“Itaim-Bibi”; texto publicado no site https://www.facebook.com/groups/memoriaspaulistas/ e… José Horta Manzano para contrabalançar.

 

1950 - Bairro do Itaim Bibi. | São paulo, Fotos antigas de sp, Sao paulo  antiga

(Pinterest)

Edição Caminhando pelos Bairros – Itaim Bibi – O Bairro da Pedra Pequena

BAIRRO DE ITAIM BIBI

O nome do Bairro Itaim Bibi é bem interessante, em tupi-guarani Itaim – (Ithay); significa “pedra pequena”, e Bibi se refere ao apelido de Leopoldo Couto de Magalhães, político da época do império que foi um dos primeiros proprietários da região por volta do século XIX. Magalhães arrematou, em 1896, 120 alqueires de capoeiras e restingas, 80 de pastos e 30 de terras cultivadas. Segundo um mapa da época, o sítio se estendia das margens do Rio Pinheiros até onde, mais tarde, viria a ser construído o Parque do Ibirapuera, hoje um dos principais pontos de lazer de São Paulo.
A região onde se encontra atualmente o bairro pertencia a Bento Ribeiro dos Santos Camargo. Considerada varzeana, inundável e insalubre, a propriedade era usada apenas para a caça e pesca e tinha nas árvores frutíferas, principalmente as jabuticabeiras, uma fonte alimentícia para a família.
Apesar de não ter se casado, o general teve um filho, José Couto de Magalhães, com uma índia do Pará. Em 1898, com a morte do general, seu filho herdou o local As pessoas chamavam o bairro de “Itaim do Bibi” para diferenciá-lo de Itaim Paulista, com o tempo foi simplificado para Itaim Bibi e assim permanece até hoje.
Em 1907, Leopoldo Couto de Magalhães, irmão do general, comprou as terras por 30 contos de réis, fixando residência no lugar.
Bibi era como as escravas chamavam o filho do médico Leopoldo Couto Magalhães, dono da Chácara, que cresceu e virou o “Seu Bibi”. A palavra Bibi viria a acompanhar o nome do bairro antes chamado Rio das Pedras. A Rua Renato Paes de Barros se chamava Rua Bibi, em sua homenagem. A Rua João Cachoeira leva o nome de um escravo da família, que vivia cantando e contando casos por ali.
Casa Bandeirista do Itaim é uma construção representante típica, do período colonial brasileiro, localizada no bairro paulistano do Itaim Bibi. Tombada em 1982 pelo CONDEPHAAT, encontra-se hoje sob responsabilidade da Divisão do Patrimônio Histórico da prefeitura paulistana.
A casa se encontra até hoje fazendo parte de um centro comercial localizado na esquina da rua Iguatemi com av. Brigadeiro Faria Lima, mantendo inclusive algumas jabuticabeiras. Antes, por vários anos, tinha sido um sanatório (Casa de Saúde Bela Vista), fundado em 1927, pelo médico Basílio Marcondes Machado, onde doentes mentais ou dependentes químicos de famílias abastadas se tratavam.
Com o falecimento de Leopoldo, o local foi dividido entre seus herdeiros, Leopoldo Couto Magalhães Júnior, “Bibi” que era conhecido por possuir um dos primeiros automóveis da região e pelo hábito de usar boné de bico, continuou residindo na casa até a segunda metade da década de 1920.
O filho de Bibi, Arnaldo Couto de Magalhães, foi o responsável pelo loteamento da chácara. Na década de 1920, surgiram pequenos sítios de um hectare, vendidos a italianos vindos da Bela Vista/Bixiga, um bairro central. Eles produziam verduras e legumes para o abastecimento local e dos bairros vizinhos.
