A exposição de Cristiane Carbone no saguão do nosso teatro; na semana passada.

Foi aos 3 de outubro de 2017, no saguão do teatro Fernando de Azevedo, outrora teatro da nossa Escola.

A artista Cristiane Carbone apresentou suas telas acadêmicas sobre a São Paulo de antigamente apoiada em fotos antigas que dão o clima da nossa cidade e de nossos momumentos principais na época em que São Paulo tinha charme.

Ontem Cristiane inaugurou uma exposição no Zeffiro Restaurante e espera por vocês.

Abraços coloridos,

wilma.

10/10/2017.

Cristiane Carbone com nosso colega José Luciano Duarte.

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Cheguei!

 

Queridos leitores;

depois de uma estadia maravilhosa por Sampa, eis-me de volta ao lar.

Embora não tenha feito muitas fotos, transfiro-lhes aqui algumas delas; amanhã explorarei as imagens que me foram enviadas por Ana Brandão e Cristiane Carbone.

Boa noite.

Abraços projetados;

wilma.

09/10/2017.

 

Dr. Nalini

Maria Cristina Noguerol

Diana Vidal

 

Eu

Clarinda!

Clarinda Lima Mercadante

A. Prado, caetanista 63.

Coral de professores

 

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Volta ao lar!

Queridos leitores;

minha passagem por São Paulo foi curta no tempo e longa em emoções.

                         

Não pude ver todas as pessoas que amo e respeito pela exiguidade temporal durante minha estadia; no entanto desejo que aqueles entes queridos que não vi pessoalmente, saibam que estão todos no meu corção.

Viajarei amanhã para a minha “outra casa” e prometo escrever a cada um de vocês não apenas para pedir desculpas, mas para entregar-lhes novamente o meu coração.

Aqui tive dificuldade com a box e nem sequer o blog foi alimentado corretamente; ele vai entrar nos eixos em breve.

Agradeço a todos com os quais pude estar pessoalmente e, aos demais, com quem estive em pensamento.

Abraços paulistanos,

wilma.

07/10/2017.

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José Horta Manzano enviou-nos o artigo de Myrthes Suplicy Vieira publicado no BrasilDeLonge

À míngua

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Hoje minha alma acordou nublada. Uma sensação vaga de desconforto aqui, uma espécie de insatisfação ali, um certo desalento acolá.

Preocupada com tanta apatia, perguntei a ela: “O que está acontecendo com você?”

Ela respondeu num muxoxo: “Nada…”

“Como assim? Estou vendo que você está muda, murcha, acabrunhada”, insisti.

“Pois é.… parece que estou anestesiada…. Será que você não percebe que a causa do meu mal-estar é exatamente o fato de que não estou sentindo nada?”

A resposta me chocou. Num exame rápido, constatei que ela estava dizendo a verdade. Nada parecia ter a força de tocá-la, afetá-la, sensibilizá-la. Minha mente começou a divagar, tentando ajudá-la a identificar o momento em que ela perdeu o rumo e se deixou cobrir por uma grossa camada de indiferença. De onde vinha esse anestesiamento emocional?

Até ontem, ponderei, meu cérebro estava febril, correndo alucinado de um lado para outro, tentando estabelecer novas conexões, como nunca havia ousado antes. Eu estava até me sentindo orgulhosa desse arroubo juvenil tardio. Mas, pensando bem, havia algo mais no fundo da consciência que me incomodava. A sensação, recordei, era a de que não havia tempo a perder.

A taquicardia, a sensação de urgência e a inegável voracidade da procura bem podiam ser sinais de que a energia elétrica estava se esgotando em todos os meus circuitos cerebrais. Talvez, no desespero de chegar a algum lugar antes que o Alzheimer me pegasse, eu inadvertidamente tenha consumido toda a reserva de oxigênio disponível.

Mas, se isso era verdade, me perguntei, onde encontrar novos fornecedores desse combustível? A resposta explodiu como uma bomba em meu peito. Na troca com outras pessoas! Era dessa falta que tanto minha cabeça quanto minha alma se ressentiam, afinal.

Fez-se subitamente luz. Eu tinha passado as últimas semanas acionando todo mundo que se dispusesse a dialogar comigo sem compromisso, a pensar junto. Poucas, muito poucas pessoas reagiram bem ao convite. A imensa maioria simplesmente preferiu ignorar a solicitação. Sabe como é, o trabalho, o cuidado com a família e os imprevistos tomavam todo seu tempo.

