Raul Machado: lindo poema esquecido no fundo da minha gaveta…

METAPOEMA

“                                                     Raul Machado

La pitia de Delfos – Naty Sánchez Ortega – Blog Ser mujer ayer y hoy

sermujerayeryhoy.com

La pitia de Delfos - Naty Sánchez Ortega - Blog Ser mujer ayer y hoy

Entre mim e o mundo

serpenteia

a palavra mais precisa

que meu olho

pois só vejo o que nomeia.

E o mundo só o sei

através dela

preso no emaranhado

de sua teia.

Ora é lente a aumentar-me

o espanto,

ora é névoa a turbar-me

o encanto.

Ao doce enlevo da rima

se rebela,

se faz ausente e vai habitar

um novo olho

outra mente,

ou se entrega fácil                                           E eu fico com os dedos

bela                                                        impotentes

com sofreguidão que mal                                a suspender o lápis

posso                                           sobre o exílio branco

acompanhar-lhe                                    do papel,

o passo                                         a guerrear em mim

e, num repente,                                                       este combate

se funde                                                 ingente

na multidão                                            sem pouso  sejo coisas inúteis

como equilibrar-me na balança

do viver, pondo, num dos pratos,

a desnecessária poesia,

no outro, as insubstituíveis

utilidades vividas.

Em minha cabeça,

uma idéia despertava

de um sonho bem dormido

que uma palavra cantava.

Fui logo registrá-la

no branco deserto do papel

mas, quase de imediato,

a idéia fez-se névoa

a palavra ensombreceu.

E o poema que eu sonhava

como a lua atrás da  nuvem

se escondeu.

Onde está? Onde  está

o poema que certa vez

minha mão quase prendeu?

Queria um poema transcendente,

para além do que a palavra diz,

que extraísse do meu íntimo

o desencanto de meu jeito de viver

e que plantasse um sentido diferente

neste torto poema que me fiz.

No meio do verso

tinha uma pedra

No meio da pedra

tinha um caminho

No meio do caminho

estava a palavra.

Nunca saberei

a palavra

do caminho

da pedra

do meio

do verso.

O texto é enganador,

ilude tão completamente

que transforma pro leitor

em verdade o que lhe mente.

E assim, neste intertexto,

insinua-se a questão

de saber se é só o contexto

que desvela a ficção.

Uma metáfora

alada

sem chão que a

sustente:

um véu.

Suspensa e fria

ausente

no céu:

só cor.

Meticulosa geo-

metria

do nada.

Andamos por aí,

vendo o que ninguém vê.

Dizem que somos videntes

ou até clarividentes,

quando o que vemos

é o nosso de-dentro,

pela imaginação enfeitado.

Ficamos assim sem jeito

e até nos orgulhamos –

o ego todo inflado –

de sermos bem-dotados,

como helênica pitonisa.

E por aí vamos,

refazendo símbolos gastos,

ressuscitando palavras,

velhos signos, novos sentidos,

somados às nossas vivências.

Pensamos ter importância

o que nos versos cantamos

quando nada mais importa.

Tudo muda, tudo passa.

Tudo morre à nossa porta.

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Paulo Cardim

CNE: educação presencial

12/07/2021 – Em Artigos

Blog da Reitoria nº 497 de 12 de julho de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

Uma Comissão Bicameral do Conselho Nacional de Educação (CNE) elaborou uma proposta de parecer e de um projeto de resolução com o propósito de estabelecer diretrizes nacionais para o retorno à educação presencial e a reorganização do calendário das escolas da educação básica e das instituições de educação superior (IES).

A proposta foi revista após receber sugestões dos conselheiros, de órgãos do Ministério da Educação (MEC), das escolas de educação básica e das instituições de educação superior (IES). Terminado esse prazo, a proposta foi levada ao Conselho Pleno (CP), no último dia 6. O CNE  deliberou sobre a matéria, com a aprovação do parecer e do projeto de resolução, encaminhado à homologação ministerial.

