Myrthes Suplicy Vieira: o homem é lobo do homem…

Um por todos, todos por um

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Minha mãe tinha razão: sou mesmo uma pessoa do contra. Talvez por ser canhota e me ver forçada a reinterpretar imagens em espelho, quase nunca resisto ao impulso de priorizar o lado do avesso na análise dos eventos externos e das emoções que eles despertam nas pessoas normais.

Com a Copa do Mundo de futebol, não foi diferente. Apesar de não ter acompanhado nenhum dos jogos por inteiro e não ser capaz de avaliar tecnicamente o desempenho de cada time, experimentei uma sensação de forte alívio quando o Brasil foi desclassificado e não se registraram reações em massa de fúria dos torcedores brasileiros. Pouquíssimas pessoas de que tenho notícia se deram ao trabalho de culpar o técnico ou a falta de garra de nossos jogadores. Ao contrário, todos os que criticavam a alienação do brasileiro médio ficaram sem interlocutor ao constatarem que a maioria absoluta dos torcedores abriu mão da tradicional passionalidade esportiva. Sinal de maturidade?

Acredito que sim. Ao longo de toda a competição, um fenômeno já vinha chamando minha atenção: todos os ídolos, individuais ou coletivos, mostraram ter pés de barro e foram caindo, um por um. E, assombrosamente, mesmo assim, não sobrou muito espaço para vergonha. O humilde reconhecimento da superioridade do adversário foi, para mim, a grande novidade e a mais agradável das surpresas desta Copa. Concluí que o tempo das seleções de um só homem havia acabado. Outro bem-vindo sinal de aprendizado e amadurecimento? Tomara que seja.

No mesmo sentido, quando, em junho de 2013, pipocaram as primeiras manifestações gigantes de rua, meu coração explodiu de felicidade. Depois de décadas de paralisia, senti que estávamos finalmente nos apropriando do destino do país. Pela primeira vez, reivindicávamos a soberania popular para determinar os rumos que as coisas deveriam tomar mesmo nos assuntos mais comezinhos da nação. Aprendíamos na prática que, sem povo, não há democracia.

A profunda cisão esquizofrênica que se seguiu não esmoreceu meu ânimo. Achava – e ainda acho – que esse era o preço a pagar por termos sido secularmente carneiros conduzidos por gulosos lobos a pastos secos e sem fontes de água. Inevitável que, na ausência de pastores confiáveis, o rebanho se dividisse e hesitasse em qual direção seguir. Tudo o que ansiávamos naquele momento era nos afastar das alcateias, ainda que não soubéssemos discernir de pronto quem era lobo em pele de cordeiro e quem era cordeiro em pele de lobo.

Reduzidos ao nosso tamanho original, estamos agora inexoravelmente nos debatendo com as contradições da pátria sem chuteiras. Nossas graves deformações políticas e judiciárias, assim como nossa falta de infraestrutura cidadã, já não podem ser disfarçadas com nenhum photoshop. A hora agora é a de assumir, para consumo interno e externo, que somos menos belos, menos cordiais e menos inventivos do que julgávamos ser. Um fantástico avanço para a alma nacional, já que a maturidade psicológica pressupõe o fim das ilusões de onipotência.

Sinto que o que está em jogo neste momento ‒ não só no Brasil, nem só na América Latina ‒ é uma quebra de paradigma. Do poder central forte, do sistema de dominação autocrática, estamos migrando para um processo de horizontalização de todas as decisões. Todas as hierarquias estão sendo abolidas, todas as lideranças estão sendo contestadas e todo voluntarismo estrebucha em agonia. O tecido social agora esgarça no sentido vertical porque ainda não havíamos nos dado conta de que era preciso reforçar as fibras horizontais. Com isso, acabamos perdendo flexibilidade nas articulações políticas, religiosas e sociais. Literalmente, dobrar os joelhos diante da autoridade ou cruzar os braços na eventualidade de um impasse passou a ser cada dia mais difícil.