Passei a procurar no mundo virtual algum estímulo minimamente personalizado que tivesse o condão de me retirar daquele tédio existencial. Tudo o que encontrei foram respostas prontas e genéricas, típicas de manual de autoajuda. Nenhum sinal de vida humana inteligente realmente interessada em indagar, especificar, relativizar, contraditar ou acrescentar ângulos pessoais para as minhas questões. Era como morrer de fome em meio a um festim pantagruélico. Tanto alimento para o pensamento e nenhum específico para o tipo de satisfação que minha alma buscava.

Lembrei da tese de um estudioso das conexões corpo-mente que dizia que a psique humana é como uma sanfona. Para produzir sons harmônicos, ela precisa ser capaz de se expandir e contrair totalmente, abrindo-se de forma igual para os dois lados. Se a vareta de um dos lados do fole está quebrada, já não é possível a plena expressão dos sons do lado oposto.

Em outras palavras, se a gente se recusa a vivenciar a dor, torna-se, sem querer, inapto para experimentar alegria. Se tememos ser tomados cegamente pelo rancor ou pela raiva, não conseguimos mais nos deixar inundar pelo sentimento de ternura. Talvez fosse exatamente isso o que os gregos queriam dizer quando afirmavam que só se conhece os sabores por seus opostos. Difícil de aceitar, mas só quem já provou do amargo pode conhecer o que é doce.

Seja como for, ainda me parecia que o que estava acontecendo com minha alma não era, em definitivo, a falta de variedade, de contraste. Ao contrário, lembrava algo mais próximo ao cansaço com tanto estica-e-puxa de suas fibras. Algo parecido com a sensação de déjà-vu diante de tantas manifestações de extremismo, passionalidade. Mais propriamente, era algo como uma vontade de se recolher, de passar desapercebida, de não incomodar.

Para quem ainda não chegou lá, eu explico. Na velhice, não é nada raro a gente se sentir como uma caixa colocada no meio da sala da casa de outras pessoas, que atrapalha a livre circulação dos moradores. E, como ninguém se preocupa em retirá-la do caminho, a gente vai acumulando pó. A sensação de não-pertencimento ao ambiente começa a causar deformações profundas na estrutura da caixa e, finalmente, a incapacidade de sentir prazer se instala.

Sem sombra de dúvida, concluo, minha alma está de volta ao limbo. Como dizia um amigo, já não importa se eu estou certa e o mundo errado, ou se é o contrário. Se sou minoria, sou eu quem tem de mudar. Alguém aí para me jogar uma corda redentora?

(*) Myrthes Suplicy Vieira, caetanista, é psicóloga, escritora e tradutora.

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Minha homenagem aos professores da ENC durante o encontro do 3 de outubro de 2017.

Homenagem aos professores da ENPraça

            A-AGRADECIMENTOS(José Renato Nalini/Eduardo Mosna Xavier/Maria Salles/Maria Cristina Nogueirol)

B-Como homenagear os mestres que dirigiram e/ou lecionaram na EN.da Praça quando em apenas 84 anos mais de 1.000 professores normalistas passaram por aqui?

Quanto a EN não nos esqueçamos que o Poder sempre incidiu no funcionamento da Escola e influenciou na escolha dos programas e dos seus conteúdos, na didática, escolhendo os professores e selecionando os alunos.

Foi a ENC que deu fama aos seus professores ou os seus professores que deram fama à ENC?

A ESCOLA e os seus PROFESSORES

                                  

             Antes de mudar-se para cá a EN ocupou espaços acanhados em locais diversos (ao lado da catedral, Academia de Direito, Tesouro Provincial) até poder instalar-se na Rua da Boa Morte.

                                        

 

O edifício de Ramos de Azevedo inaugurado aos 02 de agosto de 1894 havia sido planejado para atender aos cursos da EN e Anexas de Aplicação(Jardim, Primário e depois o Complementar) .

Os novos conteúdos deveriam ser aplicados por professores confirmados , estrangeiros e brasileiros ocupando espaços próprios à disciplina ensinada:

-ginástica moderna com professores italianos no Gymnasium anexo;

-música no antigo anfiteatro;

-artes aplicadas(escultura, modelagem, cestaria), no porão devidamente equipado;

-física, química e mecânica nos seus devidos laboratórios;

 

-psicologia, mais tarde, num gabinete especial.