O parecer reconhece que o contexto atual é similar ao que orientou o CNE na aprovação da Resolução CNE/CP nº 2, de 10 de dezembro de 2020, que institui diretrizes nacionais orientadoras para a implementação dos dispositivos da Lei nº 14.040, de 18 de agosto de 2020, que estabelece normas educacionais excepcionais a serem adotadas pelos sistemas de ensino, instituições e redes escolares, públicas, privadas, comunitárias e confessionais, durante o estado de calamidade reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020. Essa resolução teve fundamento no Parecer CNE/CP nº 19/2020, aprovado em 8 de dezembro de 2020, reexame do Parecer CNE/CP nº 15/2020, aprovado em 6 de outubro de 2020, que dispõe sobre as diretrizes nacionais para a implementação dos dispositivos da Lei nº 14.040, de 2020.

O projeto de resolução reconhece que, no cenário 2021, “a situação da educação no país é de extrema gravidade. E mais: “Estudos indicam significativo aumento das desigualdades e da evasão escolar, além de elevados retrocessos no processo de aprendizagem e aumento do stress sócio emocional dos estudantes e respectivas famílias preocupados com o seu desenvolvimento futuro”. Esse fato é essencial para o retorno às atividades educacionais presenciais em todo o país, obedecidas as normas sanitárias dos diversos sistemas educacionais que cuidam da educação básica. Esses problemas socioemocionais são também graves na educação superior.

Por diversas postagens neste Blog, alertamos as autoridades educacionais para os problemas agora levantados pelo CNE e regulamentados pelo projeto de resolução. Esse projeto mantém em vigor: Parecer CNE/CP nº 5/2020, aprovado em 28 de abril de 2020, Parecer CNE/CP nº 11/2020, aprovado em 7 de julho de 2020 e Parecer CNE/CP nº 19/2020, aprovado em 8 de dezembro de 2020, além da Resolução CNE/CP nº 2, de 10 de dezembro de 2020.

Em síntese, destaco alguns aspectos estabelecidos para o retorno às aulas presenciais:

-respeito aos protocolos sanitários locais e prioridade ao processo de vacinação dos profissionais de educação;

-reorganização dos calendários escolares, considerando a flexibilização dos 200 dias letivos como definido no artigo 31 da resolução CNE/CP nº 2/2020;

– busca ativa de estudantes;

-avaliações diagnósticas para orientar a recuperação da aprendizagem;

-manutenção das atividades remotas intercaladas com atividades presenciais quando necessário;

  • adoção de estratégias de aprendizagem híbrida e uso de tecnologias para complementar as aulas presenciais.

Dois aspectos ‒ manutenção das atividades remotas intercaladas com atividades presenciais quando necessário; adoção de estratégias de aprendizagem híbrida e uso de tecnologias para complementar as aulas presenciais ‒ podem ser prejudiciais à efetiva educação presencial.

As atividades remotas podem eternizar o ensino a distância em cursos presenciais, enquanto houver indícios da contaminação pelo vírus. Fato altamente prejudicial ao processo de aprendizagem dos educandos. As escolas públicas não têm condições de oferecer aos seus estudantes condições adequadas de aprendizagem nessa modalidade.

O ensino híbrido já existe. É o apelido marqueteiro para ensino semipresencial, permitido pelo MEC deste outubro de 2001, quando o então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, autorizou, mediante a Portaria nº 2.253/2001, a inclusão de disciplinas não presenciais em cursos superiores reconhecidos. O total da carga horária das disciplinas oferecidas não poderiam exceder a 20% da carga horária  total do curso. Essa política evoluiu e hoje esse porcentual pode chegar a 40%. O ensino semipresencial ou híbrido é nada mais nada menos do que acombinação do aprendizado online com o off-line, para usar o inglês tão na moda no Brasil. Os teóricos da educação assimilam o ensino híbrido com o blended learning ou b-learning, que busca combinar práticas pedagógicas do ensino presencial e do ensino a distância, com o objetivo de melhorar o desempenho dos alunos em ambos os ensinos. O ensino semipresencial ou híbrido pode servir a cursos presenciais e a diversas metodologias ativas de aprendizagem.Os demais aspectos são essenciais ao retorno à educação presencial. Destaco, contudo, a “busca ativa de estudantes”. Algumas escolas e IES não usaram essa estratégia e a evasão escolar foi significativa. O acolhimento do educando é essencial, incluindo o suporte tecnológico, em particular nas escolas públicas da educação básica.

