Evento caetanista de 03 de outubro de 2017.

Criastiane Carbone quer colaborar para o brilho do nosso encontro no dia 3 de outubro.

                            

A artista plástica, que expôs suas telas na Secretaria da Educação, inclusive apresentando um tema caetanista, pretende preparar alguns óleos inspirados em imagens antigas representando a Escola Normal dos tempos áureos, quando o conjunto arquitetural, composto pelo ginásio de esportes, Jardim de Infância e seu belo entorno paisagístico, destruído por Prestes Maia nos anos 30 ainda se encontrava de pé e a avenida São Luiz (com “z”) era apenas uma rua estreita cheia de palacetes.

A ideia é que se faça uma exposição no hall do auditório onde os caetanistas se reunirão no dia 3 de outubro próxmo.

Ainda não tenho os detalhes do evento, mas desde que tudo seja discutido e informado, terei o maior prazer de lhes comunicar. Afinal é a função do blog.

Reservem a data para que sejamos numerosos e avisem caetanistas e amigos para que façam o mesmo.

                          

Abraços encontrados,

wilma;

11/08/2017.

 

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Aviso aos “navegantes” !

 

Queridos todos;

constatei uma alta importante nas consultas ao blog e imagino que alguns de vocês andam pesquisando sobre a Escola Normal, depois designada Instituto de Educação Caetano de Campos.

Gostaria de informar aos pesquisadores, que apesar de ter arrebanhado quase todos os artigos do jornal A Província de São Paulo ( tornado OESP depois da Proclamação da República), o conteúdo está incompleto devido o não uso de todas as palavras-chave necessárias.

Assim que estiver disponibilizada, farei um retorno ano por ano, principalmente a partir dos anos 1930, para que a pesquisa resulte na totalização dos dados colhidos no jornal OESP.

Abraços corrigidos,

wilma;

10/08/2017.

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ELA – ( Breve história de uma vida anônima) – Raul Machado

          ELA

 

            ( Breve história de uma vida anônima)

 