 

Para mim a ENC a ENC viveu quatro períodos importantes:

 

  • 1894 até 1930, caracterizado pelo REPUBLICANISMO, exercido pelos governos presidenciais chamados “café-com leite”;
  • De 1930 até 1950, com Vargas e o Estado Novo;
  • De 1951 até 1963 – Euforia alternada dos Planos de Metas
  • 1964-1978, Golpe de Estado seguido de Ditadura militar.

 

  • De 1894 até 1930 – Republicanismo -Os Anos Áureos

O Largo dos Curros foi rebatizado “Praça da República” e ao invés da catedral, laicidade obriga, construiu-se ali uma escola que deveria servir de matriz à criação de outras escolas normais.

    Os diretores e professores da NOVA ENC se salientaram não apenas pela qualidade do ensino que destinaram aos alunos: deram-lhe reconhecimento local, nacional e internacional.

 

                 – Diretores de 1891(rua da Boa Morte) – 1928

1891-1898-Gabriel Prestes  normalista da ENC

1898-1901-João Alberto Salles

1901-1920– Oscar Thompson—diplomado pela ENC (1891) e Dr. Ruy de Paula Souza (bacharel de Direito)

de 1914-1920 – Oscar Thompson – Voltando ao posto.

1920-1921-José Augusto de Azevedo Antunes –diplomado pela ENC em 190

1921-1924– Prof. Renato Jardim

1924– Pedro Voss  diplomado pela ENC 1892

1924-1925-Prof. Arnaldo de Oliveira Barreto -diplomado pela ENC em 1891

1925-1928-Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim–diplomado pela pela ENC em1894.

1928-1930– Prof. Honorato Faustino de Oliveira- diplomado pela ENC em 1887

 

A elite culta de São Paulo tinha os olhos voltados para o que de melhor se fazia em Educação na Europa e nos EUA, levando em conta os pensamentos e teorias de Fröebel, Pestalozzi, Decroli, Dewey, pedagogos inovadores.

 

O deputado Gabriel Prestes havia indicado o médico Caetano de Campos, inspirado por aquelas novas teorias, para lecionar biologia na ainda ANTIGA ENC.

O governador Prudente de Moraes o havia nomeado diretor com a incumbência de começar a reforma do ensino público para modernizar a NOVA Escola Normal .

              Horace Lane, aplicador dos ensinamentos de Dewey na Escola Americana onde era o diretor, emprestou-lhe a professora Miss Browne.

Caetano de Campos faleceu prematuramente, Gabriel Prestes largou a deputação e substituiu Caetano de Campos:

1° – redigiu o Relatório Prestes de 1893, rico de tudo o que inovava o ensino estrangeiro da época;

-2° dirigiu a ENC.

O 1° diretor geral da NOVA EN contratou Maria Ernestina Varela, Ana Barros e Joaninha Grassi Fagundes ,os pilares do recém-criado Jardim da Infância.

Havia ali uma grande quantidade de material pedagógico de qualidade: livros e revistas estrangeiros traduzidos pouco a pouco pelos professores além de equipamentos europeus destinados aos laboratórios que o professor                Bourroul trouxera da Europa em 1891.

Os barões do café ocupavam o poder e detinham os meios de comunicação; eles não hesitaram em colocar ali os seus filhos.

Com a reputação em alta, alguns professores abriram cursos a domicílio; certos deles evoluíram em escolas particulares de grande qualidade:

Colégio Macedo Soares,

Liceu Pasteur,

Colégio Rio Branco,

Colégio Oswaldo Cruz.

Normalistas recém-formadas faziam o mesmo: Elvira Brandão e Ophélia Fonseca .

Bem mais tarde, à medida que essas escolas foram aparecendo, as crianças da elite partiam em sua direção, o que permitiu, aos poucos, uma diferente composição social dos alunos da ENC.

              Algumas famílias cultas paulistas se confundiram com os quadros da ENC:

Os Barreto, com

Arnaldo Oliveira Barreto, diretor geral da ENC e da Instrução Pública e seu irmão,

René Barreto, professor da EN

          

Os Macedo, Soares e Macedo Soares:

José Eduardo de Macedo Soares – um dos lentes mais importantes do 1° período da EN Praça, vindo da velhaEN;

-Rita de Macedo, casada com René Barreto, professora da Escola Modelo-Anexa;

-Felicidade Perpétua de Macedo, professora na Escola-Modelo e diretora da Escola Anexa do Largo do Arouche trabalhou por tres décadas na ENC.