Mas temos que aguardar a decisão ministerial sobre a homologação do parecer e do projeto de resolução do Conselho Pleno do CNE, para que, a partir deste segundo semestre, voltemos plenamente às atividades educacionais presenciais. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, advoga a volta à educação presencial. Os nossos estudantes merecem esse esforço e dedicação à educação presencial de qualidade.

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Será que ainda existem mães assim ?

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Renato Castanhari Jr.

DIÁRIO DE BORDO “FAKE NEWS” por Renato Castanhari Jr.

– E aí, vacinado, tranquilo?

– Sempre tranquilo. Essa paranoia de pandemia nunca me pegou.

!!! Macho você!!!

– Não é questão de ser macho, é questão de ser culto, ler, saber história mundial, da humanidade!

!!! Sabidão você!!!

– Cara, o mundo sempre passou por pandemias, é cíclico. Faz parte. No século XIV a peste bubônica matou mais de 25 milhões de pessoas. Giovanni Boccaccio até escreveu sobre isso. Na verdade, seu livro, O Decamerão, foi composto por cem histórias contadas por um grupo de jovens que se abrigaram fora de Florença enquanto aguardavam o fim da peste.

!!! Otimista você!!! Se você vivesse nessa época não seria um dos 25 milhões de mortos?!

– Acho que não, eu estaria fora de Florença. E certamente, imune a fake news.

Fake News?? No século XIV?????

Fake News existe desde quando foi criado o homem. A primeira foi a que diz que a mulher veio de uma costela nossa.

– E não é verdade??

Ahhh, impossível, uma coisa tão gostosa, tão boa, não viria de uma costela como a sua ou a minha.

– É faz sentido…

Fake News, meu amigo, como muitas que estão pintando no meio dessa confusão. Acredita que na Índia teve uma que foi repassada pro mundo todo que a urina de vaca seria um remédio eficaz contra o covid. Se a vaca é sagrada, xixi dela é também. Eles tomam.

My Godinho!!

Hehe… e nos EUA chegaram a dizer que estourar plástico bolha poderia expor as pessoas ao coronavírus.

– Como???

– O pessoal que assopra poderia estar contaminado. Pode????

A minha prima estava usando o secador de cabelos no nariz porque disseram que o vírus morre exposto a uma temperatura acima de 56ºC. Depois viu que era fake.

– Secador no nariz????? E numa dessas, já passamos dos 530 mil mortos no Brasil.

Ahhh, mas aí tem um monte que morreu de outra coisa e atestaram covid.

– Até tem, mas 500 mil é 500 mil. Você não recebeu mensagem no zap que dizia, “Gente! O primo do porteiro aqui do prédio morreu porque foi trocar o pneu do caminhão e o pneu estourou no rosto dele. Receberam o atestado de óbito como se fosse a covid-19. Eles estão indignados”? Fake, mas circulou muito!!! Todo mundo tinha, no seu prédio, um porteiro que o primo morreu trocando pneu.

– O pior é que nós estamos em terceiro lugar entre os países que mais disseminam notícias falsas, do mundo! Entre as que foram checadas como falsas, claro.

– Com a tecnologia, ficou fácil plantar uma notícia falsa, e os políticos, os defensores dos seus bandidos de estimação, usam e abusam dessa nova arma, o que a OMS chama de “infodemia”. Aliás, estou vendo uma que não é falsa: você deu uma bela engordada, não??

Fui vítima de uma fake news, nessa pandemia.

– Como é que é????

– Falaram que a coisa ia ficar feia, lockout, os produtos iam acabar nos supermercados. Apavorei, corri no mercado, fiz compra pra seis meses.

– E?

– Comi tudo na primeira semana!!!

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Uma História Exemplar

Uma História Exemplar

A Educação Pública Paulista é uma rede que tem muito do que se orgulhar. Durante muitos anos a única formação propiciada às crianças era a dos esforçados jesuítas, expulsos do Brasil por Pombal. A partir daí, muito tempo se passou sem qualquer escola em São Paulo. Assim que proclamada a República, Prudente de Moraes quis evidenciar que a educação deveria ser uma política pública de extrema relevância. Foi assim que se procurou edificar um verdadeiro “Templo da Educação”, o majestoso prédio da legendária Escola “Caetano de Campos”. Símbolo de que a educação republicana seria universal, gratuita, plural e laica.