                                                                     Raul  Machado

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Ela já não mais tinha um teto que protegesse seu corpo envelhecido. Vivia na rua, com seus poucos pertences que colocara numa bolsa com rodinhas encontrada num contêiner para lixo. Ao lado, ela colocou uma bandejinha de alumínio, onde os passantes mais compadecidos lançavam umas moedas. Nos braços ossudos apertava um ursinho de pelúcia que pertencera a sua filha, já falecida há tempos, quando fora estuprada e morta. Quando alguma moeda tilintava na bandeja, ela segurava seu ursinho de pelúcia com mais força. Esse ato era para ela uma forma de rezar a uma santa que brilhava barrocamente no altar-mor da igreja onde se casara num dia 13, fazia já muitos anos. Pariu sete meses depois uma menina, com a ajuda de uma amiga. O marido desapareceu ao dar-se conta de que a filha era mongoloide. Numa noite fria, quando dormia com a filha de quatro anos, policiais de uma agência governamental levaram a menina para um abrigo, chamado Lar do Menino Jesus de Praga. Sob a marquise onde tinha se instalado, observava diariamente os passantes. Todos os dias, entretanto, saía para comer um “prato feito” com arroz, feijão, alguma carne e salada de tomate, alface e cebola, que o empregado dum bar-ambulante lhe fornecia por poucos reais.Fazia suas necessidades fisiológicas no banheiro municipal,  que ela utilizava para “livrar-se do que não prestava”, como costumava dizer. Às vezes, acontecia algo diferente, como o som de uma banda marcial, seguido de militares que desfilavam batendo forte suas botas no asfalto,  ela sabia que era uma comemoração de 7 de setembro. Treze dias depois, era a vez de gaúchos pilchados em cavalos fogosos passarem cantando as glórias de uma revolução perdida. E ela pensava que o mundo era mesmo muito estranho e difícil de se entender. Todos os dias e até mesmo de madrugada , ouvia os passos de homens e mulheres com sapatos de salto alto dirigindo-se apressados para o trabalho ou para alguma festa no clube social do outro lado da rua. Essas pessoas raramente lhe atiravam uma moeda.  Os que mais lhe davam  eram os que usavam tênis. Quando se sentia muito suja e com a roupa fedendo, ela dirigia-se a um abrigo espírita, o Lar do Amigo Germano, onde  lavava sua roupa e tomava um bom banho. Retornava ao abrigo da marquise, sentindo-se mais leve. Gostava de ver a criançada fazendo algazarra, todas as manhãs, dirigindo-se para a escola, guiados por responsáveis. E ela pensava na sua filhinha, apertando o ursinho de pelúcia e pensando que, talvez, sua filha  nunca conseguiria ler e escrever. Uma vez, resolveu ir até à beira do rio. Sentou-se na margem. Foi então que viu um grande saco, encalhado na margem com um pé calçado com sapato preto e lustroso, aparecendo na boca do saco. Pensou que devia ter lá dentro um corpo de homem.  Seria uma vítima de assassinato? Deveria ir até uma delegacia e avisar a polícia? Não. Não gostava de polícia. Por isso, pediu ao amigo do bar-ambulante que avisasse aos guardas, mas sem dizer que era ela que tinha visto o saco. O amigo foi até a delegacia mais próxima e avisou o delegado, afirmando, como prometera,  que ele tinha visto. Às vezes, pela manhã, passava na calçada uma senhora idosa numa cadeira de rodas empurrada por uma moça. Seria sua filha ou neta? Ela pensava que não era tão infeliz, que havia gente mais infeliz do que ela. Afinal, ela podia até caminhar. Não que pudesse correr, como esses moços e essas mocinhas que passavam por ela apressados  para  chegar rapidamente no Parque da Redenção e preparar-se para a maratona. Um dia, também 13, seu amigo do bar entregou-lhe um papel  onde pode ler que um juiz a convocara para comparecer no tribunal, pois o assassino de sua filha ia ser julgado. Ela preparou-se: tomou banho no abrigo espírita e lavou as roupas novas recebidas no Lar do Amigo Germano. No dia e na hora que o juiz decidira, ela compareceu no tribunal. Havia uma juíza e um juiz, todos de preto. Só ela vestia roupas brancas.  O assassino de sua filha estava em pé. Os juízes leram papéis, até que perguntaram se ela queria falar. Ela disse que sim. Contou a história toda: casamento, marido desaparecido, filha doente, a rua onde morava. Enfim, tudo que se lembrava.  Um advogado de defesa do réu também falou. Ela teve pena do assassino. E, então, surpreendentemente, pediu para falar de novo. Os juízes concederam-lhe a palavra. E ela disse: Eu perdoo esse moço que matou minha filhinha. Aprendi, no catecismo que se deve perdoar. O padre até disse: se alguém te der um tapa numa das faces, oferece-lhe a outra. E perdoa. Jesus perdoou seus algozes. Os juízes estavam aturdidos. Isso nunca tinha acontecido naquele tribunal. Ela pediu para ir embora. E foi. O assassino desabou num choro convulso. Os juízes e até o advogado e alguns estudantes de Direito que  visitavam o tribunal e o público estavam todos emocionados. Alguns até choravam.  No dia seguinte, um homem velho, de bengala, lançou na bandeja 50 reais. Ela não pode agradecer. Era uma nota de papel e, por isso, não tinha tilintado na bandeja. Com esse dinheiro, ela realizou um sonho : dormir uma noite no hotel do outro lado da rua. E foi o que fez. Pagou adiantado na portaria. Deram-lhe o quarto número13. Era um quarto todo branco, azulejos, fronhas, cobertas, toalhas e até um banheiro, onde havia uma banheira branca. Ela abriu o quarto e pensou: Hoje vou ter sorte. Apertou seu ursinho entre os braços e deixou-o deitado na cama . Chorou um pouco. Encheu a banheira de água e nela entrou. A água estava  morna e agradável . Lavou-se com sabonetes perfumados. Depois, foi aos poucos deitando, mergulhando na água. Até que parou de respirar.  No outro dia, como não respondia no telefone da portaria, o porteiro chamou o dono do hotel. Abriram a porta do quarto 13 e encontraram ela morta por afogamento na banheira branca. Chamaram o SAMU, para que constatasse a morte. Era um suicídio muito raro. Foi sepultada numa vala comum, junto a outras pessoas anônimas, no cemitério São Miguel e Almas. Um padre oficiou, pedindo a Deus que perdoasse aqueles pecadores,  abençoando-os com jatos de água benta. E retirou-se com seus dois coroinhas.

 

Nota do Autor : Tudo nesse conto é fruto de minha observação e imaginação.  Mas isso não tem a menor importância. O que interessa é o que você, leitor(a) perceber/ler/interpretar. Você também recria esse meu conto. Obrigado por tê-lo lido. Raul Machado

 

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Dalton Sala voltou a São Paulo.