Que tempos de muito choro e ranger de dentes ainda estarão pela frente, não há como duvidar. O que colocaremos no lugar das lideranças? Em quais pares poderemos depositar confiança? Se não há mais um líder de matilha inconteste, como lidaremos com o dissenso daqui por diante? Será que estamos fadados a descobrir mais uma vez que o homem é o lobo do homem?

Não tenho resposta para nenhuma dessas questões, mas não acredito no aprofundamento das lutas fratricidas. Quero acreditar que, por puro cansaço de esperar por um grande pai capaz de colocar todos os conflitos em pratos limpos, surgirá no horizonte algum sol de convivência respeitosa com a frustração.

Seja como for, aguardo esperançosa a emergência de novas utopias. O cooperativismo, minha utopia pessoal, é apenas uma das formas que encontrei de apostar na tese de que todo caos é criativo. Se ela se mostrar inviável e se as alternativas falharem, nem tudo estará perdido. Ecoando o pensamento de Eduardo Galeano, manifesto amorosamente a crença de que a função crítica de toda utopia é a de nos forçar a caminhar.

(*) caetanista, Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

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“Eu não quero ter razão; eu quero ser feliz”.

 

Blog da Reitoria nº 351, de 9 de julho de 2018

Por Prof. Paulo Cardim (além de reitor da BL, é caetanista da gema)

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“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Muitos dizem que a felicidade não é deste mundo. Outros, que a felicidade não existe. Para o poeta Vinícius de Moraes “Tristeza não tem fim. Felicidade sim”. E, em quatro versos, diz, desiludido:

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.

Ninguém nasce feliz ou infeliz. Nasce ingênuo, um diamante a ser burilado, educado, no lar, na escola, na vida.

A felicidade é uma escolha. É o que nos ensina Frédéric Lenoir, filósofo, sociólogo e escritor: “ser feliz é aprender a escolher – escolher os prazeres, os amigos, os valores sobre os quais queremos estabelecer nossa vida”. Conforme os caminhos que escolhemos e trilhamos, a partir da idade em que o ser detém as condições de caminhar com as suas próprias pernas, vamos “chegar lá”. A idade física é relativa. Há adolescentes com quinze anos que mentalmente estão com vinte, outros com dez.

O desenvolvimento da felicidade tem por base o Amor, como ensinou e exemplificou Jesus Cristo há séculos. Na prática, significa não fazer aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem ou fazer aos outros o que você gostaria que lhe fizessem. Nessa máxima cristã não vale o “faça o que digo e não o que faço”. Essa é uma frase e uma postura hipócrita, inconcebível para Educadores.

A felicidade também é construída, ao longo dos anos, como ensina o Educador Rubem Alves, com os sonhos, o “saltar sobre o vazio”, não ter medo de quedas, de errar. É uma construção muito pessoal e solitária, apesar da multidão. O outro pode influenciar, mas não há professor que ensine essa disciplina. As potencialidades inatas são forças invisíveis que trabalham a favor de nossas escolhas.

Estamos na era planetária. A felicidade, embora de construção individual, não pode desprezar o entorno: família, colegas de escola e/ou do trabalho, de práticas esportivas, de entretenimento, amigos e até possíveis adversos. Resiliência e empatia são ferramentas indispensáveis nessa jornada individual, rumo à felicidade.

Sei que é difícil e intrigante definir e abordar a intangível felicidade. Para o ser humano, em geral, somente as coisas reais, tangíveis, que se pode mensurar, tocar, são as verdadeiras. É o “ver para crer”. Mas a felicidade pode ser sentida, um sentimento simples, como define a cronista e escritora Martha Medeiros: “A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”.

