iecc-memórias – (Parte 3) O ano de 1922 e a Escola Normal da Capital.

(wilma schiesari-legris)

1922- Ano da Semana de Arte Moderna!

O ano de 1922 foi fecundo em acontecimentos no âmbito da Escola Normal da Capital: festas do Centenário da Independência, visitas diplomáticas e, até um caso de polícia, que acabou na Justiça,  sobre o roubo de uma nota de 10.000 réis, retirada do paletó de aluno deixado no Ginásio de Esportes da escola;  os moços  faziam ginástica no pátio e “parece” que um rapaz riquinho, aluno da ENC,  invejou aquela nota, provavelmente exibida antes da aula pelo seu detentor.

Conclusão: delatado por ter sido visto entrando no Ginásio de Esportes por um camarada em atraso para entrar na sala de aula, o clã do espertinho contratou o deputado que advogava na Capital, o dr. Marrey Jr.,  e tudo acabou em, digamos, manjar branco, porque ainda não era moda a pizza paulistana.

Marrey também levou a testemunha que jurou que o “gatuno” igualmente possuia uma nota de 10 mil! E disse tê-la visto antes que o suspeito entrasse na escola!

E que ninguem me diga que seria o dinheiro destinado à compra do lanche, porque o barzinho da escola foi uma novidade dos anos 50!

O dr. Marrey Jr., como sempre ganhou a causa, porque o diretor(não é jamais citado o nome do diretor; tampouco o do infrator) suspendeu o aluno sem registrar administrativamente o fato( foi um erro) e , o furto de 10 mil réis deveria ser um caso de polícia, não fosse o garoto de fina casta; a quantia não era pequena: segundo publicidades nos jornais da época, ela permitia a compra de um par de sapatos finos para criança. Como a polícia não foi acionada e a decisão do diretor, adaptada ao aluno, o dr. Marrey queria que a Justiça concedesse um “habeas corpus” ao seu cliente, embora nos termos da lei aquilo não fosse hábito para a infração cometida.

A Câmara dos Deputados e a Câmara de Justiça se reuniram muitas vezes, com os maiores “cobras” no assunto opinando sobre a questão. São várias reportagens e , uma delas ocupa toda a página do jornal…

Quem era o culpado? Ninguém soube!

Abraços roubados,

wilma.

08/02/2016.

 

1922 e a Escola Normal da Capital

JANEIRO

Publicidades:
06/01/1922(OESP)
Moça para escritório
Formada pela Normal, com boa letra, conhecendo escrituração mercantil e datilografia e, trabalhando há tempo no comércio, aceita colocação. Oferece boas referências.
Cartas a J.M.J. posta restante.

06/ 30 e 31/01/1922(OESP)
Collegio Elvira Brandão, sob a direção da caetanista Elvira, continua “comunicando” sobre a sua qualidade nos classificados do jornal OESP.
27/01/1922(OESP)
Professora formada pela Escola Normal Secundária de São Paulo, com prática de ensino, se oferece para ensinar crianças num colégio, casa de família ou fazenda. Dá-se boas referências.
Iracy de Paula.
Rua Cavalheiro, Brás.

FEVEREIRO
01/, 09/ 12 e 19/02/1922 (OESP)
Anúncio do Externato Elvira Brandão.

03/02/1922(OESP)
São convidados à matrícula do 1° ano na seção masculina do Curso Complementar, anexo à Escola Normal da Praça da República, todos os candidatos aprovados da Escola Modelo Caetano de Campos.

10/02/1922(OESP)
Notícias Diversas
O centenário
As comemorações em São Paulo – O programa oficial

Afim de organizar o programa dos festejos do Centenàrio da Independência, realizou-se ontem, em palácio, uma reunião convocada pelo sr. Presidente do Estado, a qual estiveram presentes os sres. Secretários do governo e o prefeito da capital e de Santos.(resumo)
Nessa reunião , que se prolongou até às 15 horas, foram sugeridas várias medidas, ficando combinado mais ou menos o seguinte:
No dia 7 de setembro, pela manhã, será inaugurado o monumento comemorativo da Independência e todas as obras acessórias, isto é, os parques, os jardins e estátuas quedevem ornar o local histórico.
Será, por essa ocasião, oferecido um discurso sobre a data, seguindo-se cantos e hinos patrióticos sobre a Independência, a Bandeira e outros, captados por milhares de crianças das nossas escolas e 6.000 soldados da Força Pública, com as respectivas bandas completas.