… z continua a realizar arte por computador. Boa viagem!

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A língua falada por cada um

A língua falada por cada um

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Gosto muito das lições vernáculas que recebo lendo os primorosos e divertidos textos da Dad Squarisi. O de outro dia não constitui exceção de modo algum, mas não posso deixar de confessar que ele me deixou um tantinho angustiada.

A bem da verdade, admito que, quando estou na dúvida sobre a forma gramatical correta, muitas vezes recorro ao estratagema usado pela secretária que, por desconhecer a grafia correta de sexta-feira, reagendou a reunião para a quinta. Além disso, tenho certeza de que se eu estivesse na pele da segunda, sem saber ao certo se o correto seria dizer “conosco mesmos” ou “com nós mesmos”, optaria por uma solução de compromisso mais tranquilizadora do ponto de vista psicológico: aconselharia meu chefe a trocar ‘nós’ por ‘a gente’.

Na sequência, refletindo um pouco mais, acabei descartando minha própria sugestão. Novas dúvidas se enraizaram de imediato em minha cabeça: se a troca fosse aceita, como ficaria o reforço ‘mesmos’? Seria correto dizer “com a gente mesma” ou, neste caso, ‘mesmo’ agiria como reforçador neutro de ‘queremos’? Se a frase começa com o plural ‘nós’, pode terminar no singular? Pensando bem, talvez fosse melhor sugerir algo como “Queremos estar de bem com aquilo que somos”. Pode ser mais longo e não tão preciso, mas pode eliminar a angústia mais rapidamente.

É curioso como, ao longo da vida, aprendi a demonstrar tolerância zero com erros de grafia e de concordância verbal, mas descuidei do aprendizado da norma culta. Escolho intuitivamente as construções de frase que me geram total confiança e fujo como o diabo da cruz de outras que experimentei um dia e que, por sua impropriedade, me encheram de vergonha.

O que não perdoo em mim mesma, perdoo menos ainda nos outros. A reprovação mais rápida da história universal da Seleção de Pessoal aconteceu com um colega que iniciou uma entrevista com um estudante universitário perguntando: “Quando você se forma? ”. A resposta veio de pronto: “Eu se formo agora no meio do ano”.

Por seu lado, sempre achei melhor que cada pessoa se exprima verbalmente da forma como aprendeu com os pais ou com a comunidade à sua volta, mesmo que contrarie o rigor da norma culta. Soa mais natural e preserva todo o sabor do jeito particular com que cada agrupamento humano diz o mundo. Um dia, se lhe interessar, a pessoa poderá aprender com mais facilidade como articular sua fala da maneira correta para provocar o impacto que deseja.

Sei por experiência própria que, quando a pessoa finge dominar as regras da semântica com o intuito de passar boa impressão a seu interlocutor, o resultado é inevitavelmente cômico e constrangedor. Foi o que aconteceu quando eu entrevistava um candidato para uma posição de gerência.

Ele havia enviado um curriculum grandiloquente, autoelogioso e volumoso e eu estava curiosa para descobrir o quanto suas experiências profissionais anteriores retratavam a verdade dos fatos. Comecei pedindo que ele resumisse suas atribuições no último posto de trabalho. O rapaz respirou fundo enquanto tentava organizar o pensamento e, de repente, seu olhar se iluminou, como se houvesse descoberto a fórmula certa de me impressionar logo de saída com seu douto saber. Cheio de confiança, ele nem pestanejou ao lançar as seguintes pérolas:

“Permita-me fazer um prêmbulo…

Mesmo fortemente impactada, não me foi difícil compreender que o ele pretendia de fato era dizer “preâmbulo”. Segurei o riso e respondi com serenidade: “Faça quantos achar necessário”.

Estimulado, ele prosseguiu: “É que eu sou uma pessoa muito detalhista. Adoro bolinar ideias”.

by Martin Singer (1969-), desenhista francês

Mais uma vez, bastou uma rápida reflexão para entender que, na verdade, ele queria dizer “burilar”. Só que, dessa vez, algo se agitou em mim. A impropriedade linguística do candidato começou a fazer uma outra lógica, que eu só poderia descrever como um enquadramento psicológico criativo, ainda que alucinado.