A escola, de qualquer nível educacional, deve ser um ambiente de aprendizagem feliz, aprazível, gostoso de se viver, de se relacionar. Os estudos em grupo, as metodologias ativas, os ambientes de convivência são espaços alternativos para o desenvolvimento das ferramentas que geram a felicidade, no sentido lato sensu da palavra. Nesses espaços, educandos e educadores, funcionários e gestores acadêmicos, nos mais diversos setores, têm a oportunidade de vivenciar a diversidade, a igualdade, dialogar e divergir, sem gostar menos, testar a resiliência e a empatia. Buscar a felicidade deve ser a meta de todos os seres humanos, de qualquer gênero, cor ou raça, condição social ou econômica. É e sempre foi a minha meta.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São PauloRésultat de recherche d'images pour ""Eu não quero ter razão; eu quero ser feliz"."

FERREIRA GULLAR

“Sou surreal demais para fugir do real” (Ferreira Gullar)

Entrevista a Cristina Ramalho Foto Nana Moraes

“Não quero ter razão. Quero ser feliz” – a mensagem em letras coloridas está impressa no copo de plástico barato, numa prateleira da sala de Ferreira Gullar. A frase do próprio poeta caiu literalmente na boca do povo, e além de copos, aparece em e-mails, capas de agendas, na roda de amigos no bar que depois de um pilequinho se abraçam jurando amizade eterna. Ganhou fama pela espontaneidade com que foi dita, na Flip de 2006, em Paraty. Gullar debatia sobre conflitos com o poeta palestino Mourid Barghouti, e de repente, para não criar um clima tenso, fugiu pela tangente com elegância poética. “Eu contei uma história. Que um dia briguei com a minha mulher, a Claudia, teimei em ter razão, mas percebi que ia ficar sozinho. Peguei o telefone e disse a ela que não quero ter razão, quero ser feliz”. O palestino ficou, claro, sem resposta.(in: RAMALHETES – WordPress.com)

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1962 – O primeiro ano do Clássico no IECC

1962 Clássico foto de turma-01

Queridos leitores:

Esta página ainda é um esboço do que desejo publicar e, conto com a sua colaboração, para torná-la mais completa.

Pouco a pouco as novas informações serão acrescentadas ao texto, ainda incompleto, que se situa abaixo.

Abraços desculpados;

wilma;

09/07/2018.

A primeira turma do Clássico do Instituto de Educação Caetano de Campos era reduzida, com apenas sete rapazes: Álvaro Rolim Neves,  Dilermando Cigagna Junior, Heraldo Jubilut Jr., José Horta Manzano,  Newton Russo (hoje falecido), Nicolau Elias Moufarrej (hoje falecido),  e  Pérsio Martins Muniz Jr. (hoje falecido).

JHM

O que sabemos sobre eles?

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Formou-se advogado, porém nada mais encontrei que notas de andamento de processos.

Foi o organizador do encontro comemorativo dos 50 anos de formatura, em 2014.

 

Dilermano Cigagna Jr.

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Quanto a esse nosso colega, o site http://pt.wikipedia.org/wiki/Comando_de_Ca%C3%A7a_aos_Comunistas , citando outro site segundo o qual lemos na revista O Cruzeiro, de 1968: – Dilermano fez parte do Comando de Caça aos Comunistas, o CCC; “morava na Rua Manacá. “Só batia pelas costas. Fugia do corpo-a-corpo e se atemorizava à menor reação da vítima. Considerado elemento improdutivo. Formou-se em Direito, na turma de 1969, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Famoso por ter conseguido para a ex-mulher do empresário Flávio Maluf a maior pensão já estipulada pela Justiça brasileira, ficou conhecido como o “advogado das pensões milionárias”. Casado com uma advogada dezoito anos mais jovem, gosta de investir em bons vinhos, viagens e obras de arte. “

Ainda podemos ler:

