicadeza remota do traço de Alice Soares, as manchas, as diluições abstratas de Regina Silveira e o surrealismo de Solari. Se isso ocorre, a mescla é tão sutil que não se sobrepõem, mas projeta – claramente – a riqueza de um universo com um acento pessoal fantástico que nos afirma seu estilo, estabelece sua linguagem pictórica. É um rico acervo memorialístico que emerge. Criado está o mundo de Luiz Damasceno e para isso valeu toda uma vida.

Renato Rosa
coautor do “Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul”.

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2 respostas para

  1. Cláudio Salvador Buono disse:

    Gostei de ler sobre Luís Damasceno. Da minha época na engenharia da URGS em Porto Alegre..

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