Desde então, quase seis mil escolas estaduais acolhem cerca de quatro milhões de alunos, complexo praticamente sem similar no planeta. Apenas os números da China poderiam se comparar com os nossos. Neste continente, não há quem nos iguale. Quantos milhares de educadores ofereceram sua vida inteira em prol da formação de várias gerações nessa História de sacrifícios, mas de muita glória. E cumpre manter viva a tradição, para que a memória desses feitos não pereça no oblívio que pode contaminar nações jovens como a nossa.

Para não deixar perecer essa história, a Secretaria da Educação vai implementar um Programa denominado “Memória Escolar, Educação e Patrimônio”, a partir da biografia do Patrono de cada Escola. O artigo 44 do Decreto 57.141, de 18.7.2011, atribui ao Centro de Referência em Educação “Mário Covas”, a missão de orientar os estabelecimentos de ensino para o desenvolvimento de projetos de preservação da sua história, da memória e do patrimônio histórico de cada um deles. Revisitar nossa trajetória no tempo fortalece vínculos e identidades, recupera o passado e fornece aos estudantes um valioso sentido de pertencimento.

Favorece a pesquisa que eles poderão fazer para reconstituir a vida do patrono, resgatando fotos, documentos, referências e tudo o que servir para evidenciar que o alunado tem razões de se orgulhar ainda mais de sua escola.
Todos estão convocados a participar desse enorme projeto, que é válido para reescrever a gloriosa História da Educação Pública bandeirante.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 18/08/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Educação sexual para crianças brasileiras e francesas

(Parodiando ” O por do sol” – de Ronaldo Azeredo)

rua rua rua sol
rua rua sol rua
rua sol rua rua
sol rua rua rua
rua rua rua
ruas

C O R P O  C O R P O  C O R P O  V I D A

C O R P O  C O R P O  V I D A  C O R P O

C O R P O   V I D A  C O R P O  C O R P O

VI D A  C O R P O  C O R P O  C O R P O S

sos-inceste-violences-sexuelles.fr

La prévention - SOS Inceste

Educação sexual

(wilma legris)

Um prurido no púbis; a menina coçou inadvertivamente e escutou da mãe:

-“Não ponha a mão aí que é feio!”

A menina, que coçava o nariz, os olhos, as mãos, os pés, a barriga, não entendia por que ali não podia.

Um dia a menina soube que o irmãozinho iria chegar no dia seguinte, mas a única coisa que lhe disseram era que a mamãe e o papai iriam buscá-lo no hospital.

Talvez o futuro-irmão estivesse doente, não é?

Quando o irmãozinho chegou, a troca das fraldas e a amamentação natural eram tarefas feitas à portas fechadas.

A menina nunca viu sua mãe nua, seminua, seu pai em cuecas e, tampouco, o seu irmãozinho assim…

Quando a menina deixou seus cinco anos para trás, percebeu que algumas mulheres tinham um ventre exacerbado, mas pensava que aquelas pesoas estavam doentes; ela tinha certeza que os bebês eram levados ao hospital pela cegonha, num país onde as cegonhas nunca apareceram!

Fazer xixi e fazer cocô era “urinar” e “ evacuar”, expressões faladas entre quatro paredes.

Jamais deveria ela mostrar suas calcinhas a alguém; quando muito ao doutor e, para dormir com pijama fechado, as calcinhas estavam por baixo…

Obrigatório era o uso de combinação e anáguas.

Sutiã era peça íntima jamais fora da gaveta e, nem pensar em usar um antes que se lhe fosse autorizado.

A menina também ouvia conversas cifradas entre vizinhas adultas, mencionando que a filha de fulana teve de se “casar às pressas,” seguidas da exclamação “coitadinha” aos comentários esdrúxulos que vinham em seguida… Teria sido porque ela se sentou inadvertivamente num banco sujo durante o trajeto de bonde?

E o que eram aquelas minitoalhas branca se manchadas de vermelho, largadas ensaboadas na beira do tanque? Guardanapos depois de um festim à base de macarronada? – mas não comemos macarrão ontem!

E por que não podia a menina sentar-se no selim da bicicleta ou deslizar pelas ruas num carrinho de rolemã?