“A carreira de Dilermando Cigagna Júnior, 62 anos(em 2005 – nota minha), pode ser dividida em antes e depois de Jacqueline Coutinho Torres. Em 2007, ele conseguiu para a ex-mulher do empresário Flávio Maluf, filho do deputado federal Paulo Maluf, uma pensão alimentícia de R$217 mil mensais, a maior já estipulada pela Justiça brasileira. “Minha estratégia foi comprovar que ela precisava disso para manter o padrão de vida da época do casamento”, conta. Pouco mais de um ano depois, o valor foi revisto para cerca de R$100 mil, mas Cigagna ficou com a fama de “advogado das pensões milionárias”. Atualmente, 70% de seus clientes são mulheres. “Se percebo que o marido está tentando esconder o patrimônio para não ter de dividi-lo com a ex, peço um arrolamento de bens e entro com uma ação para colocar um administrador judicial na empresa e evitar o desvio de dinheiro”, afirma.

Ele também costuma ser implacável em ações de investigação de paternidade. Livrou o apresentador Silvio Santos de duas. “Botei minha equipe para vasculhar a vida dos supostos filhos e consegui encontrar seus verdadeiros pais”, lembra. Cigagna cobra até 60.000 reais para fazer uma defesa. Casado com uma advogada dezoito anos mais jovem, gosta de investir em bons vinhos, viagens e obras de arte. É tido como piadista por seus colegas, apesar da cara de mau que faz nos tribunais.”

A Internet nos informa que Dilermano escreveu para a revista Istoé-Independente, em uma coluna especializada em dinheiro rural e geral.

Transcrevo a matéria de Luis Nassif Online, do site http://advivo.com.br/comentario/advogados-do-ccc-querem-censurar-a-wikipedia:

(…)

“Quando surgiu o CCC, ninguém sabe ao certo. Nós tempos do governador Ademar Pereira de Barros, alguns membros do CCC já estavam em atividade e recebendo dinheiro do palácio. Foram aparecendo vários grupos dispersos, como a Canalha do Colégio Mackenzie e os Matadores do Largo de São Francisco. Um dia, esses grupos dispersos descobriram que tinham ideias comuns e resolveram juntar-se. Nasceu o CCC. Entre 1969 a 1974, o CCC foi remunerado pelo Ministério da Justiça, sob o comando de Alfredo Buzaid14 , durante o Regime Militar.”

Alguns nomes do Comando de Caça aos Comunistas, cada qual com sua biografia:

João Marcos Monteiro Flaquer, Francisco José Aguirre Menin, Raul Nogueira de Lima (conhecido como Raul Careca), Souvenir Assumpção Sobrinho, Boris Casoy, José Roberto Batochio, Cássio Scatena, Paulo Flaquer, Roberto Ferrari de Ulhôa Cintra, Pedro José Liberal, Luiz Corrêa Salles, João Parisi Filho, Sílvio de Salvo Venosa, Lionel Zaclis, Percy Eduardo Nogueira Sternberg Heckmann, Acácio Vaz de Lima Filho, Dilermando Cigagna Júnior , Antônio Salvador Sucar, Estevam Augusto dos Santos Pereira,  José Lamartine Satyro, Paulo Fernando Campos Salles de Toledo, Henri Penchas, Flávio Bernardo Caviglia, Cícero Alexandre Jorge Gubeissi, Paulo Roberto Ferreira Eugênio, Francisco Antônio Fraga, Fernando Forte.

Outros nomes do Comando de Caça aos Comunistas41 [editar]

  • Newton Camargo Rosa
  • José Augusto Bauer

Estes participaram dos ataques à Roda Viva, mas segundo o Coronel Reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, Newton Camargo Rosa e José Augusto Bauer eram militantes comunistas treinados em Cuba .

Também atacaram a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia, etc. e tal…

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Heraldo Jubilut Junior

Segundo o http://catalogo.migalhas.com.br/profile,  Heraldo Jubilut Junior especializou-se como advogado em Direito do Trabalho e Direito do Consumidor, na esfera administrativa e judicial, orientando seus clientes de forma ativa e preventiva, sobre eventuais riscos, custos e benefícios, apresentando relatórios circunstanciados.