Rosina Nogueira Soares, professora de trabalhos manuais era formada na Europa e, com Zelina Rolim, traduziu os textos estrangeiros contendo informações pedagógicas e didáticas que direcionaram o trabalho dos professores do Jardim quando foram publicados na Revista do Jardim de Infância. Nos anos 50, trabalharam no Jardim de Infância as professoras Cecilia e Maria Helena Macedo.

As Grassi Fagundes:

Joaninha, foi inspetora do JDI desde 1894 e e sua filha Heloisa dirigiu o Jardim por quase tres décadas.            

  1. A. Gomes Cardim pertenceu a uma nobre família, depois de sempre ligada à alta cultura, criadora do Conservatório Dramático e Musical de S. Paulo e da Escola de Belas Artes.

Seu sobrinho-neto, o Dr. João Gomes Cardim, normalista e médico de formação, foi diretor do IECC por duas vezes,depois de ensinar biologia no Curso Normal.

-O maestro João Gomes Jr ensinou música.

Os VOSS:

– Pedro Voss foi diretor da EN Campinas e de SP e chegou a diretor da Instrução Pública;Mario Voss, Emilia Voss trabalharam na Escola.

-Ênio Voss, professor de Educação Física nos anos 50, morreu dando aula diante dos alunos.

Todos esses elementos merecem a nossa homenagem assim como:

 

José Feliciano de Oliveira ( normalista de1887); se ocupava da estação meteorológica instalada na Escola, foi professor; entre outras disciplinas lecionou na astronomia, susprimida em 1911; por isso, partiu para a França para dar aulas na Sorbonne; tinha um observatório astronômico na sua casa na Rua D. Antônia de Queiroz e colecionava livros raros.

         

Sob a direção de Oscar Thompson destaco os italianos

Manuel Baragiolla e Maria Moretti, professores de ginástica moderna.

Estilo: “Color tone – neutral”

Em 1914, Clemente Quaglio trouxe outro italiano para a ENC,

-Ugo Pizzoli para que ele criasse o Gabinete de Psicologia Escolar.

Nos Anos Áureos a escola foi palco de de visitas de personalidades famosos:

Rodrigues Alves, oficiais do couraçado São Paulo, o rei da Bélgica, Theodoro Roosevelt, estudantes da Sorbonne, Georges Dumas, Paul Doumer, Assis Brasil, Eloy Chaves, João de Barros, Julio Ribeiro,etc..

         

II – VARGAS ( 1930-1950) – fim do republicanismo.

1930 é marcado pelo golpe de estado que colocou Vargas na presidência do Brasil em duas ocasiões terminando com o sistema de presidentes da política «café com leite».

Vargas se aproximou cordialmente da Igreja, afastada no poder desde 1889. Seu 1° governo era de fechamento democrático até que estourou a revolução constitucionalista  de 1932; no seu término foi necessário que surgisse um péríodo sui generis de “democratização” do Brasil. Os intelectuais aproveitaram a brecha.

Em 1934 o governo de Vargas apresentou o aparecimento de uma radicalização político-administrativa de caráter ideolólogico, com influências paradoxais da Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração facista, e da Aliança Liberadora Nacional (ALN), comunista.

O Estado Novo entra em vigor em novembro de 1935 e dura até o final dos anos 40. A escola em geral sofreu com isso.

                     Quadro III

Segunda República –Diretores da ENC de 1930-1950

 

1930-1933- Antonio Firmino de Proença– (ENC 1904-)

1933-1938-Dr. Fernando de Azevedo– (Direito 1918)

1938-1939-Antonio Firmino de Proença

1939-1947- Prof. Carolina Ribeiro –(normalista-1907)-

1948-1951-Prof. Francisco Cimino

A ENC ainda recebia e formava elites embora alguns de seus professores tivessem a intenção de dar instrução e educação de qualidade a todo povo brasileiro.

  1. FERNANDO AZEVEDO foi um deles; professor de latim e de psicolologia na Escola Normal em 1916, ocupou cargos importantes nas pastas da Educação paulista e carioca; foi diretor federal da Instrução Pública em 1930.