É que, mesmo me parecendo surreal a comparação, eu havia chegado à conclusão de que as duas palavras guardam semelhança, ao menos no que diz respeito à intenção. Se você parar para pensar, vai descobrir que aquele que burila alguma coisa, seja pensamento ou algo concreto, está na verdade mudando seguidamente de posição, avançando e recuando, experimentando novos ângulos e aparando arestas. Talvez até mesmo se deixando excitar com as possibilidades que se abrem diante de seus olhos ao manipular com competência profissional ou atabalhoadamente a ideia ou o objeto.

(*) Myrthes Suplicy Vieira, caetanista, é psicóloga, escritora e tradutora.

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Nossa professora Silvia Aranha pede a nossa colaboração!

Bom dia!

Que bom ter se lembrado do meu nome depois de tanto tempo!

Bom também o encontro dos Caetanistas de 2017. Ao tomar conhecimento do fato, lembrei-me de sugerir uma idéia para o grupo: cada um doar um livro infantil como presente para as nossas crianças e adolescentes do Amazonas. O número de leitores daqui aumenta aos poucos… Que tal a sugestão?

E a sua vista, o que acontece com ela?

Abraços a todos os Caetanistas, ex – alunos ou não.

Em tempo: você recebeu as minhas reminiscências?

Acho que não lhe enviaram. Aguardo resposta.

Saudações da

Sylvia Aranha

Associação Dom Jorge Marskell

“Solidária com os excluídos”
Av. 7 de Setembro, 1054 Centro
Fone: (92) 3521-4018
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Raul Machado, “Pessoa” “Drummondiana”…

METAPOEMAS

“                                                     Raul Machado

              

Entre mim e o mundo

                    serpenteia

a palavra mais precisa

                    que meu olho

pois só vejo o que nomeia.

                    E o mundo só o sei

                    através dela

preso no emaranhado

                    de sua teia.

 

Ora é lente a aumentar-me

                    o espanto,

ora é névoa a turbar-me

                    o encanto.

Ao doce enlevo da rima

                    se rebela,

se faz ausente e vai habitar

                    um novo olho

                    outra mente,

            ou se entrega fácil                                           E eu fico com os dedos

                    bela                                                        impotentes

com sofreguidão que mal                                a suspender o lápis

                    posso                                           sobre o exílio branco

                    acompanhar-lhe                                    do papel,

                    o passo                                         a guerrear em mim

e, num repente,                                                       este combate

                    se funde                                                 ingente

                    na multidão                                            sem pouso  sejo coisas inúteis

como equilibrar-me na balança

do viver, pondo, num dos pratos,

a desnecessária poesia,

no outro, as insubstituíveis

utilidades vividas.

 

                         

 

Em minha cabeça,

uma idéia despertava

de um sonho bem dormido

que uma palavra cantava.

 

Fui logo registrá-la

no branco deserto do papel

mas, quase de imediato,

a idéia fez-se névoa

a palavra ensombreceu.

 

E o poema que eu sonhava

como a lua atrás da  nuvem

se escondeu.

 

Onde está? Onde  está

o poema que certa vez

minha mão quase prendeu?

 


                 

Queria um poema transcendente,

para além do que a palavra diz,

que extraísse do meu íntimo

o desencanto de meu jeito de viver

e que plantasse um sentido diferente

neste torto poema que me fiz.

 

No meio do verso

        tinha uma pedra

No meio da pedra

        tinha um caminho

No meio do caminho

        estava a palavra.

 

Nunca saberei

        a palavra

        do caminho

        da pedra

        do meio

        do verso.

    

 

O texto é enganador,

ilude tão completamente

que transforma pro leitor

em verdade o que lhe mente.

 

E assim, neste intertexto,

insinua-se a questão

de saber se é só o contexto

que desvela a ficção.

                          

 

Uma metáfora

              alada

   sem chão que a

                                                           sustente:

            um véu.

 

Suspensa e fria

          ausente

           no céu:

            só cor.

Meticulosa geo-

             metria

 do nada.

                           

 

Andamos por aí,

vendo o que ninguém vê.

Dizem que somos videntes

ou até clarividentes,

quando o que vemos

é o nosso de-dentro,

pela imaginação enfeitado.

 

Ficamos assim sem jeito

e até nos orgulhamos –

o ego todo inflado –

de sermos bem-dotados,

como helênica pitonisa.

 

E por aí vamos,

refazendo símbolos gastos,

ressuscitando palavras,

velhos signos, novos sentidos,

somados às nossas vivências.

 

Pensamos ter importância

o que nos versos cantamos

quando nada mais importa.

Tudo muda, tudo passa.

Tudo morre à nossa porta.

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