Que coisa mais nogenta quando ela começou a crescer a que algumas de suas amiguinhas mais velhas tinham pelos pubianos e axilas fornidas; “posso ver? Me mostra?”

Quando os pais tinham uma ficha escolar para preencher e uma casa para indicar o sexo do aluno, ela perguntava o que era “sexo”; a resposta era ser menino ou menina!

Nas brincadeiras ela podia pegar nas mãos das meninas, mas recebia advertência se desse a mão a um garoto; beijinhos de “oi, como vai?” era apenas permitido entre elas.

Meninos “aproveitam” das meninas também era axioma da época.

A partir do Curso Giansial mocinhas e mocinhos não podiam conversar na escola.

Coisa indescente: a filha do vizinho de mãos dadas com o filho da outra vizinha… Devem assistir àqueles programas imorais da TV Tupi – “Papai sabe tudo” e “Alô, doçura” – aliás, por que papai nunca dava um beijo hollywwodiano na mamãe? Era sujo, não é? Como esses jovens que trocam o ciclete de boca ou aqueles velhos cospem no chão.

Nenhum mocinho deveria aparecer em casa, mesmo que a prima noivasse com o seu futuro marido apenas em presença dos pais; ficavam todos ali sentados, os quatro, sem discutir nada de nada e , depois, o rapaz ia-se embora até que se casasse com a coitada, que sequer era “coitada”!

Ginástica feminina, contorcionismo e balé eram indecentes, mostrando relevos corporais, abrindo pernas em grand écart, tocando-se os corpos.

Que imoralidade quando as braguetes tiveram seus botões substituídos pelo zipper nas calças masculinas…

E as calças compridas de hellanca portadas agora para as mulheres? Jovens querem vestir biquini? Maiôs brancos que molhados ficam transparentes? Que semvergonha essa tal de Brigitte Bardot! Você assistiu o filme do Bolognini onde o Marcello Mastroiani desempenha “ o belo Antonio”?

A menina não compreendia nada de nada do que se era dito, mas tudo era tão sussurrado, que alguma coisa de imunda estaria ligada ao assunto.

Aos treze anos as meninas de sua classe receberam um pacote de amostra-grátis de Modess, sem nenhuma explicação prática por parte dos fornecedores ou da professora; em casa o pacote foi diretamente para a gaveta com a lacônica frase de que “quando for hora eu te explico”…

E o que era aquela caixinha de fósforos sobre a mesa de cabeceira no quarto dos pais, onde no lugar dos palitos tinha um plástico desconhecido?

Por que junto aos remédios do armário do banheiro havia uma latinha com vaselina? Não era melhor colocá-la na mala de ferramentas?

Quando a menina ficou adolescente ouviu das coleguinhas na escola muitas histórias escabrosas sobre certas luas de mel. Que cachorrada! – Pior: as colegas que namoravam falavam em “beijo francês”, um ato absolutamente antihigiênico!

A guria cresceu mais um pouco e não entendia a razão de ficar tão atrapalhada quando estava no meio masculino; desconfortada, ela tinha algumas vontades inexplicáveis com aquele voluminoso espraiamento de feromônios à sua volta, mas jamais tomava a dianteira!

Sua primeira experiência sexual foi relativamente tardia, cheia de medos e desinformações.

Adulta foi morar na França: que diferença! Os casais se formavam e perduravam, mas os pares não se casavam oficialmente; as crianças nasciam e eram devidamente registradas com os nomes dos pais, mesmo sem cartório.

As meninas iam ao ginecologista desde as primeiras regras, acompanhadas de suas mães e eram iniciadas ao tratamento hormonal ainda que não tivessem namoradinhos; questão de saúde pública; não usavam Modess, mas tampões!

Poucos anos depois veio uma infecção que matava a todos os portadores de um vírus ainda desconhecido, o HIV.

O Estado fez o que pôde para alertar a população e entre outras medidas, aproveitou para colocar distribuidores de preservativos nas escolas.

A população não era mais somente de franceses da gema; muitos jovens eram de origem magrebina, com religião muçulmana e educação familiar incompatível com os costumes dos autóctones.

Grande quantidade de meninas, tanto francesas como magrebinas, conturbadas pelo apelo sexual da nova geração, ficavam grávidas precocemente.

Para controlar o problema o Estado colocou “a pílula do dia seguinte” nos consultórios das escolas, atendendo as meninas com toda discreção e longe das mães castradoras.