O escritório nasceu em 1969, pela atuação do fundador, nosso coelga Heraldo Jubilut Junior, com o escopo de assessorar empresas no âmbito do direito do trabalho. A banca mantém o conceito da tradicional advocacia personalizada, com uma atuação marcante dos sócios e do seu fundador, aliada a figura da advocacia contemporânea que busca conhecer o negócio do cliente e a ele oferecer resposta condizente com a sua real necessidade.

 

 Résultat de recherche d'images pour ": Heraldo Jubilut"   Résultat de recherche d'images pour ": Heraldo Jubilut" Equipe – Jubilut Junior

José Horta Manzano:

 

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José Horta Manzano saiu do Brasil quando todos os seus colegas de classe do Clássico no IE Caetano de Campos iniciavam o 1° ano na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na Católica ou no MacKenzie, que eram as faculdades que São Paulo oferecia à época..

Como músico, atuou profissionalmente em 25 países da Europa; viveu em muitos países europeus, tirando como ensinamento das suas peregrinações, o amor às línguas estrangeiras e uma paixão secreta por etimologia.

Sabedor da tranquilidade necessária à reflexão, foi viver na Suiça onde, acumulando vários anos de residência, adquiriu estabilidade profissional.

Voltou ao Brasil por alguns anos, trabalhou em grande empresa situada em São Paulo, abriu um bar na Bela Vista onde tocava piano e, finalmente, escolheu voltar para a Europa, indo viver nos arredores de Genebra, que apesar dos pesares eram mais calmos que os arredores do Bexiga.

Passou da arte musical à joalheria, participou de feiras internacionais e um dia aposentou-se, que ninguém é de ferro.

A nova vida caseira permitiu-lhe de criar o blog BrasilDeLonge, com muitos artigos do qual alimento muitas páginas do ieccmemorias.word.press.com.

Há aproximadamente uma dezena de anos, José Horta Manzano é colaborador do jornal Correio Braziliense, tarefa que ele desempenha com o mesmo amor que oferece a seus três gatos.

 

Newton Russo:

Formou-se advogado, porém nada mais encontrei que notas de andamento de processos; seu pai era o dono das Loja Wilson Russo, situada na Av. São João, entre o cine Metro e a Praça J. Mesquita…

Nicolau Elias Moufarrej:

Formou-se advogado, porém nada mais encontrei que notas de andamento de processos, como Arrolamento Sumário – Inventário e Partilha.

Pérsio Martins Muniz Jr.:

Formou-se advogado, mas faleceu jovem, por acidente.

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Copa do Mundo: “A gente ‘demos’ tudo de si, mas futebol é uma caixinha de surpresa”.

Crônica publicada no blog ladeiradamemoria.wordpress.com

por Renato Castanhari Jr.

“A gente demos tudo de si, mas futebol é uma caixinha de surpresa”.