Depois da Revolução Constitucionalista de 32, Azevedo, Anísio Teixeira e          Lourenço Rodrigues publicaram o Manifesto Dos Pioneiros da Educação Nova ao Povo e ao Governo Vargas

Desde antes, em 1931, com a intenção de elevar os normalistas ao patamar da cientificidade, Fernando de Azevedo havia participado do projeto de criação do Instituto Pedagógico. Ele e outros normalistas professores da ENC escreveram inúmeros artigos no OESP sobre o projeto coletivo :

Almeida Jr,

Renato Jardim,

José Escobar,

Sud Menucci

Lourenço Rodrigues,

Paula Sousa,

Antonio Sampaio Dória,

Noemi da Silveira Rudolfer,

Roldão Lopes de Barros.

 

  1. ROLDAO LOPES DE BARROS cursou a Escola Secundária da Capital com o desempenho brilhante e foi nomeado professor para a cadeira de Psicologia da EN.

Reorganizou a Escola Normal Padre Anchieta.

A ENC passou a chamar-se Instituto Pedagógico em 1931, como objetivo aperfeiçoar professores, formar tecnicamente inspetores diretores e delegados de ensino.

A partir de 1934 funcionou no andar de cima da ENC, erguido para aquele fim e para abrigar a FFCL; ali Roldão iniciou seus trabalhos de orientação; lecionou no Liceu Pasteur e foi um dos fundadores, diretor e professor do renomado Colégio Rio Branco.         

  1. c) LOURENÇO RODRIGUES e CAROLINA RIBEIRO

Lourenço Rodrigues dirigiu a ENC no começo do século XX; reformador, editou o primeiro Anuário de Ensino do Estado de São Paulo e criou datas comemorativas que se perpetuaram no calendário escolar.

Apesar de republicano era católico praticante e isso o aproximou de Carolina Ribeiro, diretora auxiliar da Escola-Modelo “Caetano de Campos, depois nomeada diretora da EN de 1939 a 1947 e diretora- superintendente do Instituto de Educação “Caetano de Campos”; em 55 foi secretária de educação.

Trabalhou a maior parte do tempo num momento político pesado sob a tensão de todo o aparelho de repressão do Estado Novo.

Sua fé e a prática religiosa se refletem na militância em organizações dessa natureza como a Liga do Professorado Católico e provocou a sua aproximação direta com autoridades eclesiásticas do Estado; era considerada um baluarte da relação naturalizada entre ensino e religião.

O Centro de Puericultura foi reorganizado por ela, assim que a. Biblioteca Infantil, dirigida por Iracema Silveira por mais de 30 anos. Ali foi criado o           

Jornal “Nosso Esforço”que serviu de resistência enfrentando a imposição de modelos e nas relações conflituosas no interior da escola e o poder politico-institucional.        

O Lanche Escolar foi ideia de Carolina Ribeiro.

O auditório onde nos encontramos hoje nasceu graças a ela assim como as classes especiais para crianças deficientes-visuais e auditivas e as classes seletivas para os alunos mais brilhantes.

Sob a sua direção o Jardim da Infância continuou firme e forte; no curso primário reinava a ordem e a disciplina; nos demais cursos os professores concursados provinham principalmente da FFCL e fizeram longa carreira na ENC.

 

     

III – OS ANOS DA NOSSA GERAÇÃO.(em duas partes)

  • Quadro IV de 1950-1963

 

Mário Marques (1950-1951)

Carolina Ribeiro (1951-1954)

João Gomes Cardim (1955-1960)

Raul Schwinden(1960-1961)

Orestes Rosolia (1961-1963)

 

SP contava com de cerca de 1.300.000 habitantes, os quatrocentões e os representantes das 2ª e 3ª gerações de filhos de imigrantes europeus e asiáticos, de afro-descententes e de migrantes nordestinos.

Novos imigrantes europeus, fugidos da guerra, povoaram a capital. As cadernetas de chamada do IECC o provam.

Os integrantes do IECC filhos e/ou refugiados de guerra, geralmente vinham de meios sociais esclarecidos primando a cultura e a educação. No mínimo eram bilíngues e chegavam com forte cnhecimento geral colocando-se à frente dos alunos brasileiros.

Com eles integraram a Escola os descendentes de imigrantes do começo do século XX, principalmente italianos, que migraram para a classe-média; poucos negros estiveram na Escola.

Novos professores também já carregavam sobrenomes de origem estrangeira.