Cursos de educação sexual foram e são dados nas escolas, porque a Educação é laica.

As plataformas de embarque dos metrôs aproveitam o período que antecipa as férias de verão para colocarem outdoors destinados às crianças e aos jovens. Há alguns anos atrás deparei-me com um muito claro:

Mon  corps m‘appartient”– Meu corpo a mim pertence!  

O então recente cartaz, para evitar assédio entre jovens, foi midiatizado quando as feministas lutavam pela legalização do aborto instituída aos 17 de janeiro de 1975.

Ah! Se elas não estivessem presentes, principalmente em Maio de 68…

Também encontrei o outdoor fazendo a publicidade de um best seller local:

Por falar nisso, como vão as coisas aí no Brasil?

 

 

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Renata Pallottini e Nair Loschiavo, do outro lado do espelho

UM  DIA  DEPOIS  DO  OUTRO  UMA  DIA  DEPOIS  DO  OUTRO  UM DIA  DEPOIS  DO  OUTRO  UM DIA  DEPOIS  DO OUTRO  UM  DIA  DEPOIS DO OUTRO  UM  DIA  DEPOIS

UM DIA

DEPOIS  DO OUTRO

O OUTRO

                     SE ESVAI

                      SE   VAI

E OS OUTROS

FICAM À ESPERA DO SEU DIA

Em menos de uma semana duas amigas de origens diametralmente opostas me deixaram; o que teriam elas em comum?

Renata Pallottini, poeta, dramaturga e professora da EAD da USP, tinha a doçura de uma mãe ideal; depois de ler meu livro “Crime e castigo na Escola Caetano de Campos”, falou-me ao telefone de como deveria fazer da escrita uma verdadeira obra literária. Renata também estudou no IECC.

Estive com a mestra e com certos membros da Academia Paulista de Letras durante algumas das reuniões das quintas-feiras, e tanto ela, como a Anna Maria Martins tinham um cuidado especial comigo… Anna Maria segurava a minha mão e Renata fixava seus olhos nos meus enquanto conversávamos…

Além do mais tivemos amigos em comum: o Iacov Hillel, o Luiz Damasceno, o Paulo Hesse, o Mário Sérgio Loschiavo, o dr. Nalini, a Júlia Miranda, a Marilena Ansaldi.

Perdi muitos deles e, nesta maldita semana, foi-se a Renata e foi-se a Nair, por sinal, mãe do Mário Sérgio Loschiavo.

Nair não era atriz, diretora de teatro e nem intelectual; era a mãe que eu estava precisando ter na época em que a conheci; e adotei-a sem o menor escrúpulo!

Mário Sérgio era aluno do IE Caetano de Campos e morava na Bela Vista, como a Renata.

Meu irmão Paulo, o Paulinho, assim como vários colegas do IECC viviam mais na casa da Nair que nas suas casas: Albertinho Nakamae, Fernando Vignola, Marsiglia, Bargieri, Arismar Valente e… eu! – sempre recebidos com o maior carinho e a maior atenção.

Dediquei meu livro de “Memórias” à Nair , mãe do Mário Sérgio e da Cris, além, claro, de outras pessoas especiais, todas mulheres e todas importantes para mim (Sophia Hillel, mãe do Iacov, Lourdes Le Brun, mãe da Renée de Vielmond, Hewlayr Ferraz Hartley, mãe da Kathy e da Jeanny, Noemi do Val Penteado e Malu Schiesari, minhas mães espirituais).

Estou completamente órfã…

poesia.net 330 - Renata Pallottini
poesia.net 330 – Renata
Nair e Marina

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Mensagem criptada…

Ocultos por entre as palavras da enigmática carta publicada abaixo, estão os nomes de 11 estados e 13 capitais de estados brasileiros. Aos curiosos, José Horta Manzano deixa a tarefa de os descobrir.

Unidades Federativas do Brasil - Planos de aula - 4º ano - Geografia
planosdeaula.novaescola.org.br

“Brasília, 25 de abril de 1984

Amigo Iasias,

Respondo-lhe num recado simples, pois estarei com você no domingo, respirando a doce aragem da fazenda. Aqui em casa, todos brigam para acompanhar-me, parecendo a Torre de Babel em pleno século XX. Só vendo para crer.