De quatro em quatro anos, vivemos momentos de euforia e frustação, vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, tudo junto e misturado, que acabam por parar o país, mais do que greve de caminhoneiro.
Em outros tempos, a repercussão era restrita, se compararmos com o buchicho que hoje acontece no palco digital. Dimensão maior, efeitos colaterais maiores.
Vivemos mesmo outros tempos.
Em 70, nossa seleção partiu rumo às terras dos desafetos do Trump completamente desacreditada, avacalhada, menosprezada. E voltou com o terceiro título entre as últimas quatro Copas. Mais do que isso, voltou com a legenda dourada da melhor seleção de todos os tempos, para alguns.
Se compararmos com os convocados para esta Copa da Rússia, talvez alguns poderiam ser no máximo banco, principalmente os da defesa, afinal, não nos preocupávamos muito em defender. Se tomássemos um, fazíamos três, quatro.
Mas eram outros tempos. O futebol era ópio usado pelos governantes. Tínhamos heróis de chuteiras que jogavam por nós enquanto quem dirigia se aproveitava da nossa paixão pela bola. Hoje temos milionários esforçados em campo e os mesmos canalhas dirigindo o país, levando bola em outros campos. A diferença é que nossa dependência por este ópio está deixando de ser tão doentia.
Outros tempos.
Tempos onde a massa muscular se sobrepõe à massa cefálica ou do talento nato. Onde a eficiência tática define o resultado. a magia do trato da bola perde para o esquema, a prioridade está em defender, o gol é detalhe.
Outros tempos. Que com a tecnologia, deu espaço, voz digital aos profetas do vídeo-tape, do VAR, que lançam os seus palpites na web com a eloquência dos catedráticos.
Antigamente, os idiotas eram silenciosos, ouvidos pela plateia à sua volta.
Hoje, eles ocupam a mídia, as redes sociais, vomitando bobagens, produzindo excrementos cujo cheiro a gente sente de outra cidade, de outro país, de outro continente. Contaminando o ar com suas convicções distorcidas, que viajam pelos gramados onde a bola rola, invadindo campos outros, defendendo seus bandidos de estimação, embolando o meio de campo, vibrando com a derrota, torcendo contra, torcendo os fatos, a favor do seu time que não joga de verde-amarelo. Os profetas do apocalipse, que surgem aos montes pós-jogo, que palpitam onde não são convidados, que levantam bandeiras digitais, que se acham com a bola toda, se deliciando com os tropeços.
São mesmo outros tempos.
Se na primeira Copa ganha tínhamos um Gilmar monstro guardando nosso gol contra os adversários, hoje temos um monstro gilmar destroçando nossas próprias defesas, jogando contra o nosso time, dando campo para os nossos oponentes. Dizem até que ele poderia estar como árbitro de vídeo no jogo de ontem, nossa última chance de anular a vitória dos belgas. Que são os autênticos canarinhos.
Se caímos desta Copa, na outra, que será jogada em outubro, nossas chances não parecem ser melhores. Não temos nem quem escalar para assumir o comando. Nenhum craque, ninguém com pinta de dirigir o nosso time rumo às vitórias.
Tudo bem que temos um que já foi expulso e que esperamos continue no banco, dos réus, por pelo menos 13 anos (deve vir mais com os outros processos), mas a lista dos convocados para jogar contra, já anunciada e manjada, só cresce.
É bom ficar de olho porque a próxima Copa é em 2022: 2 + 0 + 2 + 2 = 6 (hexa)
A gente perde a Copa, mas não perde a piada. Brasileiro não desiste mesmo.

Renato Castanhari Jr. – caetanista – | 07/07/2018 às 8:44 am | Categorias: CRÔNICAS/CONTOS | URL: https://wp.me/p1GYYgvX

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Projeto interropido.

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Como hoje é o dia do aniversário da Verinha Rosito, gostaria de poder colocar as fotos atualizadas das meninas que compõem a imagem acima, tirada em 1965.

Consegui obter um belo retrato da Maria Emília Ferreira e, um outro da Verinha, quando veio me visitar com o marido.

Agradeceria se algum de vocês pudesse me enviar imagens atuais de Roseli Marteli e de Elizabeth Kasan, para que eu possa completar esta página-presente!

Abraços festivos,

wilma.

07/07/2018.

 

L’image contient peut-être : 2 personnes, dont Emilia Afonso, personnes souriantes, intérieur

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José Horta Manzano-Prefixo

Prefixo a usar com moderação

José Horta Manzano*

O prefixo neo nos chega, por via latina, do grego νέος (néos). É raiz amplamente difusa nas línguas da família indo-europeia, do sânscrito ao português, passando pelo russo новый (novii), pelo alemão neu e pelo inglês new.

Em nossa língua, é tradicionalmente anteposto a um substantivo ou a um adjetivo para conferir-lhe conotação de novo ou novidade. Serve também para indicar renascimento, revivescência, atualização de fato antigo.

Temos, por exemplo: neozelandês (da Nova Zelândia), neonato (que acaba de nascer), neochegado (recém-chegado), neoconverso (recém-convertido), neofóbico (que teme o que é novo).