Os alunos e alunas de nossas escolas serão dirigidos pelo maestro João Gomes Jr, preparador do Orfeão da Escola Normal de São Paulo. Dirigirá os soldados da Força Pública o capitão AntãoFernandes, organizador dos coros daquela unidade.
Terminada esta cerimônia que deverá prolongar-se por duas horas, dirigir-se-ão os membros do governo para a estação da S. Paulo Railways, no Ipiranga, onde embarcarão com destino a Santos.

                               
(migalhas)

Na vizinha cidade serão inaugurados o Monumento dos Andradas e a Bolsa do Café.(…)
Voltarão, em seguida, em automóveis, pela estrada que liga Santos a S. Paulo e, na qual, inaugurarão também monumentos históricos comemorativos das primeiras épocas da História de S. Paulo e do Brasil, o desdobramento dos sertões,etc.., monumentos estes a cargo do sr. Victor Dubugras.

(Blog do IbaMendes)

(…)
A noite, haverá uma “marche aux flambeaux”(desfile com tochas) de todas as unidades disponíveis da Força Pública e a qual aderirão todas as nossas escolas e povo.

Afficher l'image d'origine(Gabinete de curiosidades)

Realizar-se-á, em seguida, um espetáculo de gala no Theatro Municipal, com a apresentação da o ópera nacional” Dom Casmurro” de autoria de João Gomes Jr. e que vai ser minuciosamente montada pela Empresa Walter Mocchi.
A cidade apresentará nessa noite uma iluminação extraordinária.(…)

11/02/1922(OESP)
Escola Normal da Praça da República
Conforme estava anunciado, a Escola Normal da Praça da República recebeu ontem a visita do sr. Jan Havlasa, ministro da República Tcheco-Slovena junto ao governo brasileiro, e sua exma. esposa(…) acompanhados pelo sr. José Lannas, representante do sr. Secretário do Interior e pelo sr. Guilherme Kuhimann, diretor da Instrução Pública, recebidos no saguão da Escola pelo sr. diretor Renato Jardim e pelos professores do Estabelecimento, em cuja companhia percorreram todas as salas de aula que no momento funcionavam e os diversos gabinetes e museus da escola.
Em seguida, foram os visitantes conduzidos ao Jardim da Infância, onde o sr. Ministro foi saudado em nome da Escola Normal pelo sr. Dr. Fernando de Azevedo, lente de latim e de literatura daquela casa de ensino.
(…)
(segue o discurso do lente Fernado de Azevedo, que comporta duas colunas)
Agradecendo a saudação que lhe havia sido dirigida, pronunciou o sr. Jan Havlasa, um breve discurso, sendo então oferecida pelas alunas da Escola, à sua exma esposa, uma cesta de flores naturais.
Em seguida, pelo coro orfeônico da Escola, dirigido pelo maestro João Gomes Jr., foram executados vários números de música, sendo cantados, tanto ao iniciar a festa como ao terminar-se, os Hinos Brasileiro e Tcheco.

MARÇO
10/03/1922(OESP)
A Sociedade
Carnet
Faz anos o sr. Martim Francisco Marcondes Buarque, filho do professor Cyridião Buarque, já falecido.