O Vitor ia comigo, mas nesta semana, tal como na outra, terá provas na escola. Sob pressão, Paulo concordou em ficar em companhia dos irmãos e da mãe. Ele foi até a praia, onde sua mulher, Vilma, ceiou. Eu me aborreci ferozmente com todos esses acontecimentos e agora felizmente encontrei o consolo que me conforta, lezado que estava em minha tranquilidade. Pensei até em exasperar-me, mas bah!, ia ser inútil.

Das encomendas que você fez, mando-lhe somente resina e o inseticida para caju. Segue tudo sob a guarda do portador desta, que é João, pessoa contratada para a limpeza da lagoa seca. O restante levarei comigo.

Chegarei sábado à noite e pousarei na pensão Luisiânia, seguindo no domingo cedo para a fazenda.

É pensamento meu acampar aí bastante tempo (até a festa do Divino Espírito Santo), andar por toda a fazenda, para na volta fazer um balanço completo das atividades realizadas.

Compre-me um par de rubis para fazer brincos, para a mana usar no seu casamento. Como presente ao cunhado, ofereci festa de despedida de solteiro.

Um abraço do sócio e amigo,

Salvador Amin Assunção”

SOLUÇÃO DO ENIGMA
Brasília, 25 de abril de 1984
Amigo Iasias,
Respondo-lhe num recado simples, pois estarei com você no domingo,
respirando a doce aragem da fazenda. Aqui em casa, todos brigam para
acompanhar-me, parecendo a Torre de Babel em pleno século XX. Só vendo
para crer.
O Vitor ia comigo, mas nesta semana, tal como na outra, terá provas na escola.
Sob pressão, Paulo concordou em ficar em companhia dos irmãos e da mãe.
Ele foi até a praia, onde sua mulher, Vilma, ceiou. Eu me aborreci ferozmente
com todos esses acontecimentos e agora felizmente encontrei o consolo que me
conforta, lezado que estava em minha tranquilidade. Pensei até em exasperarme,
mas bah!, ia ser inútil.
Das encomendas que você fez, mando-lhe somente resina e o inseticida para
caju. Segue tudo sob a guarda do portador desta, que é João, pessoa
contratada para a limpeza da lagoa seca. O restante levarei comigo.
Chegarei sábado à noite e pousarei na pensão Luisiânia, seguindo no domingo
cedo para a fazenda.
É pensamento meu acampar aí bastante tempo (até a Festa do Divino Espírito
Santo
), andar por toda a fazenda, para na volta fazer um balanço completo das
atividades realizadas.
Compre-me um par de rubis para fazer brincos, para a mana usar no seu
casamento. Como presente ao cunhado, ofereci festa de despedida de solteiro.
Um abraço do sócio e amigo,
Salvador Amin Assunção
……………………………………………………………………………………………………………….


Olho vivo!
1) Para esconder Maceió (2° parágrafo), o verbo cear está mal conjugado.
Devia ser Vilma ceou, e não ceiou. Só que, se estivesse escrito certo, o
esconderijo de Maceió ia pro beleléu.
2) Para disfarçar Fortaleza (2° parágrafo), o adjetivo lesado teve de ser
escrito com z (lezado), o que não é correto. Há males que vêm pra bem:
a grafia incorreta serviu de abrigo para a capital cearense

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MARIAN BATTISTELLA

           HEMATÓFAGO

    (Soneto Clássico Personalizado)

Esperas que eu desconheça a tua

disposição natural para fraudar,

camuflando que és capaz de amar,

mas, odeias a verdade nua e crua.

.

Enquanto suga o sangue da criatura

que adormeceu, para ela não sentir,

o morcego hematófago, onde ferir,

abana com as asas a machucadura.

.

Meu sangue sugas, figurativamente,

e desejas silêncio respeitoso,

que ninguém comente teu lado ardiloso.

.

Contas com minha sonsice permanente,

e consegues simular até nobreza,

querendo que eu sublime tua esperteza.

MARIAN  BATTISTELLA

Nosferatu le vampire—Mucem
mucem.org

ASSISTA !

