Nosso colega Renato Castanhari Jr fala de seu amigo Peter


Peter (Pan)
por Renato Castanhari Jr.

Peter era um senhor já, rodado, com mais de 45 anos de estrada na publicidade, atendendo contas grandes, com verbas milionárias, que exigiam dedicação e equilíbrio para aguentar o estresse, a pressão por resultados, a responsabilidade pelo retorno dos investimentos dos clientes, a cada dia mais exigentes.

E a válvula de escape para este dia a dia de muitas cobranças era alimentar aquela criança que em muitos morrem com o crescer. Aquela criança leve, com suas futilidades infantis que permitem sonhar, brincar feliz, sem que o entorno desses tempos cheios de confrontos, exigências, disputas, o contamine e faça morrer o seu íntimo, envelhecido. Assim, em meio ao lançamento do novo modelo de carro, uma fugida para pegar uns Pokémons era mais do que saudável e necessário.

Dizem que a gente envelhece e para de brincar. Mas a verdade é que a gente para de brincar, por isso envelhece.

Peter fazia questão de não esconder esse seu lado, o que já havia rendido diversas piadinhas, bullyings para ser atual. Ele não ligava, e a sua performance profissional amenizava qualquer tipo de crítica dos sábios donos da verdade. Na verdade, muitos se divertiam e admiravam essa descontração deste idoso, um autêntico idoso irado, como chegou a ser apelidado. Peter não estava nem aí, já estava numa idade que não tinha espaço para esquentar com opiniões de fora, não jogava para a torcida, mas para atender ao seu íntimo, e essa criança guerreira não iria permitir que a matassem. Sua ex chegou a chamá-lo de “eterno Peter Pan”, como crítica. Ele entendeu como elogio.

Por tudo isso, não escondia que uma de suas viagens preferidas era ir para a Disney. Mais de 15 vezes, para os diferentes parques espalhados pelo mundo, com seus filhos pequenos, depois grandes, sozinho, com netos. Agora estava programando visitar o parque da Flórida que está comemorando 50 anos. Mas antes, precisava completar a promoção do Méqui que também participa das comemorações dos 50 anos da Disney dando 50 personagens em seu Mc Lanche Feliz. Aliás, colecionar bonequinhos do Méqui, do Burguer King, já era uma tradição de anos, bonequinhos sempre ligados ao cinema, personagens de filmes. A coleção é enorme e vive espalhada pelas prateleiras de sua casa, a maioria guardada em caixas, nos armários, até que ele consiga construir uma grande vitrine onde possa acomodar todos os bonecos.

A tarefa de conseguir os 50 personagens Disney do Méqui estava árdua, haja estômago para tantos Mc Lanches Feliz, e já há alguns dias ele havia optado por comer o lanche e junto comprar um ou dois bonequinhos. Não estava podendo mais ver o pacotinho de batata fritas, nem mesmo o Danoninho de sobremesa, que inclusive foi uma conta que ele atendeu durantes vários anos, o “Danoninho que vale por um bifinho“.

No final de semana, Peter foi com sua neta, de 5 anos, ao Méqui.

– Por favor, dois Mc Lanche Feliz, carne e queijo, suco de uva.

– E qual bonequinho vocês vão querer, perguntou a atendente para a neta do Peter.

– Melhor o meu avô escolher, ele é que sabe qual falta.

– Ahhhh, você não sabe qual está faltando?? Perguntou a atendente.

– Você pensa que o bonequinho é pra mim??? O bonequinho é dele, todos eles!!! Eu só vim fazer companhia e comer o lanche.

Esse é o Peter. Pan para os mais chegados.

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