ABRIL
Nada encontrado no Acervo do jornal OESP.
MAIO
23/05/1922(OESP)
SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E DE ENSINO
Sob a presidência do sr. Renato Jardim, diretor da Escola Normal da Praça da República, reuniram-se ontem no anfiteatro do Jardim da Infância, os senhores Celestino Bourroul, Guilherme Kulmann, Carlos da Silveira, Candido de Moura Campos, Pereira Campos, Sampaio Doria, J.A. Azevedo Antunes, Alexandre Albuquerque, Oswaldo Presciliano de Carvalho, Fernando de Azevedo, Severio Christofario, João Lourenço Rodrigues, José Lannes, Ruy de Paula Souza, Renato Jardim, A. Rodrigues Alves Pereira, Armando Gomes de Araujo, Roberto Jorge Hadock Lobo Filho, Djalma Forjaz, Frontino Guimarães, Romeu do Amaral Camargo, José Rizzo, Oscar Freire, A. Cawerley Hate, A.C. Salles, Oswaldo Portugal, Geraldo de Paula Souza, Ezechiel de Moraes Leme, Almeida Jr, Estevam Lange(?), Paulo Carezzato, José de Souza, Ozorio Pinto de Freitas, Antonio de Alencastro de Azevedo, José Ribeiro Escobar e João Gomes Jr..(…) “ (resumo)afim de se organizar a Sociedade de Educação e Ensino, explicada pelo sr. Sampaio Doria.
Pediu a palavra o sr Antonio de Almeida Jr com o objetivo de esclarecer a escolha do estatuto da mesma, com a participação de uma comissão composta por alguns nomes acima citados(impossíivel de decifrá-los) que no prazo de 5 dias deve apresentar as propostas.
O sr. Roldão de Barros comunicou que os senhores doutores Pacheco Prates, Spencer Vampré, Octavio Mendes, Alcântara Machado, Estevam de Almeida e Vergueiro Steidel, lentes da Faculdade de Direito, que por motivo de força maior não puderam comparecer à reunião e o incumbiram de o representar,(…) ; Identica declaração faz o dr; Ruy de Paula Souza, em relação ao doutor Victor Freire. (…)
O sr Roldão de Barros prospôs que (o conteúdo da reunião) se tornasse público e que a lista para adesões ficaria na Secretaria da Escola Normal, para receber as assinaturas das pessoas que quisessem aderir à Associação. Além do mais, as adesões poderão ser enviadas por escrito ao sr. Renato Jardim, diretor da Escola Normal da Praça da República.
Foi convocada nova reunião na segunda-feira , dia 29 para discussão e estabelecimento dos estatutos.
JUNHO
30/07/1922(OESP)
Concedido um mes de licença à inspetora da Escola Normal da Capital, dona Rosina Nogueira Soares.(ex-professora de artes aplicadas que, com as normalistas, realizou a bandeira do Brasil, oferecida ao couraçado São Paulo)
JULHO  E  AGOSTO
(NADA ENCONTRADO)

 

SETEMBRO
1° de setembro de 1922(OESP)
(RESUMO)
As mais solenes comemorações do Centenário da Independência tiveram lugar no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, algumas linhas foram escritas sobre as festas da Escola Normal da Capital, sob o título:
ESCOLA NORMAL DA CAPITAL
A Escola Normal da Capital arranjou interessante programa apara a comemoração do Centenário.
Consta ele de duas partes: uma a ser observada no dia 6, com uma festa esportiva; e outra que será no dia 7, constando de um espetáculo de gala no Theatro Municipal;
No espetáculo, será inaugurado oficialmente o Orfeão Escolar, sob a direção do maestro João Gomes Jr., com o concurso das alunas da Escola Npormal do Brás e Escola de Comércio Álvares Penteado, num total de 900 a 1000 vozes. Seguir-se-ão diversas danças clássicas, em que tomarão parte as alunas da Escola Normal da Praça da República, Escola Complementar, Escola Modelo Caetano de Campos e Jardim da Infância.
Segundo determinação da diretoria do Estabelecimento, a partir de hoje, até o 7, nas classes da Escola Modelo Caetano de Campos, as aulas começarão com o Hino à Independência, preleção sobre a data pelo professor da classe e poesias alusivas à mesma pelos alunos.

e
Curiosidade: Quadros da História da Pátria

A Companhia Melhoramentos de São Paulo, teve a excelente ideia de por à venda, para o ensino da História, 21 quadros de “História Pátria”, em belas e nítidas policromias, medindo cada um 79 X 69.

20/09/1922(OESP) 3 colunas:
Foi levado ntel ao cnhecimento do Tribunal, em câmaras reunidas um fato acontecido há algum tempo ana Escola Normal da Capital, onde um aluno de nobre extração social, tendo sido suspeitado do furto de dez mil réis, sofreu do diretor da Escola(Não é citado o nome) um abuso de autoridade, impedido de assistir às aulas.
A família do moço contratou um advogado (mais tarde ficaremos sabendo que se tratou do deputado, o dr. Marrey Jr.).que constatou esses abusos da escola e não encontrou os papeis relativos ao afastamento do seu cliente; arguiu que o mesmo tendo sido arbitrário e que não foi encontrado ou dado nenhum documento do processo administrativo.
Nem o Diretor da Inspeção Pública, nem o Secretariodo Interior quiseram interferir no caso, pelo fato do diretor da ENC ser amigo do presidente do Estado.
Criou-se então a discussão sobre a atribuição de um “habbeas corpus” ao aluno lesado, para lhe permitir o direito de ir e vir.
Inclinaram-se sobre essa questão o presidente Whitaker, o ministro Gastão Mesquita, o ministro Pinto de Toledo, o ministro Urbano marcondes.
Com dificuldade em acertar a medida sem atacar o diretor nem acusar o aluno, o julgamento foi tornado em “diligência”, para que as informações, até então negadas, fluíssem por parte do diretor da ENC. ; proposta que vai ser proferida na próxima reunião das câmaras, intitulada “Habbeas corpus n° 4003”.