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Paulo Cardim

Pandemia X Educação presencial

05/07/2021 – Em Artigos

Blog da Reitoria nº 496 de 05 de julho de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

Andreas Schleicher, diretor de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em pronunciamento na semana passada, afirmou que o fechamento das escolas, desde 2020,  dependeu da capacidade dos sistemas educacionais. Registrou que o Brasil, ao lado da Colômbia, Costa Rica e México, é um dos países com mais dias sem aulas presenciais.

É sempre bom lembrar que o Brasil não tem um sistema educacional nacional. Tem o sistema federal, que administra as instituições federais de educação e as da livre iniciativa. A educação básica pública está entre aos sistemas estaduais e do Distrito Federal e, concomitantemente, aos sistemas municipais. Por outro lado, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cabe aos entes federados e municípios dispor sobre as regras sanitárias durante a pandemia Covid-19, incluindo lockdown sem distinguir a educação como essencial.

Schleicher afirmou que “de uma forma ou de outra, a pandemia causou interrupções nas escolas no ano passado, mas não há correlação entre a quantidade de infectados e os dias em que as escolas permaneceram fechadas. Em alguns países a pandemia foi terrível, mas as escolas ficaram abertas”. E alerta: “Episódios prolongados de fechamento de escolas podem aumentar as desigualdades se os governos não implementarem medidas para assegurar que todas as crianças tenham recursos suficientes para aprender em boas condições, principalmente em países onde fatores não escolares desempenham um papel importante nos resultados da aprendizagem”. O acesso às tecnologias digitais de informação e comunicação foi outro fator apontado como amplificador dessa desigualdade. Realça ainda o fosso entre as escolas públicas e as da livre iniciativa. É o caso do Brasil.

O Brasil é um dos Parceiros-Chave mais ativos da OCDE. O nosso país participa de múltiplos órgãos da OCDE  e é membro do Centro de Desenvolvimento da Organização, além de participar ativamente de seis fóruns e redes regionais.

Os dados trazidos pelo diretor de Educação da OCDE vêm reforçar a nossa luta pela volta às aulas presenciais, em todos os níveis educacionais. A resistência, contudo, tem vindo das corporações dos professores, como no Estado de São Paulo, por exemplo, com sucessivos  confinamentos, sem qualquer resultado na redução dos casos de infecção pelo vírus chinês.

O PL 5.595/2020, de autoria das deputadas Paula Belmonte (Cidadania/DF) e Adriana Ventura (Novo/SP), que dispõe sobre o reconhecimento da educação básica e superior, em formato presencial, como serviços e atividades essenciais, foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Agora tramita no Senado. Caso seja aprovado no Senado, com a mesma redação final aprovada na Câmara dos Deputados, creio que a educação presencial, em todos os níveis, não mais será incluída em medidas radicais, como o lockdown.

É possível que, no segundo semestre civil, com o avanço da rede de vacinação e de ampliação de outros meios de combate ao vírus, além do alerta do diretor de Educação da OCDE, os governos estaduais e municipais sejam mais sensíveis ao tomarem medidas restritivas e mantenham a educação presencial nas redes subnacionais.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, defendeu no último dia 1°, em uma audiência pública no Senado, o retorno às aulas presenciais. Afirmou, perante os senadores, que “O Brasil é, infelizmente, um dos últimos países do mundo a reabrir as escolas. E não há que se dizer que o assunto foi a vacinação. Acabo de chegar da Itália e, na Europa, os países estão retornando, alguns com porcentagem de vacinação inferior ao Brasil”.

Disse, ainda, que “há protocolos de biossegurança estabelecidos que reduzem riscos de contágio no ambiente escolar. Todos estes protocolos se baseiam fundamentalmente em distanciamento, uso de máscaras e de álcool em gel. Isso está mais do que sabido”.

A pandemia da Covid-19 e suas mutações veio realçar as fragilidades dos sistemas de educação básica pública e de saúde (SUS). Cabe aos sistemas subnacionais, incluindo os aportes financeiros da União, desenvolverem ações que possam dar a esses sistemas a qualidade que os seus usuários merecem.

É muito fácil responsabilizar o Presidente da República, enquanto governadores e prefeitos agem em sentido contrário aos interesses do povo, dos que mais precisam de sistemas de ensino e de saúde públicos de qualidade que reduzam ou eliminem as deficiências observadas neste ano e meio de pandemia.

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