Renato Castanhari Jr., nosso colega cronista


MEMORIES
por Renato Castanhari Jr.

Chega um momento desta nossa viagem que os dias ficam cheios de nuvens, o sol se esconde, o astral cai, e as memórias brotam, como uma reação automática do nosso sistema de autodefesa. Uma resposta do nosso corpo, para lembrar que nem sempre foi assim, tão pesado, arrastado.

E, como mágica, as cenas começam a se projetar em nossas mentes, sorrisos, abraços, mesmo de quem já nos deixou, partiu por vontade própria ou por obra de um acaso, uma luta perdida ou cansaço das fibras, do prazo de validade. Não importa, as cenas ficaram, marcaram, viraram patrimônio de vida.

Memórias. Existe bem de maior valor? Um café levado na cama, um por do sol que fez parar o carro no acostamento, a espera na fila de uma atração no Parque, a volta para a fila porque a atração era “demaissss” e você ouviu pedidos em coro “Vamos de novo?? Por favor!!!”. O som se perdeu, a cena não.

Memórias. Existe prazer maior do que ter o que lembrar de prazer vivido. Às vezes, no momento, não parecia tão importante, tão essencial, afinal, era comum, do dia a dia. Aí, o Senhor Tempo mostra sua força e deixa passar, para depois retornar como “memórias”, que deixou de ser comum para darmos valor. Um abraço de “oi” no pai, um beijo de “bom dia” no amor, se não tem mais, foi bom ter tido, foi bom ter vivido.

Tem vez que basta uma música, uma letra que teimou em acordar junto com você, e fica te cutucando, se mostrando presente, enquanto você escova os dentes, se enxuga do banho, coloca a roupa. Aí, a tecnologia facilita o serviço, a letra dá o “presente” na hora de digitar na busca do Youtube e você resgata a memória. Um simples cantar faz você viajar no tempo, buscar lá no fundo do seu baú mental, onde ouviu, com quem estava, se foi em um filme, em que cinema assistiu. E de carona, toda uma época vem te visitar, outros tempos, que o Senhor Tempo deixa mais leve, sem as nuvens e o sol escondido que certamente houveram. E junto pode pintar uma pergunta que desmonta qualquer viagem no tempo: e aí, valeu? Faria diferente?

Claro, nem toda memória tem pinceladas leves, belas, gostosas. Mas o Senhor Tempo, com toda sabedoria, faz amenizar, diminuir a dor daquilo que machucou, como um curativo com pitada de anestesia. Se quiser cutucar, mexer mais fundo, vai estar lá, ainda doendo, possivelmente. Vai depender do momento, da quantidade de nuvens, mas melhor não, certamente tem cenas melhores para dar um “play againSam”.

Memories. A vida é um baú de memórias, boas, ruins, nem tanto, não importa, o mais importante é estar com ele pleno e com espaço para encher mais, e mais, e mais. É o melhor sinal de que você rodou, caminhou, fez, produziu, gerou, tentou, tropeçou, levantou e seguiu fazendo memórias. Isso é viver, e nada importa mais, enquanto você consegue ainda encher o pulmão de ar, do que criar memórias. Mesmo que lá na frente, por essas coisas inexplicáveis do Gestor deste nosso game, você perca o registro dessas memórias. Acontece para muita gente, pode sim acontecer para você. Mas essas memórias acabam fazendo um backup na “Nuvem” daqueles que conviveram e compartilharam a sua presença. E se perpetuam. Pode acreditar.

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