OUTUBRO
24/10/1922(OESP)
O advogado J.A. Marrey Jr, que defendeu o aluno atacando o diretor da ENC, a Administração Pública e os Tribunais, escreveu sua opinião em coluna especial intitulada Tribunal de Justiça- Julgamento do “habbeas corpus 4013.”
Noutra coluna, repetindo exatamente o mesmo título, temos um artigo repudiando o comportamento do diretor da Escola Normal da Capital, que acolheu em seu gabinete um aluno depoente e depois o aluno suspeito do hipotético furto de 10 mil réis durante a aula de ginástica naquele Estabelecimento.
Os nomes do diretor e do suposto gatuno não são citados, mas visto as mais altas autoridades envolvidas no caso, imagino que o jovem professorando também, como o diretor da ENC deveria ter amizades graúdas no Governo.

31/10/1922(OESP)

 

(wikipédia pt)Afficher l'image d'origine

Três páginas inteiras com o discurso de Júlio Prestes na Camara dos Deputados de São Paulo
O discurso do sr Júlio Prestes sobre o caso da Escola Normal é insistentemente interrompido pelo advogado e deputado Marrey Jr., que defendeu o aluno supostamente “ladrão”.
Quem leu “Crime e castigo na Escola Caetano de Campos” deparou-se com a defesa de Marrey Jr ao meu anti-herói(René “Barreiro”), cujo nome era quase esse; René que era irmão do Diretor da Instrução Pública em 1912/13, Arnaldo; era professor efetivo da ENC, pai de outro professor também chamado René, esposo da professora da Escola Modelo Caetano de Campos, Rita “Demasset Suarez”, cunhado do professor Macedo Soares, igualmente lente da Escola!!!!
Naquela época, Oscar Thompson dirigia a Escola, mas graças à sua importância, galgou postos ainda mais altos na Administração.
E não foi ele quem indicou para suscedê-lo na direção da ENC, o jovem Azevedo Antunes, ao Presidente do Estado?
Marrey Jr defendeu a minha heroína e, para garantir a paz moral da (alta) sociedade paulista, inocentou o principal acusado de “um crime melindroso”!
Como vocês podem ver NADA MUDOU! E se a escola MUDOU o Brasil, como alguns pensam ter sido, a escola era uma ante-sala do Poder, primeiro dos grandes latifundiários produtores de café, os mesmos que tinham fazendo no Estado de São Paulo e membro spróximo da família s, nos mais altos cargos do Governo. Coisa nossa!

 

27/10/1922(OESP)
Por decreto de ontem, foram removidos:
O bibliotecário da Escola Normal do Brás, dr. Vicente Carlos de França Carvalho, para igual cargo nda Escola Normal da Capital( e para o seu lugar foi o dr. Freitas)

 

NOVEMBRO
16/11/1922(OESP)
As Comemorações do 15 de Novembro(ditas “de ontem”)
Depois de descrever a festa e a presença do presidente do Estado, Washington Luiz, lemos o seguinte subtítulo:
NAS ESCOLAS
Em todas as escolas foi levantado o “pavilhão” brasileiro e cantados os Hinos Nacional e da Bandeira, além de cantos recitavos e patrióticos.
Impossível ler encontrar artigos prolixos sobre a nossa escola; apenas lemos:
“programa que muito agradou:
Mas trata-se  de uma reportagem sobre a EN do Braz(com “z”)!

DEZEMBRO

 

03/12/1922(OESP)
O CASO DA ESCOLA NORMAL
Trocando em miúdos, não houve falta e nem crime no seio da ENC e o jovem aluno e sua influente família ganharamo caso na Justiça!
Afficher l'image d'origine(1908 – aqui vemos a entrada do Gimnasio e o anfiteatro do Jardim da Infância)
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