Neos

No entanto, é bom tomar cuidado com o uso desse prefixo. O conselho vale especialmente para quem tenciona respeitar a linguagem dita politicamente correta, tão em voga.

É que, com muita frequência, o prefixo neo introduz nuance pejorativa, daquelas que a gente pronuncia com um muxoxo. Vão aqui alguns exemplos.

ortodoxia econômica é descrita, por seus opositores, como neoliberalismo econômico.

Os que não apreciam particularmente os evangélicos preferem chamá-los neopentecostais.

Neonazista, neostalinista, neofascista, neomaoísta é como se costuma designar todo adepto de grupelhos extremistas, daqueles que se enraízam em façanhas que trouxeram pandemônio e conduziram a humanidade à beira do abismo. O prefixo reforça o desdém de quem o pronuncia.

Neocolonial, neopoesia, neorrepública, neonacionalismo, neocapitalismo, neopopulismo – formas dicionarizadas – carregam, todas elas, um perfume de menosprezo. Convém ter isso em mente na hora de inserir o prefixo neo. Pode dar recado de desdém.

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Trilha do Sumé e Pinturas Rupestres Brasileiras – Período Neolítico

*cronista do BDL e do CB; caetanista.

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Maestro Vicente de Lima; redescoberta.

Queridos leitores;

segue abaixo a cartinha generosa, que recebi do leitor  LUIZ GUILHERME CASTRO WINTHER.

Teria tido o maestro Vicente de Lima alguma ligação com os professores de música do Instituto de Educação Caetano de Campos?

Abraços pautados,

wilma.

05/07/2018.

“Senhora Wilma Legris

   Acredito que tenha sido através de seu blog que a bisneta do maestro Vicente de Lima descobriu que eu procurava foto dele, compositor da famosa música Noite de Garoa, gravada por Orlando Silva, Cascatinha e Inhana,  Elza Laranjeira e uma cantora de sobrenome Ardanuy, salvo engano, Norma Ardanuy.

   Nicole Chanel, bisneta de Vicente,  entrou em contato comigo e enviou algumas fotos que sobraram de uma enchente na casa de sua avó, Célia de Lima, filha de Vicente. Diz ela que a enchente destruiu praticamente toda a biblioteca que possuíam.

   Pelo que li, Vicente teve uma única filha, a Célia. Célia teve duas filhas, Chantal e Chanel. Sua bisneta, Nicole Chanel deve ser filha de Chanel, ainda a confirmar.

   Vicente compôs várias músicas e com partituras editadas.  Segundo uma das fotos, ele nasceu em 1903 e faleceu com 82 anos de idade.

   Estou aguardando também a resposta da pianista e professora Maria José Moraes Dias Carrasqueira, irmã do flautista e professor Toninho Carrasqueira,  filhos do João Dias Carrasqueira, flautista famoso que formou o Quarteto de Flautas Carrasqueira com Vicente de Lima e mais dois. Ela informou que procurará uma foto do quarteto em seus arquivos e que seu pai falava de Vicente de Lima com muito carinho e admiração. Isso deve ter sido lá pela época da Rádio Cruzeiro do Sul.

   Bem, já falei demais e não quero aborrecê-la tomando seu tempo.

   Agradeço pelo seu interesse e empenho. A Academia Barretense de Cultura, através de um membro seu, recebeu as fotos que enviei e estão gratos.

   Quanto aos meus manuais de oratória e técnica vocal que a senhora se ofereceu para colocar no seu blog, assim que eu terminar as revisões, falta pouco, eu enviarei. Eu não vendo meu material, repasso apenas para pessoas interessadas e com a finalidade de cooperar com alguns ensinamentos sobre o assunto.

   Tudo de bom para a senhora. Que a senhora continue sendo feliz em Paris ! (desculpe por rimar).

LUIZ GUILHERME CASTRO WINTHER; fotos Nicole Chanel.”

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