         Tudo corria bem e o dr. Cardim dirigiu a escola naquele momento, aproximando-se dos políticos.

Seus sucessores foram Orestes Rosolia e Raul Schwinden , presidente do sindicado dos professores do ensino público; surpreendido pelo Golpe Militar de 64.

Schwinden saiu e Cardim voltou à direção do IECC.

Ruptura!

O ensino continuava a ser de excelência no Jardim, sob a direção de Irene Vilhergas; no curso primário, reinava Corintha Accyoli, mulher de forte personalidade, contato fácil, amabilidade constante e muita competência para o cargo.

Homenageio todas as suas professoras, que foram nossas professoras primárias e estavam perfeitamente coordenadas, desempenharam seu papel com brilho.

Quadro – de 1964-1978

 

João Gomes Cardim (1964-1966)

Maria Helena de Figueiredo Steiner (1966-1967)

Yolanda de Paiva Marcucci ( 1967- 1971)

Fábio Barros (1972-1978)

 

O ambiente dos Anos JK se fechou a partir de 64 sob a pressão das Forças Armadas.

Cardim retornou e , depois dele ocupou a direção uma tecnocrata obediente, até a vinda do derradeiro Diretor Superintendente, formado em Educação Física pela Escola Militar; os políticos que eram vistos frequentemente na Escola foram substituídos por autoridades fardadas.

Uma setorização geográfica das Escolas afastou candidatos de outros bairros e privilegiou alunos morando nas imediações da Praça, o que coincidiu com uma nova clientela composta por filhos de militares transferidos para SP e instalados nas imediações do trabalho.

Coreanos também chegaram ao IECC.

Professores considerados nocivos foram afastados.

   –Corintha Acccyoli foi injustamente afastada da direção da escola primária.

-Vilvanita Cardoso de Faria, professora de português nos anos  60/70, soube na prisão que obtevera o 1° lugar no concurso para o magistério público de São Paulo.

Sylvia Aranha, professora de sociologia além de não se dobrar, nos incentiva à leitura de livros fundamentais e nos enviava ao Teatro Ruth Escobar para que assistíssemos a peça “Roda Viva; foi afastada.

-Carmen Lúcia Soares, jovem professora foi presa, torturada e desenvolveu um câncer precoce; faleceu jovem. Professoras mais moderadas também ocuparam lugar de honra na nossa memória:

Vera de Athayde Pereira, mulher livre, nos iniciava à leitura de jornais para nos submeter às provas mensais de Geografia e, depois do Woodstok e do Maio de 68 francês nos auxiliava psicologicamente com aulas de educação sexual; teve um câncer fulminante.

-Antonia Aparecida Palu, outra professora remarcável, nos levava aos museus, galerias e bienais e nos trazia críticos de arte e galeristas para ilustrar suas aulas de desenho.

A Escola refletiu esses momentos de angústia, molestando professores por questões ideológicas, jubilando alunos diretamente ameaçados pelo assistente de direção; os mestres fizeram o que melhor puderam.

Nos anos 70, o Secretário da Educação, José Coutinho Nogueira tencionava sabotar o palácio onde estamos agora para aqui colocar a estação do metrô, encimada por um dantesco projeto imobiliário.

 Sob a bandeira de Modesto Carvalhosa ex-alunos se mobilizaram e o prédio foi tombado, no bom sentido da expressão, abrigando até hoje a Secretaria da Educação.

Que se incluam nesta homenagem todos os nossos melhores mestres.

Aos antigos professores e seus representantes aqui reunidos, o meu agradecimento.

 

Aroldo Paiva

Adelaide Acaracy

Caldeira Filho

Carlos e Walburges Casagrande

Clarinda Lima

Clotilde e Olinda Pinto de Miranda

De Chiara

Edith e Eneida Leme

Elza Frazão

Elza Marques

Ernestina Ippolito

 Felipe Jorge

Iracema (de francês e gin.)

José Pastore

Judith Pereira

Lucia Helena Cottomaci

M. Luiza Mistrorigo

Marina Ribeiro Leite

Mario Biral

Minervina de Macedo

Nair (dos Santos e Geribelo)

Nobreza 

Oswaldo Laurindo

Palu

Ramiro Catulé

Raphael Grisi

Roberto Brolio 

Rosalvo Flores

Ruy Botti Cartolano

Sylvia Galvão

Suzana Bretas Cintra

Suzana Paula Santos

Vizzioli

Wilma Bozzo

Yole Trindade.