As terras foram vendidas e revendidas entre as décadas de 20 e de 50 e a ocupação da várzea, próxima ao Rio Pinheiros, propiciou a atividade de barqueiros, olarias e portos de areia, que forneciam tijolos e telhas para construções.
Itaim significa pedregulho/ pedra pequena, aquele rolado pelo rio, o seixo.
Além do bairro, dos pequenos seixos, do Itaim-mirim e do balanço do Itaim Bibi, os nossos índios habitantes de regiões com muitos rios e córregos cheios de pedregulhos, as denominaram de “onde o rio tem pedras pequenas, rolando, num vai-e-vem constante”, ou melhor Ita-I-bibi, sendo Ita (pedra) I (pequena) e Bibi, em tupi significando vai-e-vem;… a água de um tal rio tem “cor verde escura” e no seu leito encontramos, rolando no fundo, as “pedras pequenas”, num “vai-e-vem constante”; iguatemi em tupi significa ” água ou lagoa de cor verde escura”;… o sufixo í ou y, no final de substantivos, designando normalmente o rio de alguma coisa (Helcias B. de Pádua).
O Itaim Bibi de ontem e de hoje foi formado por paulistanos de coração: em primeiro lugar veio a família Couto de Magalhães, depois os imigrantes vindos de terras distantes, muitos do além-mar, como os chacareiros portugueses, italianos e espanhóis que se encantaram com o espaço próximo ao Rio Jurubatuba, atual Pinheiros.
Os anos se passaram, e tal qual São Paulo, o Itaim Bibi não parou de crescer, de se transformar e abrigar pessoas de todos os lugares, que aqui vêm em busca de moradia, trabalho ou lazer. Hoje é um típico bairro de São Paulo, uma metrópole dinâmica e vibrante.
Dia do bairro: 4 de outubro, conforme Decreto Estadual nº6731 de 4 de outubro de 1934, criando o Distrito de Paz de Itaim, em 1935 foi transferido para o Jardim Paulista.
A família que deu origem ao bairro inspirou nomes de ruas;
João Cachoeira — Filho de escravos, era agregado da família e muito querido pelos Couto de Magalhães
Amauri — Um dos herdeiros de Leopoldo Couto de Magalhães Júnior
Iaiá — Originalmente grafada “Yayá”, era a mulher de Agenor Couto de Magalhães, filho de Bibi
São Gabriel — O nome da rua e da igreja homônima homenageia dona Gabriela, namorada do general José Vieira
Localizado próximo aos bairros dos Jardins e Morumbi, o Itaim Bibi é hoje um bairro nobre. O seu núcleo inicial de residências, quitandas, açougues, padarias e farmácias se modificou progressivamente. O comércio ampliou-se, deixou de servir somente à região e passou a atender também outras áreas, perdendo sua característica de bairro popular e então nasceu o bairro verticalizado e repleto de atrações gastronômicas. Com diversos restaurantes de alto nível e bares de coquetelaria refinada em sua região é sede também de marcas famosas como Google, Louis Vuitton, Facebook, mas nem só de estabelecimentos famosos e conceituados vive o bairro – tem muita coisa legal e descolada que você ainda pode ser explorada por lá. Como outros bairros e regiões de São Paulo o Itaim oferece as particularidades que encantam seus moradores e visitantes, afinal é muita coisa boa junta.
Texto: Juliana Santos
Fontes: Nereide Schilaro Santa Rosa
https://www.prefeitura.sp.gov.br/…/bib…/annefrank/index.php…
https://vejasp.abril.com.br/cidades/a-origem-do-itaim-bibi
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E… para completar, o artigo do José Horta Manzano!