A LISTA É LONGA!

E as colegas que ensinaram no IECC:

Arlete Varkalla

Elenice Ferreira  

Ethel Koyranski

Maria L. Camargo França

Regina Sacani Gass

Victoria Brandão

Um grande obrigada a todos. Vocês foram perfeitos!

 

Quadro

wilma schiesari-legris

ieccmemorias.wordpress.com

w.legris@gmail.com

 

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Jornada feliz; cultura e encontro na Secretaria da Educação.

Secretaria da Educação de São Paulo, aos 3 de outubro de 2017.

Tivemos dois encontros no auditório da Secretaria da Educação, aquele teatro construído por dona Carolina Ribeiro nos anos 30 e que serviu para receber palestras, concertos, peças de teatro e para as nossas cerimônias escolares quando ali ainda funcionava o Instituto de Educação Caetano de Campos.

O primeiro evento teve como tema “Encontro de Memória, Educação e Patrimônio”, sugerido pela professora Maria Cristina Noguerol, que nos apresentou o Acervo Caetano de Campos*(1) e convidou um grupo de universitárias*(2) introduzidas pelo professor Luiz Cândido Maria; as doutoras nos fizeram apresentações individuais, salientando o papel de quatro personalidades femininas na Educação.

Foram retratadas:

  • Ilka Laurito, inovadora da Educação paulista através da criação de um cine-clube dedicado aos alunos do Instituto de Educação da Praça pelo qual as crianças tinham acesso a filmes franceses, americanos e brasileiros e poderiam desenvelver um senso crítico sobre o conteúdo das imagens.

Como fato anedótico, lembrei-me de um estágio pela Escola Normal Supérieure de Saint Cloud que fiz nos fins dos anos 70 onde a atividade fílmica e de TV, feitas com alunos de certas escolas francesas, extrapolava a projeção e a crítica de uma obra, mas levava os jovens à criação da imagem em tudo que o processo provoca e induz, despertando-lhes um espírito crítico sobre a intencionalidade e pertinência de imagens vistas mídia…

Dona Ilka teria amado poder fazer o mesmo…

  • Alice Meirelles também foi homenageada pelo desempenho que teve no Jardim de Infância da Escola Normal da Praça nos anos 20/30, inovando suas aulas com atividades extra-classe que ela documentava no intuito de deixar uma marca aos futuros professores.
  • Noemy da Silveira Rudolfer também foi homenageada por tersido uma mulher pioneira da Educação, abrindo espaço para outras na vida pública. Sua biografia se encontra no blog; confira!
  • Carolina Ribeiro teve muita importância tanto como diretora da Escola Modelo Caetano de Campos, quanto na superintendência do Instituto de Educação e, em 1955 acedeu ao cargo de Secretária da Educação. Como sabemos, ela criou o jornal Nosso Esforço, reformou o Centro de puericultura, construiu o auditório da nossa Escola, criou o Lanche escolar, tendo que suportar as tensões afligidas à sociedade e à escola durante o Estado Novo.

Durante a tarde o clima foi um pouco mais descontraído, com uma palestra interessantíssima da doutora Diana Vidal, colocando a intenção do Poder durante o Republicanismo ao documentar nossa escola sob todos os ângulos (arquitetura, espaços destinados a certas disciplinas, material didático de primeira grandeza, abundante, importado da França para equipar os laboratórios, quadros parietais, mapas, globos, esferas amilares, etc) – tudo significando a GRANDEZA do projeto inicial da Nova Escola Normal.

Interessante e emocionante foi o depoimento de Clarinda Lima Mercadante, nossa jovem professora de ciências, que justamente descreveu o material centenário utilizado ainda em suas aulas e que, graças ao CRE M.Covas se encontra devidamente catalogado e, no acervo, espera por uma exposição nas salas do Acervo Histórico da Escola Caetano de Campos, que se encontra no andar térreo da Secretaria da Educação.

 

*(1) Aguardem uma reportagem sobre o Acervo

*(2) Diana Vidal – coordenação; Raquel Duarte Abdala e outras.

PS: amanhã colocarei fotos interessantes.

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Ivan Varela, neto de Caetano de Campos

Ivan Varela mora na Normandia mas não se esquece da gente; enviou-nos esta foto dos bons tempos de IECC.

Obrigada, Ivan.

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