por José Horta Manzano

Faria Limer

José Horta Manzano

Até o começo dos anos 60, a Iguatemi, em São Paulo, era uma ruazinha de bairro, com uma fileira de bem-comportados sobradinhos de cada lado. Aquela região era um pouco afastada do centro.

Chegava-se lá depois de uma boa viagem desde o centro. Numa reminiscência do tempo em que o grosso da população vivia na zona rural, afastada do centro do povoado, o centro de São Paulo era chamado de “cidade”. “Hoje fui à cidade”, “Meu pai trabalha na cidade”, “Ah, pra comprar isso, só na cidade” – eram frases que se ouviam com frequência. Basta substituir “cidade” por “centro”, e o significado atual aparece.

A Rua Iguatemi era um pouco longe da “cidade”. Na euforia dos anos 60, decidiu-se que a expansão da capital seria direcionada para o oeste e para o sudoeste. Meio às pressas, sem grande planejamento, a (então) estreita rua Iguatemi foi escolhida como futuro eixo de circulação.

Mais de uma centena de propriedades foram desapropriadas para permitir o alargamento da rua. Ao final da década, apesar dos buracos que ainda obstruíam o leito carrossável, a nova avenida foi aberta. Em homenagem ao prefeito falecido pouco antes, ela recebeu o nome de Faria Lima.

Cinquenta anos mais tarde, os sobradinhos são apenas uma lembrança distante. A avenida está hoje coalhada de prédios altos que concentram empresas do setor terciário, como bancos, startups, empresas de informática, serviços especializados.

Já faz algum tempo que, num espírito oscilando entre admiração e galhofa, profissionais ligados a essas empresas de alto padrão são chamados de “Farialimers”. Alguns dias atrás, a imagem de doutor Guedes, nosso ministro da Economia, foi afixada em cartazes gigantescos, acompanhada da frase “Faria loser”, num evidente espírito de deboche que faz jogo de palavras mesclando o nome da rua e o termo inglês “loser” (=perdedor).

Passaram-se poucos dias. Refeitos do susto, autoridades (não sei quais, mas certamente com nosso dinheiro) mandaram cobrir as vergonhas da nação. Afinal, não se pode expor assim, de qualquer maneira, a inabilidade de um ministro.

A imagem que agora esconde o rosto sofrido do ministro é a de uma estranha bandeira brasileira. Digo estranha porque está fora das proporções oficiais. Não precisa ser doutor pra ver que o verde está espichado de um lado e do outro.

Os jornais dão hoje a notícia. Falam do cartaz jocoso que zombava do ministro. Falam da bandeira que substituiu a afronta. Ninguém, no entanto, se preocupou com o fato de a bandeira estar distorcida. A bandeira, minha gente, é símbolo nacional oficial. Seu desenho, suas cores e suas proporções são rigorosamente definidas em lei. A regulamentação vem do tempo dos militares, mas vigora, visto não ter sido abolida. Bandeira nacional não é pano decorativo. Como todo símbolo oficial tem de ser usada conforme manda o figurino. Em princípio, todo mau uso afronta a lei e está sujeito a punição. Mormente quando tiver sido orquestrado por autoridades, como parece ser o caso.

No entanto, no entanto, o pior passou em branco. A Folha de São Paulo, que publicou a foto da esquina com a bandeira e narrou a situação com abundância de detalhes, não deu muita importância ao que ninguém gosta de ver. Na foto da bandeira, bem no centro, aparece uma pobre criatura, um trapo humano, deitado na calçada da avenida. É visivelmente um morador de rua – perdão! um indivíduo “em situação de rua”, como a falsa pudicícia obriga a dizer hoje.

A brincadeira do “Faria loser” não passa de estudantada. A cobertura das vergonhas, apesar de ser mais truculenta e menos sorrisonha, também não mata ninguém. A verdadeira vergonha, que passou em branco, transparente como tudo aquilo que a gente não gosta de ver, é o cidadão estirado no chão, bem no centro da foto, como um traço horizontal a sublinhar o lema “Ordem e Progresso”. Certamente a criatura não está lá pelo prazer de dormir numa cama dura pra aliviar as dores de coluna.

Enquanto dramas como esse continuarem a passar despercebidos, quase como atrapalhando a foto, de pouco vão adiantar a crítica leve feita contra o ministro incapaz e a repressão peremptória da autoridade que prefere ver a parede limpa, mas se desinteressa da sorte da ralé.

Governantes – e povo – que dão mais importância à ilusão de muro impecável do que à feia realidade de um povo desgraçado não merecem dormir em colchão quentinho e macio.

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